Vida CristãNotícias › 02/01/2012

O menino Jesus que nasce em Angola


Na noite do dia 24 de dezembro, as Igrejas de todo o mundo se enchem de alegria, com cantos festivos anunciando a chegado do Menino Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, encarnou-se para nossa salvação. Certamente, o menino que nasceu em Belém, naquela noite estrelada, porém fria, continua nascendo cotidianamente em nossos corações, em nossos países. O menino Jesus nasceu e ainda continua a nascer em Angola.

O Menino Jesus que nasce em Angola não é diferente daquele que nasce no Japão, com os olhos puxados; que nasce no Brasil, ao som do samba; que nasce em Roma, com toda a solenidade romana; que nasce em Belém. O Menino Jesus que nasce em Angola tem a cor de seu povo: é negro, tem um sorriso simpático, é alegre. Assim como o povo angolano, ele é cheio de esperança. Já, ao nascer, ele abre os olhos e abençoa o povo que sofre.

O miúdo Jesus não nasceu numa Igreja cheia de luzes, com pisca-pisca moderno, ou mesmo numa Igreja repleta de bancos esculpidos e chão de mármore. Jesus angolano nasceu numa Igreja sim, porém na Igreja Povo de Deus, ao som dos cânticos entoados nas diversas línguas – huambo, kimbundo, kicongo, fiote -, em um coro e acompanhados com a força dos pulmões de uma multidão de fiéis, no ritmo dos tambores.

O Menino Jesus que nasceu em Angola trouxe força, paz, amor e, sobretudo, a esperança a um povo que deseja um mundo irmão. Eu sou testemunha de que na noite do nascimento vi um mar de gente, homens, mulheres, idosos, crianças e jovens. O espaço físico onde nasceria o Menino Deus, aos poucos,  tornou-se Igreja. Aos poucos, as mamas, revestidas com os melhores e mais bonitos panos envoltos em suas cinturas, com outros panos na cabeça e no peito, traziam em suas costas seus miúdos amarrados. Os papas também se juntavam à noite do nascimento com suas melhores roupas. Muitos homens trajavam seus mais finos factos (ternos). Os filhos, juntos aos seus pais, estavam vestidos com roupas novas, compradas com o suor das mamas nas praças e lavras. Tudo isso para ver o menino Jesus nascer em Angola naquele humilde templo, que então se transformou em palácio do Grande Rei.

O menino Jesus nasceu em Angola numa noite escura, a única luz era a fé do povo. Esta luz irradiou transformação no espaço físico, no bairro, na cidade, na província e no país. Porém, esta transformação, que nasceu junto com o menino Deus negro, provocou nos corações dos presentes uma mudança e germinou a paz, que se irradiará por onde forem.

Um povo que sofreu com 30 anos de guerra, dentro de seu país, vai se levantando e edificando a paz. No lugar de canhões, flores; no lugar de acampamentos de guerra, praças. No entanto, o futuro está por vir, trazendo melhores condições. Ainda falta luz, água, não porque não tem, mas pela má distribuição. Por isso, afirmo o menino que nasce em Angola, em seu coração, vem trazendo a esperança de igualdade, de condições mais humanas.

Se em outros países o menino nasce em berços esplêndidos, aqui o “Miúdo” de Maria nasce sobre um pano que a mama estendeu no chão. Mas, nem por isso, o Natal em Angola foi diferente dos demais locais do mundo. O Natal em Angola, naquela Igreja com oito bicos de luz, tocados pela energia de um pequeno gerador, foi celebrado com o coração e com a alma.

Nunca havia presenciado tamanha alegria. Se Francisco de Assis estivesse aqui, vivo, ficaria extasiado com a alegria de um povo que, para além dos sofrimentos, vibra com o nascimento do Sumo Bem, do Deus Menino!