Vida CristãFrei AlmirSagrado Coração de Jesus › 30/01/2017

Conversando com o irriquieto Zaqueu

Zaqueu,

desde sempre tua figura chamou minha atenção.
És um pequeno homem encantador.
Na minha imaginação sempre te vi, de fato, de baixa estatura, irrequieto, curioso, meio à margem da vida de tua gente.
Não eras muito estimado. Compreendo. Tinhas a fama de ser um “corrupto”, um aproveitador do cargo público para fins pessoais. Coisa que não é nova. Nada nova.
Tu ouviste falar daquele que andava impressionando as pessoas e causando impacto e preocupação no ambiente.
Subiste à famosa árvore.
Movido por mera curiosidade ou já tinhas uma sede de plenitude?
Todo mundo gosta de te ver num galho de árvore, escondido pela folhagem, espreitando, vendo as coisas acontecerem…
Não podias imaginar, nunca imaginar o olhar daquele homem.
Teus ouvidos escutaram um desejo: Ele queria estar em tua casa, entrar em tua intimidade.
Devias descer depressa, muito depressa. Assim, o fizeste.
Recebeste esse Jesus interpelador em tua casa.

zaqueu

Fizeste o melhor, o melhor que pudeste e certamente teu hóspede ficou contentíssimo.
Depois não encontramos mais vestígios teus nos evangelhos…
Espero, espero de verdade que, depois, tu tenhas podido acompanhar os passos do Mestre.
Quem sabe tu estiveste perto da cruz, aos pés da cruz, durante a morte e depois da morte de Jesus.
Imagino que talvez pudeste ter visto a brecha no peito de Jesus, feita pela lança do soldado.
Espero que do peito aberto tenhas ouvido algo assim:
“Zaqueu, agora sou eu que te convido.
Vem morar na intimidade de meu coração.
Quero te acolher com todo carinho.
Repousa aqui e bebe de meu amor.
Um dia tu me recebeste com tanta alegria!
Nunca me esquecerei.
Agora sou eu que te acolho na intimidade
dos aposentos de meu amor sem limites,
este meu coração.
Faz de conta que esta é a tua casa!”
Frei Almir Guimarães