“O ‘Cordeiro de Deus’ e a fração do pão”

Frei Alberto Beckhäuser, OFM

O padre não tem nada a ver com o “Cordeiro de Deus” na Missa. Quem o inicia, cantado ou recitado, é normalmente o animador do canto ou o cantor.

Importante aqui é o rito da Fração do Pão. Vamos ver o que diz a Instrução Geral sobre o Missal Romano: “O sacerdote parte o pão eucarístico, ajudado, se for o caso, pelo diácono ou um concelebrante. O gesto da fração realizado por Cristo na última Ceia que, no tempo apostólico deu o nome a toda ação eucarística, significa que muitos fiéis pela Comunhão no único Pão da vida, que é o Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo, formam um só corpo (1Cor 10,17). A fração se inicia terminada a transmissão da paz, e é realizada com a devida reverência, contudo, de modo que não se prolongue desnecessariamente nem seja considerada de excessiva importância. Este rito é reservado ao sacerdote e ao diácono. O sacerdote faz a fração do pão e coloca uma parte da hóstia no cálice, para significar a unidade do Corpo e do Sangue do Senhor na obra da salvação, ou seja, do Corpo vivente e glorioso de Cristo Jesus. O grupo dos cantores ou o cantor ordinariamente canta ou, ao menos, diz em voz alta a súplica Cordeiro de Deus, à qual o povo responde. A invocação acompanha a fração do pão; por isso, pode-se repetir quantas vezes for necessário até o final do rito. A última vez conclui-se com as palavras dai-nos a paz” (n. 83).

Algumas observações. O rito da Fração do Pão não se realiza na hora da Consagração justamente para lhe dar maior relevo antes da distribuição do Corpo e Sangue do Senhor. Para que este rito expresse realmente o que Cristo fez na última Ceia, pede a Instrução Geral: “Convém, portanto, que, embora ázimo e com a forma tradicional, seja o pão eucarístico de tal modo preparado que o sacerdote, na Missa com povo, possa de fato partir a hóstia em diversas partes e distribuí-las ao menos a alguns dos fiéis. Não se excluem, porém, as hóstias pequenas, quando assim o exigirem o número dos comungantes e outras razões pastorais. O gesto, porém, da fração do pão, que por si só designava a Eucaristia nos tempos apostólicos, manifestará mais claramente o valor e a importância do sinal da unidade de todos num só pão, e da caridade fraterna pelo fato de um único pão ser repartido entre os irmãos” (n. 321). Daí a conveniência de uma patena de maior dimensão: “Para consagrar as hóstias é conveniente usar uma patena de maior dimensão, onde se coloca tanto o pão para o sacerdote e o diácono, bem como para os demais ministros e fiéis”. (n. 331). Portanto, a patena pequena sobre o cálice praticamente foi abolida. Outra coisa importante: Que se procure comungar das hóstias consagradas na mesma Missa e se tome da Sagrada Reserva quando realmente faltarem hóstias consagradas na mesma Missa (cf. 85).

O “Cordeiro de Deus” é a invocação que acompanha a fração do pão (cf. n. 83 e 155). Esta invocação que manifesta a humildade de quem se aproxima da mesa do Senhor é uma prece em forma de ladainha. Em si, as invocações seriam cantadas ou proclamadas pelo cantor ou pelo grupo de cantores e o povo responderia o “tende piedade de nós e dai-nos a paz”. Em todo caso, deve haver uma sincronia entre o rito da fração e da intinção da partícula de hóstia no cálice e o canto “Cordeiro de Deus”. O canto não deve prolongar-se além do rito, inclusive para que o povo, enquanto o sacerdote se prepara com uma oração silenciosa para a comunhão, também se prepare devidamente por uma oração silenciosa. Em geral não se dá oportunidade para isso.

Para dar é preciso partir. Como Jesus se dá a nós, também nós somos chamados a partilhar a vida com os irmãos e irmãs; tornar-nos pão partilhado, o Cristo repartido.