Vida CristãArtigos › 18/08/2016

Grandes períodos da vida de Francisco de Assis (2)

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Francisco amparado pelo anjo, de Orazio Gentileschi, pintor italiano, 1563-1639, Museu de Arte de Boston

Frei Almir Guimarães

Continuamos a elencar os grandes períodos da biografia do Poverello segundo Cesare Vaiani, OFM (Storia e teologia dell’esperienza spirituale de Francesco d’Assisi, Edizioni Biblioteca Francescana, Milano).

6. Retorno e pedido de demissão (setembro 1220) - Tendo sido chamado por alguns frades, ele mesmo muito preocupado com os problemas da Ordem, Francisco volta à Itália no verão de 1220. Obtém do Papa a determinação de que o Cardeal Hugolino venha a ser o protetor da Ordem e no Capítulo de São Miguel (29 de setembro de 1220) apresenta sua demissão.

Não estamos diante de um período, mas de um fato preciso e datado. A razão se explica pela mudança ou transformação que se verifica no relacionamento de Francisco com a fraternidade. Não se pode esquecer o peso “institucional”. Juridicamente, Francisco continua sendo referência para a Cúria Romana, como se verifica pelo fato de que ele elabora a Regra e busca sua aprovação. A demissão é vivida pessoalmente por ele como afastamento do governo da Ordem. Mostram-no suas inequívocas afirmações em Escritos datados desta época.

7. Anos de provação e de apostolado (1220-1224) - Aparecem dois elementos aparentemente contraditórios: de um lado uma atividade evangelizadora intensa, documentada em suas cartas circulares e, de outro lado um certo isolamento da Ordem como consequência de sua demissão. Fala-se de uma “crise” de Francisco. Algumas fontes assinalam-na como gravíssima tentação do espírito, que teria durado dois anos e o afastado dos irmãos. Embora aparentemente contraditórios os dois elementos caminhavam paralelamente. Repetimos: Francisco, depois de 1221 dedica-se ao trabalho de reelaboração da Regra que desembocará na Regra bulada de 1223, contando com a assistência do Cardeal Hugolino e provavelmente de alguns frades. Nesse labor, Francisco é contrariado pelo grupo dirigente da Ordem. Manifestam-se sintomas do avanço de enfermidades (fígado e estômago, além da doença das vistas). No período em questão emerge um Francisco que sofre no corpo e na alma. No final desse período situa-se o episódio de Greccio, a celebração do Natal (1223).

8. Os estigmas (setembro de 1224, no alto do Monte Alverne) - Aqui não se trata de um período, mas de fato singular. No âmbito de toda a trajetória de Francisco a estigmatização deixa marca profunda. Segundo Cesare Vaiani não se pode deixar de colocar o fato nessa “periodização” da vida de Francisco. O estigmas não constituem o centro da vida e da experiência de Francisco para o qual convergiria, como parecem crer alguns de seus biógrafos. O episódio coloca-se na esteira de todo um labor espiritual do Poverello e, quem sabe, se poderia dizer que os estigmas seriam uma resposta de Deus ao que Francisco estava vivendo. Depois do Alverne ele conhecerá a paz da cruz.

9. Os dois últimos anos (1224-1226) – Francisco vive cercado de alguns poucos companheiros que dele cuidam, protegem e, de certo modo, isolam-no da Ordem. Durante a estadia de cinquenta dias em São Damião, na primavera de 1225, dita o Cântico do Irmão Sol. Tem vontade de se ocupar novamente dos leprosos, como no começo, realiza um giro de pregações. O Testamento prova que mesmo demissionário não deixou de cuidar dos irmãos. No atual período, Francisco está muito doente e um pouco isolado.

10. A morte (3 de outubro de 1226) – Nas primeiras vésperas do domingo 4 de outubro, Francisco morre na Porciúncula, deitado na terra nua.

Fim

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