Cultura franciscanaEntrevistas › 25/10/2016

Frei Robson Luiz Scudela vai ser ordenado no dia 29

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“Este é o caminho pelo qual Ele deseja que eu O encontre”

No dia 29 de outubro, na Igreja Matriz São José, de Coronel Freitas (SC), Frei Robson Luiz Scudela será ordenado presbítero pelo bispo diocesano de Chapecó, Dom Odelir José Magri, MCCJ, durante Celebração Eucarística, às 18 horas, liturgia que revela um pouco dos passos e da vida do futuro sacerdote franciscano, como ele mesmo aponta. Zaqueu, mesmo diante de inúmeras dificuldades, como sua posição social, sua estatura, sua realidade de pecador, ouve a voz do Senhor que lhe diz: “Desce depressa, hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5) e, superando tudo que o afastava do Senhor, fica “de pé” e se compromete com Ele. No domingo, dia 30 de outubro, às 10 horas, na Comunidade de Fernando Machado, em Cordilheira Alta, SC, Frei Robson vai celebrar a Primeira Missa, que terá como pregador Frei Pedro da Silva.

Frei Robson ingressou no Seminário de Agudos em 2002 e fez o Postulantado em Guaratinguetá em 2005. Vestiu o hábito franciscano em Rodeio (2006) e cursou Filosofia até 2009, quando embarcou para Angola, onde fez um estágio Missionário, de 2010 a 2011. No retorno ao Brasil, cursou Teologia e hoje reside no Seminário São Francisco de Assis de Ituporanga. Acompanhe a entrevista concedida a Moacir Beggo.

Site Franciscanos - Fale um pouco de suas origens, sua família e sua terra.
Frei Robson Scudela – Terceiro e último filho de um casal agricultor, Luiz e Maria Luiza Scudela. Fui educado juntamente com meu irmão e minha irmã no interior de Cordilheira Alta, SC. Nasci no dia 27 de outubro de 1986, no mesmo dia em que os líderes de diferentes religiões se reuniam pela primeira vez em Assis para rezarem pela paz, conhecido como o Espírito de Assis. Com meus pais e irmãos, aprendi o valor da família e o quanto é necessário lutar através do cuidado e do trabalho para mantê-la unida e, mesmo nas dificuldades do dia a dia, experimentar já aqui o Grande Amor, Deus (claro que na época não tinha consciência disso, somente hoje, olhando para trás, não consigo imaginar algo diferente: família, lugar que Deus escolheu para estar presente e poder ser experimentado tão carnalmente). Vivíamos em uma realidade católica própria de interior: “Muita reza e pouco padre”. O terço era frequente: minha vó sempre tinha um motivo para convocar a todos para rezá-lo.

Site Franciscanos – Como se deu o seu discernimento vocacional?
Frei Robson – Foi Deus, nas suas “travessuras”. Com um jeito calmo e paciente, Ele me conduziu por este caminho. Surpreendeu-me e me surpreende ainda muito o fato de como as coisas ocorreram: simples, ordinárias, mas que me convenceram que este é o caminho pelo qual Ele deseja que eu O encontre. Hoje, a comunidade confia-me esta missão de servi-la através da ordenação presbiteral, e eu aceitei porque antes pude encontrar um amparo para minha humanidade: o modo franciscano de viver. Tenho uma reserva dentro de mim que sempre me repete: “Se você não fosse frei franciscano, faltariam algumas condições para assumir esta missão de servir ao povo como presbítero”.

Site Franciscanos - Por que escolheu a vida religiosa franciscana?
Frei Robson – Antes de entrar no seminário vi um filme: “Irmão Sol e Irmã Lua”. Gostei. Achei interessante a vida de Francisco, mas nem sabia que existiam os franciscanos. Somente sabia que na paróquia onde morava havia padres. Sempre me surpreendia o que falavam deles e o quanto se esforçavam para estar presente na comunidade pelo menos duas vezes por ano. Também me impressionava quando minha vó contava as histórias dos padres de capuz (franciscanos) que vinham a cavalo visitar os doentes quando estavam já sem força. E um dia, quando eu tinha doze anos de idade, falei que queria ser como esses homens. Falei num momento muito simples e informal. E deste chão sagrado alguém ouviu (minha prima) e levou o fato ao frei da paróquia. Nem um mês depois, Frei José Clemente Schafaschek, que passava pela comunidade de meus pais, pediu para falar comigo. Fui até ele. Naquele dia eu estava tão assustado que apenas consegui falar meu nome e acrescentar que queria ser como eles, os “padres de capuz” que minha vó falava. Disse-me que era para passar na casa paroquial. Tivemos mais uma conversa e ele me encaminhou para o seminário e aí fui conhecendo o que é ser franciscano.

Site Franciscanos - Quem é o Frei Robson?
Frei Robson- A primeira resposta que vem para esta pergunta é aquela que os outros dão. E como seria fácil repeti-la aqui. Agora, dizer quem sou… não é fácil. O escritor russo Dostoiévski bem disse: “Eu corava diante de mim mesmo! Fazia-me juiz de mim mesmo e… meu Deus! que se passava em minha alma?”. Mas mesmo assim acredito ser necessário que eu diga pelo menos como me vejo: tímido e um pouco reservado, mas com necessidade de ter irmãos com os quais eu possa caminhar. Carrego comigo o gosto pelo trabalho prático aprendido com meu pai e o gosto do cuidado pelas coisas aprendido com minha mãe. Reflito interiormente aquilo que vejo, penso e sinto. Gosto de viajar no mundo dos livros, das palavras e da escrita, embora nunca tenha me destacado por isso.

Site Franciscanos - Que expectativas você tem para o seu ministério presbiteral?
Frei Robson – O Evangelho proposto pela Liturgia no final da semana da ordenação ajuda-me a responder: Zaqueu, mesmo diante de inúmeras dificuldades, sua posição social, sua estatura, sua realidade de pecador, ouve a voz do Senhor que lhe diz: “Desce depressa, hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5) e, superando tudo que o afastava do Senhor fica “de pé” e se compromete com Ele. Quando aceitei assumir este ministério, confiado por Deus e autorizado pelo Seu povo, pensei comigo: no modo franciscano é-me possível. A expectativa que carrego comigo é a de ser fiel. Conhecendo-me, sou amparado pela certeza de que será o próprio Deus e o povo que me autorizou que mostrarão como devo agir.

Site Franciscanos - Deixe uma mensagem para os jovens que querem seguir a vida religiosa franciscana.
Frei Robson - Sempre digo: se Deus fez isso comigo, pode fazer muito mais você! Penso que a mensagem que poderia deixar é a mesma proposta por Jesus: de deixar tudo para segui-Lo. Temos sonhos, isso é certo. Até imaginamos muitos modos de realizá-los. Tenho, todavia, uma preocupação com esses nossos sonhos: são eles nossos ou apenas resultado da sociedade em que vivemos, do descartável, do imediatismo… Também partilho com esses jovens que desejam seguir esta vida uma certeza que experimento no dia a dia da vida franciscana: na missão que Deus confia a cada um de nós, quando nos falta algo pessoalmente, a fraternidade complementa; quando nos falta algo em fraternidade, a Graça de Deus dá continuidade à missão.

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