Frei Alexandre será ordenado presbítero no dia 18 em Xaxim

Filho de Iselda Salete Verardi e Alves Verardi, Frei Alexandre nasceu no dia 6 de agosto de 1982 em Xaxim – SC. Ele será ordenado presbítero no dia 18 de fevereiro, na Paróquia São Luiz Gonzaga, em sua cidade natal, pelo bispo diocesano de Chapecó – SC, Dom Manoel João Francisco. Frei Alexandre ingressou no Santo Antônio de Agudos – SP em 1999, concluindo o Ensino Médio e, em 2002, fez o Postulantado na Fraternidade São José em Guaratinguetá – SP. Em 2003, recebeu o hábito Franciscano, fazendo a experiência do noviciado, onde recebeu e confirmou a essência que perdurou durante os anos seguintes, do carisma franciscano, de viver o Santo Evangelho, em obediência, sem nada de próprio, e em castidade. De 2004 a 2007 cursou a Filosofia em Curitiba – PR. Fez os estudos teológicos de 2008 a 2011 em Petrópolis – RJ. Professou solenemente na Ordem Franciscana no dia 2 de outubro de 2010, consagrando-se por todo o tempo de sua vida, e foi ordenado diácono dia 4 de dezembro de 2010. Acompanhe!

Por Moacir Beggo

Site Franciscanos – Fale um pouco da história da sua vocação.

Frei Alexandre – Minha vocação surgiu na minha infância, sempre falava aos meus pais e avós que queria ser padre, porém os anos foram se passando, tive uma infância normal como qualquer criança e fui estudar em colégios públicos onde fiz muitos amigos. Ser padre ficou meio que no inconsciente…, mas em dado momento de minha vida, cuidando do meu avô materno, Elias Geremia, estávamos num grupo pequeno de jovens, jogando baralho com ele, que fez o seguinte comentário: Gostaria que um de meus netos fosse padre… Éramos dois os seus netos presentes: eu e o Alcione, e os outros jovens que ali estavam nos perguntaram: quem de vocês é que vai ser padre? E respondi que eu seria padre! Pouco tempo se passou e procurei a Paróquia São Luiz Gonzaga, onde fui recebido pelo pároco Frei Alfredo Gurzynski (hoje trabalhando como padre diocesano). Ele me explicou sobre a vida franciscana e a partir daquele momento comecei meu acompanhamento vocacional. No ano seguinte, em 1998, aconteceram as Santas Missões em Xaxim, com os Frades Capuchinhos, me ajudando também a entender a diferença entre os padres religiosos e os padres diocesanos.

Site – Por que escolheu ser franciscano?

Frei Alexandre – Depois dos primeiros anos de formação ficou mais claro o que é ser franciscano. No primeiro momento tive a sorte de estar inserido numa Paróquia Franciscana, participava das celebrações eucarísticas com afinco, sem entender muito a diferença entre religioso e diocesano. Isso muda muito depois que se vai à essência do carisma, e a proposta dada por São Francisco é genuína. Assim, de uma forma toda própria, o Evangelho se torna algo palpável, concreto e vivaz no coração de cada frade. Durante todos esses anos de formação pude perceber por muitos exemplos de santos frades, que encarnaram o Evangelho é assumiram o mandato de Jesus, do amor a Deus e ao próximo. São Francisco de Assis nos deixa esse legado, de transformar a nossa vida com atos e exemplo de vida. Ser Franciscano é assumir o Cristo, no mandato do amor e fazer da vida uma profunda atualização da vivência do Santo Evangelho nos dias atuais.

Site – O que leva um jovem como você escolher a vida sacerdotal?

Frei Alexandre – Certamente contribuiu para que eu buscasse dentro da vida religiosa o presbiterato, a grande reverência que São Francisco tinha para com quem assumisse a vocação de sacerdote, pois este é o único que pode, por suas mãos, nos trazer o Cristo. Pelo ato eucarístico nos colocamos como ponte, mas devemos entender aqui ponte como amor, caridade, atualidade do Espírito de Deus encarnado na vivência do Evangelho. O meu lema de ordenação expressa esse sentimento: “O Senhor me ungiu e enviou-me para dar a boa nova aos humildes e dar-lhes o óleo da Alegria” (Is 61,1). Viver a vida sacerdotal é encarnar os preceitos do profeta Isaías. Ser luz onde há trevas, onde há ódio levar o amor, ou seja, lavar os pés uns dos outros. E como religioso se assume essa vocação como serviço, na Igreja e na Ordem.

ATIVIDADES PASTORAIS
2004 e 2005 – Pastoral no SEFRAS (Curitiba – PR)
2004 – Pastoral na Comunidade Bom Jesus dos Aflitos (Campo Largo – PR)
Estágio na Fraternidade Seminário Santo Antônio (Agudos – SP)
Estágio na Fraternidade São Francisco (São Paulo – SP)
2005 – Estágio na Fraternidade São Francisco (Chopinzinho – PR)
Estágio na Fraternidade São Boaventura (Campo Largo – PR)
2006 e 2007 – Pastoral na Comunidade Santo Antônio das Quadras (Campo Largo – PR)
2006 – Estágio no Hospital São Roque (Piraquara – PR)
Estágio na Fraternidade Bom Jesus dos Aflitos (Sorocaba – SP)
2007 - Estágio na Fraternidade São Pedro Apóstolo (Pato Branco – PR)
Estágio na Fraternidade São José – Postulantado Frei Galvão (Guaratinguetá – SP)
2008 e 2009 – Pastoral na Comunidade Nossa Sra. Aparecida (Petrópolis – RJ)
2008 - Estágio na Fraternidade Patrocínio de São José (Coronel Freitas – SC)
Estágio na Fraternidade Sagrado Coração de Jesus (Petrópolis – RJ)
2009 – Estágio na Fraternidade Santo Antônio (Bauru – SP)
Estágio na Fraternidade Santo Antônio (Rio de Janeiro – RJ)
2010 e 2011 - Pastoral na Paróquia São João Batista (São João do Meriti – RJ)
2010 – Retiro para a Profissão Solene
2011 – Estágio na Fraternidade São João Batista (São João do Meriti – RJ)  e na Fraternidade São Francisco de Assis (ITF).

Site – Há lugar para Francisco e Clara no mundo de hoje?

Frei Alexandre – Certamente que sim. Há 800 anos o carisma de Clara e Francisco vem fazendo a diferença. E nesses dias, com mais intensidade. Eles são santos sim, mas suas histórias se aproximam muito da realidade de hoje. Quando olhamos para eles, entendemos como é possível dar uma resposta contundente a cada tempo. Sabemos que a Instituição está em crise hoje, porém a espiritualidade é o que move milhares de fiéis, buscando um aprofundamento integral do amor de Deus. A espiritualidade franciscana e clariana tem movido milhares de jovens que se consagram à vida religiosa masculina e feminina, mas não só a estes, e sim também a muitos que na suas famílias vivem esse carisma como propósito pessoal, aproximando suas vidas às de Francisco e Clara. Ambos acabam por apaixonar todos aqueles que de certa forma os conhecem, por serem atuais naquilo que às vezes homens e mulheres do nosso tempo se esquecem, que é trazer o homem para sua maior dignidade, que é ser filho e filha de Deus.

Site – O que é ser presbítero para você?

Frei Alexandre – Ser presbítero é assumir a diaconia que Jesus nos deixou: o mandato do amor, da caridade, da justiça e, principalmente, dar o testemunho da fraternidade universal de filhos do mesmo Deus que todos somos. Acredito que é a realização de um sonho, de tantos anos me preparado para exercer esse serviço dentro da Igreja, mas nunca me esquecendo que a minha primeira vocação é de religioso. Assumindo essa vocação na sua vertente mais profunda, fica claro o profundo amor pela Eucaristia e dentro dessa contemplação a vivência do Evangelho. Sendo assim, o presbítero deve ser o espelho de Jesus para todos os fiéis, pois por suas mãos nos são dados o Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Que Deus me ajude a ser sempre seu instrumento, seguindo o exemplo de nosso pai São Francisco Assis.

Site – Como você motivaria um jovem para seguir a vida religiosa?

Frei Alexandre – Primeiro é preciso se aproximar da realidade de cada jovem, de cada pessoa, sabendo que a melhor forma de motivar é o exemplo de vida, mostrando que Deus pode e deve ser parte integrante da vida de cada um que busca a felicidade. A vida religiosa é uma vida contagiante, por isso a pedagogia que mais se adequa é a mesma de Jesus, como nos apresenta o Evangelho segundo João, que Jesus respondeu para os futuros discípulos: “Vinde ver”. Foi esse também o caminho de Francisco. Ele foi “ver”, experimentar por ele mesmo, o seguimento. Mas o que mais chama atenção hoje é que o jovem precisa ser ouvido, acolhido e potencializado naquilo que ele tem de melhor, que é a própria juventude. Mas para isso precisamos adentrar o seu mundo, dando a ele uma nova possibilidade de escolha dentre as muitas que já tem. Seguir a Deus se apresenta como um outro caminho, que realiza tanto quanto os outros, porém dá um elemento diferenciando que é um amor incondicional, onde todos são centelhas de Deus e podem exalar um perfume contagiante, onde o ponto é trazer a dignidade humana de novo para o centro, e ter essa certeza nos faz assumir que somos irmãos uns dos outros. E que o Evangelho, por mais difícil que seja, pode ser vivido por quem busca ser feliz. Ser religioso pode também ser sinônimo da busca da felicidade, não da realização meramente pessoal, mas sim integral, da fraternidade. O maior exemplo está em seguir o caminho que Jesus propõe a cada um.