A InstituiçãoNotícias › 17/02/2017

Falece Frei Vunibaldo Vogel em Vila Velha

vogel_170217_gFrei Vunibaldo Vogel

* 12/02/1931     + 16/02/2017 

Pouco depois das 21h00 desta quinta-feira (16), na presença de Frei Djalmo Fuck, de Frei Leandro Costa e de Frei Nazareno Lüdtke, faleceu Frei Vunibaldo Vogel, na Fraternidade Divino Espírito Santo, em Vila Velha, após sentir-se mal. Há anos ele tinha problemas no sistema urinário, decorrentes de doença da próstata, apresentava cardiopatia e tinha também sintomas de esclerose, com frequentes esquecimentos.

A Missa de Exéquias de Frei Vunibaldo será hoje, sexta-feira, às 14h30, no Santuário do Divino Espírito Santo.

Dados pessoais, formação e atividades

– Nascimento: 12.02.1931 (86 anos de idade) .

– Natural de Maratá, município de Porto União, SC.

– Vestição: 19.12.1951 – Rodeio

– Primeira Profissão: 20.12.1952 (64 anos de Vida Franciscana)

– Profissão Solene: 20.12.1955

– Ordenação Presbiteral: 16.12.1957 (59 anos de Sacerdócio)

– 1953 – 1954 – Curitiba – estudos de Filosofia;

– 1955 – 1958 – Petrópolis – estudos de Teologia;

– 02.02.1959 – professor no seminário de Luzerna;

– fevereiro 1960 – Rio de Janeiro – Santo Antônio – curso de Pastoral;

– 27.11.1960 – Rio de Janeiro – Ipanema – Colégio;

– 18.01.1962 – Jaborá – coordenador da fraternidade, reitor do juvenato, proc. UMF e Voc.

– 17.12.1966 – Rio Negro – seminário – guardião;

– 26.04.1968 – confirmado em Rio Negro – seminário – guardião e reitor do juvenato;

– 21.12.1968 – Duque de Caxias – vigário da casa;

– 05.07.1971 – Xaxim – vigário paroquial;

– 06.02.1973 – São Paulo – São Francisco – vigário paroquial. Em 27.12.1976 – vigário da casa;

– 17.04.1980 – Quissamã – vigário paroquial de Conceição de Macabu. Em 09.08.1983 – guardião em Quissamã, continuando a ser vigário paroquial em Macabu.

– 21.01.1989 – Campo Grande, MS, a serviço da Custódia das 7 Alegrias de Nossa Senhora;

– 10.01.1995 – Vila Velha – Penha – vigário da casa e atendente conventual;

– 20.12.2006 – Vila Velha – Santuário – atendente conventual;

FAMÍLIA DE SACERDOTES

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Frei Afonso, irmão de Frei Vunibaldo

Natural de Maratá, no município de Porto União (SC), Frei Vuni, como era chamado pelos seus confrades e amigos, nasceu no dia 12 de fevereiro de 1931 e foi batizado como Sebaldo Alfredo Vogel. Ele era o sexto filho dos doze de Nicolau e Maria, gaúchos e colonos da cidade de Montenegro.

Além do irmão Frei Afonso, que é frade e reside atualmente na Fraternidade de Xaxim (SC), Frei Vunibaldo tinha seis tios sacerdotes. O ambiente religioso na família e a visita desses tios influenciaram a vocação religiosa de Frei Vuni, como conta em sua ficha autobiográfica.

Em fevereiro de 1943, ingressou no Seminário São João Batista, em Luzerna (SC), depois continuou os estudos da formação inicial no Seminário Frei Galvão (Guaratinguetá), no Seminário Rio Negro (PR), e no Seminário Santo Antônio (Agudos, SP), até vestir o hábito franciscano em 19 de dezembro de 1951 e receber o nome de Frei Vunibaldo, um santo alemão. Frei Vuni cursou Filosofia em Curitiba e Teologia em Petrópolis, professando solenemente na Ordem em 1955. Foi ordenado presbítero no dia 16 de dezembro de 1957.

Frei Vuni trabalhou muitos anos com a formação e foi missionário no Mato Grosso. Ao retornar à Província, manifestou o desejo de trabalhar e residir numa região quente. “Sou bastante friorento”, confessava, revelando que um dos seus sonhos era trabalhar no Convento da Penha. De poucas palavras, mas muito fraternal, Frei Vuni não gostava de falar de sua vida e dos seus trabalhos: “É um hábito meu”, dizia, fazendo um pedido bem ao seu estilo na sua ficha autobiográfica: “Peço desculpas pela minha brevidade. Desejaria ter um ‘necrológio’ bem curtinho”.

Frei Vunibaldo gostava de repetir o dito latino: Repentina mors, clericorum sors.  E foi o que lhe aconteceu. Recomendemos nosso confrade ao Senhor, rezando por ele, que, por tantos anos, serviu, com generosidade e dedicação, aos irmãos e à Igreja.

DEPOIMENTO DE FREI CLARÊNCIO NEOTTI 

Frei Vunibaldo partiu para a eternidade como sempre sonhou e dizia diariamente. Apagou-se serenamente, tendo os Confrades em torno. Assistiu na TV o noticiário da noite, como sempre fazia, na sala da Fraternidade. Quando começou a novela, levantou-se e foi dormir. Pouco depois voltou sem camisa e disse que estava sentido dores na nuca e no peito. Sentou-se na poltrona e com leve suspiro morreu, na presença de seu guardião Frei Djalmo e dos confrades Frei Nazareno e Frei Leandro. Frei Clarêncio já tinha se recolhido. Frei Florival está fora de Vila Velha. Frei Djalmo lhe deu a Unção.

Frei Vunibaldo completou 86 anos no último dia 12, quando ganhou durante a Missa vespertina duas camisas e uma orquídea. Como a cidade ainda estava tumultuada pela greve da Polícia Militar, combinamos fazer o almoço de aniversário no próximo sábado, dia 18, juntamente com os confrades do Regional. Todos os ingredientes para uma feijoada tinham sido comprados hoje.

Ele esperava morrer de repente. Repetia muitas vezes o dito medieval: Repentina mors clericorum sors. Aliás, ele tinha algumas dezenas de frases latinas do tempo do seminário, que nem o Alzheimer conseguiu apagar. Há exatamente um ano deixara de celebrar. Mas atendia as confissões todas as sextas-feiras. E atendia bem, como se não tivesse o Alzheimer. Neste último ano concelebrou muitas vezes, embora, terminada a Missa não sabia mais que tinha concelebrado. Mas na concelebração dizia as palavras da Consagração sem nenhuma dificuldade.

Volta e meia repetia que queria morrer em Vila Velha. Usava sempre a mesma expressão: “Minha carcaça ficará aqui”. Isso ele disse ao último Visitador e repetiu ao Ministro provincial. A nós acrescentava: “Mas se me transferirem, preciso obedecer!” Queria muito, e dizia isso a nós, que queria ser sepultado ao lado da capela São Francisco, no Campinho da Penha, onde está sepultado Frei Aurélio. E eu brincava com ele que o caixão seria levado numa carroça com dois cavalos enfeitados como em Santa Catarina vinham os noivos para o casamento na capela.

Será sepultado hoje, dia 17, no Parque da Paz, na Ponta da Fruta, cemitério que faz limites com a Casa de Retiros do Projeto Santa Clara, para onde será levado logo depois da Missa de Corpo Presente que celebraremos no Santuário às 14h30.

Frei Vunibaldo trabalhou doze anos seguidos no Convento da Penha e já estava quase outros tantos no Santuário. Dono de voz-tenor era comum ouvi-lo cantarolar velhos hinos em latim que, apesar do Alzheimer, cantava estrofes inteiras. Hoje mesmo entrou na cozinha pontualmente às 17h00 para comer sua sopa, cantando “Voce mea ad Dominum clamavi, voce mea ad Dominum deprecatus sum”, o mesmo salmo que cantou São Francisco agonizante. Terminada a sopa, comida sua banana e sua laranja, me disse a mesma frase que costumava dizer todos os dias: “Se todos tivessem um prato de sopa assim, o mundo seria bem melhor!”. Descanse em paz!                                                 

R.I.P.