Veja como foi a Primeira Profissão no Noviciado

Moacir Beggo

 Rodeio (SC) – O Noviciado São José de Rodeio (SC) viveu, nesta quinta-feira (05/01), um dia histórico com a Primeira Profissão Religiosa na Ordem Franciscana de dezesseis jovens que concluíram a etapa do noviciado (também chamado “ano de provação”) na Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, sendo doze deles procedentes da Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola, a maior turma em 25 anos de ação evangelizadora na África. O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, presidiu a celebração, tendo como concelebrantes Dom Onécimo Alberton, bispo da Diocese de Rio do Sul; Dom Severino Clasen, bispo da Diocese de Caçador; e Frei César Külkamp, Vigário Provincial.

Frades de toda a Província, paroquianos e familiares lotaram a Matriz de Rodeio para participar desta celebração franciscana que se repete em Rodeio há 116 anos. “Por isso, este rito da Profissão temporária, celebrado dentro da Eucaristia, significa a celebração de um pacto, uma aliança que vocês, caros noviços, contraem com Deus, com a Igreja e com a Ordem dos Frades Menores”, explicou o Ministro Provincial.

Durante duas horas, o rito intenso da profissão tomou conta dos professandos: Frei Antônio da Silva Manuel, Frei Bernardo João Cassinda, Frei Bernardo José Cayoya Kandangongo, Frei Daniel kahuvi Tchitumba Tchikeva, Frei Domingos Kakanda Soma, Frei Elias Hebo Luís, Frei Evaristo Seque Joaquim, Frei Feliciano Afonso Manuel, Frei Helder Josué Mateus Domingos, Frei Pedro Domingos Mugiba, Frei Pedro Isaías Luisa Vitangui, Frei Simão Cassua Horácio, Frei Francisco Dalilson Pereira Cabral, Frei Jonas Ribeiro da Silva, Frei Odilon Voss e Frei Lucas de Moura Justino Souza. Depois da Liturgia da Palavra, cada noviço foi chamado e apresentado ao Ministro Provincial. Em seguida, um deles, em nome de todos, fez o pedido para que “digneis admitir-nos à santa profissão na Fraternidade dos Frades Menores”.

profissao_050117_4Da esquerda para a direita: Frei Antônio da Silva Manuel, Frei Bernardo João Cassinda, Frei Bernardo José Cayoya Kandangongo, Frei Daniel kahuvi Tchitumba Tchikeva, Frei Domingos Kakanda Soma, Frei Elias Hebo Luís, Frei Evaristo Seque Joaquim, Frei Feliciano Afonso Manuel, Frei Helder Josué Mateus Domingos, Frei Pedro Domingos Mugiba, Frei Pedro Isaías Luisa Vitangui, Frei Simão Cassua Horácio, Frei Francisco Dalilson Pereira Cabral, Frei Jonas Ribeiro da Silva, Frei Odilon Voss, e Frei Lucas de Moura Justino Souza.

Frei Fidêncio respondeu: “Bendito seja Deus, que vos escolheu para conosco caminhardes em nova vida”. Segundo o Ministro Provincial, esses jovens são admitidos à Profissão temporária para levar à maior plenitude a consagração batismal. “Eles se entregam totalmente a Deus pela profissão da obediência, da pobreza e da castidade, que deve ser vivida segundo o espírito de São Francisco”, situou.

Frei Fidêncio explicou que, nesta Igreja de São Francisco de Assis, acontecia a celebração da vocação. “Deus se encontrou pessoalmente com cada um de vocês num determinado momento da vida para poderem fazer, aqui, em Rodeio, este ano de discernimento e/ou provação. Também cada um de vocês abriu seu coração para discernir a vontade de Deus. Neste encontro, vocês puderam falar, dialogar e questionar como fez Francisco de Assis: ‘Senhor, que queres que eu faça?’. Hoje, vocês estão respondendo, cada um em particular, para que o desígnio do Seu amor aconteça nesta forma de vida ‘segundo o Santo Evangelho’, vivida em fraternidade e como fraternidade, no serviço a Deus, à Igreja e à humanidade”, acrescentou o Ministro Provincial.

OS CONSELHOS EVANGÉLICOS

Para o celebrante, esses jovens aprenderam, ao longo do ano do Noviciado, o que significa este seguimento radical a Cristo nos caminhos do Evangelho, a exemplo de São Francisco: “Aprenderam o que significa deixar-se conduzir pela ação do Espírito Santo de Deus e permitir que a sua santa operação os oriente a viver na liberdade os conselhos evangélicos: a Castidade, para mostrar ao mundo que vocês foram criados para amar e serem amados em Cristo e a partir de Cristo; a Obediência, enraizada na Obediência a Cristo na sua fidelidade ao Pai e amor aos homens; a Pobreza, que os obriga a depositar e a confiar na providência de Deus para serem mais solidários como pobres e entre os pobres”, esclareceu.

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Das leituras bíblicas, Frei Fidêncio fez algumas admoestações. Na primeira leitura, referindo-se ao chamado vocacional do jovem Samuel (1º Samuel 3,1-10), lembrou que é preciso estar atento ao chamado, saber discernir na caminhada a voz do Senhor. “Não apenas atento, mas pronto para atender. Saber medir-se a partir daquilo que se é: ‘servo’. Escutar, significa submissão, obediência; ouvir com fidelidade às ordens”, disse. Já na segunda Leitura (Rm 12, 1-13), quando Paulo expõe as linhas-mestras do comportamento cristão, Frei Fidêncio ressaltou que “a nossa riqueza maior será sempre a fraternidade formada a partir a diversidade e da riqueza pessoal (colocando os seus dons) para o bem comum, onde o vínculo mais sagrado é a caridade ou o amor fraterno. ‘Entrego-me de todo o coração a esta fraternidade'”, refletiu.

Por fim, tomando o Evangelho (Mt 11,225-30), alertou que o caminho do cristão tem exigências. “Também a nossa vida consagrada possui suas exigências. Existe o risco da acomodação, do cansaço, do desencanto, da falta de motivação, da perda do referencial daquilo que hoje professamos. Aí Jesus nos diz: ‘Vinde a mim, vós todos…(pequenos e pobres)’. Colocar-se no seguimento é fazer o que Ele fez. ‘Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim…’. O repouso, o bem-estar, só pode vir Dele. Tudo o que não pertence a Ele causa estresse, enrijece, torna petrificado nosso coração, e perdemos a alegria de carregar com leveza a cruz do Senhor”, completou.

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A PROFISSÃO

Depois da homilia, os professandos se aproximaram do Ministro Provincial e foram interrogados se estavam preparados para se consagrarem a Deus e buscarem a perfeição da caridade segundo a Regra e as Constituições da Ordem Seráfica. Depois se ajoelharam e fizeram a profissão. Terminado este momento, cada neoprofesso recebeu a Regra e as Constituições e entregou o documento assinado da Profissão.

O Ministro Provincial agradeceu especialmente à Fraternidade formadora de Rodeio, assim como a comunidade e os familiares dos noviços. Frei Fidêncio agradeceu também a Dom Onécimo pela acolhida nesta Diocese e pediu que falasse algumas palavras como Igreja local. O bispo disse que o testemunho e o carisma franciscano enriquecem a vida desta Diocese e agradeceu a Deus pelos noviços terem feito parte de sua vida enquanto estiveram aqui. “E, com certeza, vão permanecer no meu coração, nas minhas orações, nas minhas preces”, prometeu.

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O neoprofesso Frei Evaristo Seque Joaquim falou em nome da turma de noviços deste ano, agradecendo a Deus, à Província, aos formadores desta fraternidade, às Irmãs Catequistas, a Ordem Franciscana Secular, aos colegas noviços e aos paroquianos. “Caríssimo Frei Fidêncio e querida Fraternidade Provincial aqui presente, o nosso muito obrigado por nos acolher na Ordem dos Frades Menores, e pelas orações feitas pela nossa perseverança”, agradeceu. “O noviciado canônico terminou. Agora, começa o noviciado infinito, que percorre toda a vida do frade menor”, disse. “Confiamos que, certamente, Maria estará junto de nós com seu amor materno, pois ‘onde tivermos uma cruz para carregar, ao nosso lado sempre estará Ela, nossa Mãe’. Diziam-nos que, quando se vai chegando à reta final do ano do noviciado, sempre se sente a sensação de que nada fizemos, e conosco não foi diferente. Em nossa vida, no entanto, encaixa-se a frase do Evangelho de São Lucas: ‘…nós trabalhamos a noite inteira sem nada pegar; mas confiando em tua palavra eu vou lançar as redes’ (Lc 5,5). E as redes, hoje, foram lançadas. Agora, pedimos a cada um que nos ajude a sermos fiéis a esse ideal de vida que abraçamos, seja na forma de oração, na amizade ou na caminhada formativa”, completou o neoprofesso.

OS FRUTOS DA MISSÃO

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Em 25 anos de Missão em Angola, com a esta turma de 12 neoprofessos, a Província da Imaculada colhe os frutos da presença evangelizadora além-mar. A Missão de Angola foi elevada à condição de Fundação, com o nome de Imaculada Mãe de Deus, no dia 26 de maio de 1998. Hoje, a Fundação tem cinco fraternidades: São Francisco de Assis, a casa-mãe que fica em Palanca, e onde os frades atendem a Paróquia de São Lucas (fundada em 2000); a Fraternidade Porciúncula, que fica em Viana (pós-Noviciado), as duas em Luanda, na capital angolana. Em Malange – a 430 quilômetros da capital -, existem a Fraternidade do Seminário Monte Alverne e a Fraternidade São Damião, as duas no bairro de Katepa; e em Quibala está a Fraternidade Santo Antônio, que também é casa de formação da etapa do postulantado.

Os neoprofessos angolanos viajam neste sábado, 7 de janeiro, para sua terra, onde vão cursar Filosofia por três anos e, depois, retornam ao Brasil para fazerem o Curso de Teologia no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis.

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