A InstituiçãoNotícias › 19/05/2017

Presidentes das Conferências reúnem-se em Roma

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Roma - De 15 a 17 de maio, os Presidentes das Conferências dos Ministros Provinciais reuniram-se com o Ministro Geral e o Definitório Geral na Cúria Geral da Ordem dos Frades Menores. Após as apresentações, cada um respondeu as seguintes perguntas: Como as entidades de suas Conferências estão vivendo a fraternidade e minoridade? Como foram recebidas nas entidades as Diretrizes da Ordem, preparadas pelo Definitório Geral nos anos de 2016 e 2017?

O tema central da reunião foi o “Conselho Plenário da Ordem”, que foi abordado no segundo dia. Durante o último dia, moderado pelo Ministro Geral, os presidentes escutaram várias devolutivas: do Ecônomo Geral, Frei John Puodziunas, das Secretarias de Formação e Estudos, Missões e Evangelização, JPIC e, por último, do Ministro Geral, Frei Michel Perry. A reunião foi encerrada com a celebração das Vésperas.

Acompanhe abaixo na íntegra a homilia do Ministro Geral na conclusão do encontro:

No meio das transformações, a comunidade firmou sua vida na pessoa de Jesus

Antonio Gramsci, filósofo e político italiano, escreveu: “A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem” (Quaderni dal carcere, Q3, p. 311).

O capítulo 15 dos Atos dos Apóstolos descreve a crise da Igreja Primitiva, cheia de fenômenos mórbidos, uma crise como resultado de um desencontro de interpretações que competem uma com a outra, e até contraditórias, sobre o plano de Deus através do seu Filho Jesus. A identidade de Jesus e as condições de pertença à comunidade primitiva estavam até então submetidas a um minucioso exame. A coisa mais curiosa é que a pergunta pela identidade jamais foi totalmente solucionada, nem na Igreja nem na Ordem dos Frades Menores. De tudo isso, brota uma série de ensinamentos e práticas variadas no interior de cada comunidade cristã. Tal diversidade alcançou níveis de autêntico esplendor e seguramente contribuiu para o crescimento da Igreja. De fato, também deu origem a desafios pontuais frente aos quais a Igreja teve que responder diligentemente para poder sobreviver.

No contexto do capítulo 15 dos Atos, assistimos às primeiras tentativas sérias de resolver os conflitos que surgiam tanto internamente das comunidades eclesias, como entre as comunidades. Nem sempre os missionários foram claros, coerentes e fiéis frente às as questões de fé anteriormente definidas e, por isso, provocaram confusão. Constatamos igualmente rivalidades entre os diferentes centros eclesiais de Antioquia, Jerusalém, Atenas, etc. Mais adiante, no mesmo capítulo dos Atos dos Apóstolos, constatamos um ajuste de contas sobre as questões de fé, dos ritos e de identidade. Pedro e o grupo de origem judaica insistiam no desejo de manter elementos essenciais da fé judia, uma prova contundente de fé autêntica. Por outro lado, entram em cena Paulo e aqueles que queriam abrir a Igreja para outras realidades religiosas e culturais, ou seja, ao chamado mundo pagão. O autor não faz nada para encobrir estas tensões e lutas internas da Igreja Primitiva. Pelo contrário, demonstra que o Evangelho tem o poder de transformar os corações e as mentes, sugerindo novas possibilidades e favorecendo o nascimento de algo novo. Além disso, os escritos evidenciam as tensões ocorridas entre o “centro” e as “periferias”, ou seja, entre Jerusalém e as outras comunidades.

Neste processo de resolução de conflitos, os membros da Igreja deram início a um sério caminho de discernimento, tendo como ponto de referência os rudimentares relatos da vida de Jesus, os protoevangelhos. Reconheceram, igualmente, que seu mundo estava mudando rapidamente nas dimensões social, política e sobretudo religiosa. Em meio a estas correntes incontroláveis e imprevisíveis de mudança, a comunidade conscientemente decidiu firmar sua própria vida em Jesus, identificando os pontos fundamentais do que significa ser autêntico discípulo e membro da Igreja. Deste modo, o Espírito conduziu progressivamente a Igreja a libertar-se das tendências limitantes do judaísmo. Por obra do Espírito Santo, a Igreja se deixou guiar pelo Senhor Jesus para revisar e redefinir a própria vida, os valores próprios e sobretudo o esforço para seguir Jesus de maneira incondicional.

Queridos irmãos e irmãs, como os discípulos nos Atos dos Apóstolos, fixemos nosso olhar em Jesus e somente n’Ele, tal como fez São Francisco. Peçamos a Deus que nos ajude a abrir nossas estruturas e instituições à Sua Palavra e responder com fé e entusiasmo. Oremos para que Deus abra o coração de cada um dos frades em nossas Conferências, Províncias, Custódias e Fundações, de tal modo que todos juntos possamos permanecer em comunhão com Deus e descobrir novas oportunidades para responder ao Senhor que nos chama a sermos instrumentos de diálogo, de paz e de justiça no mundo de hoje.

Tradução: Érika Augusto

Fonte: OFM.org