Formar assembleia já é celebrar

Frei Alberto Beckhäuser, OFM

O Povo de Deus é reunido para celebrar a Obra da Salvação e glorificar a Deus. A própria reunião da assembleia já faz parte da celebração. Quem reúne a assembleia é o próprio Deus através de sua Palavra. Deus convoca seu povo, reunindo-o em torno da Palavra e o povo, por sua vez, ouve a Palavra, acolhe-a no seu coração e responde a ela na própria Liturgia e na vida.

Quando os cristãos se reúnem em assembleia torna-se presente o próprio Cristo Jesus que veio reunir o povo disperso. Dito em outras palavras: Os que crêem em Cristo constituem a Igreja, o Corpo místico de Cristo, cabeça e membros. Forma-se a Igreja, o sacramento do Povo de Deus. A palavra Igreja vem de Ecclesia que, em grego, significa o chamado do alto. Igreja significa o Povo convocado e reunido por Deus.

A ação comunitária de reunir-se em assembleia celebra o Cristo que veio reunir a todos. São Paulo diz: “Deu-nos a conhecer o mistério de sua vontade, conforme o beneplácito que em Cristo se propôs, a fim de realizá-lo na plenitude dos tempos: unir sob uma cabeça todas as coisas em Cristo, tanto as que estão no céu com as que estão na terra” (Ef 1,9-10).

Lembrando o Cristo que veio congregar a todos na unidade, a assembleia torna presente o Cristo. Assembleia gera o Corpo de Cristo, Cabeça e membros. É sinal de toda a humanidade unida em Cristo Jesus. É a Palavra, o Verbo de Deus se tornando visível.

Esta assembleia congregada em Cristo, por sua vez, é sinal da comunhão plena de todos em Cristo no fim dos tempos. Eis a dimensão profética da assembleia cristã.

Reunir-se em assembleia constitui, portanto, um ato de culto ao Pai, por Cristo, na força do Espírito Santo. Tem caráter religioso, constitui uma oração. Oração, comunicação com Deus, não por palavras, mas pela ação, ouvindo a voz de Deus pela fé que convoca a todos para comemorar a obra da salvação e dela participar. Já faz parte do mistério celebrado pela assembleia. Ela constitui um sinal sensível e significativo da própria Igreja, em todas as suas dimensões: a de comunhão e participação, a missionária, a catequética, a celebrativa, a ecumênica e de diálogo religioso e a sócio-transformadora. Toda ela já é realidade e ao mesmo tempo profética ou prefigurativa da comunhão de todos em Cristo Jesus.

Esta comunhão de todos em Cristo e por Cristo é expressa logo na abertura da celebração feita em Nome da Santíssima Trindade e na saudação inicial que mergulha a assembleia no mistério da Trindade, pois, como diz o Vaticano II, “a Igreja toda aparece como ‘o povo de Deus reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (cf. LG 4): A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a Comunhão do Espírito Santo estejam convosco. Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo. Neste momento a assembleia está constituída.

Desta realidade da assembleia reunida na Trindade Santa, devemos tirar algumas conclusões. Primeiro, não se deve chegar tarde nos atos litúrgicos da Igreja. A assembleia está mergulhada no mistério da Trindade Santa. Quem chega tarde, desmergulha a assembleia do mistério. Torna-se um ruído que machuca o Corpo de Cristo. Torna-se um corpo estranho que distrai os que já se encontram em clima de devoção e oração. Claro que pode haver exceções, mas que, então a pessoa permaneça discretamente em lugar que não chame a atenção à sua presença, evitando perturbar a comunhão reinante. Segundo, é preciso acreditar e viver realmente como um ato celebrativo a ação de se dirigir para a igreja convocado pela fé, quem sabe pelos sinos. Enfim, não sendo a assembleia litúrgica um mero encontro social, importa que as pessoas se dirijam à igreja, em clima de fé, de silêncio, de compenetração, pois, vão tornar o Cristo presente e atuante pelo próprio fato de se constituírem em assembleia.