A coragem de colocar-se em comum

Frei Gustavo Medella

Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum (At 2,44). Do versículo proclamado na 1ª Leitura deste 2º Domingo da Páscoa, destacaria a palavra “tudo”. Certamente nela se fundamenta o vigor da Comunidade Primitiva. Os que aderiam a Cristo entendiam definitivamente que tal escolha os levaria a uma doação plena e total pela causa do Reino. Doação, inclusive, de si mesmos.

Doar-se por inteiro ao projeto de Deus exige coragem e determinação. É uma escolha fundamental que deve estar na base de todas as outras escolhas. Fechado no mundo do próprio medo, sufocado pelas próprias necessidades e angústias, tentando resolver tudo sozinho, dificilmente alguém conseguirá alcançar esta proposta de entrega total. É preciso sentir-se amparado pela Graça de Deus e pela comunidade para que se possa dar passos nesta direção.

Mesmo que pareça contraditório, justamente quando há relutância a esta entrega total é que aparecem as frustrações. Seja no casamento, na vida religiosa ou até mesmo na vida profissional, deixar-se impregnar por desconfianças e reservas quase sempre leva a um grande descontentamento, seja consigo mesmo ou com os outros.

No Evangelho, Tomé teve a oportunidade de descobrir em tempo que confiar demais em si mesmo em detrimento da fé em Deus e na comunidade seria um caminho que o levaria a muitos enganos. Sendo assim, neste 2º Domingo da Páscoa mais uma vez Jesus convida seus seguidores a uma entrega generosa e total a serviço da paz, da justiça, da esperança, da vida, do Reino.