A InstituiçãoNotícias › 14/06/2017

Paróquias em São Paulo celebram Santo Antônio

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Moacir Beggo e Érika Augusto

São Paulo (SP) - O dia de Santo Antônio no Brasil é sempre um dia de muitas comemorações. Nas cidades onde o santo é patrono é feriado. Nas paróquias dedicadas a ele, o movimento é intenso. Há distribuição do pão, do bolo, do lírio, muitas celebrações, bênçãos e gestos de devoção.

Nas 3 paróquias da Província Franciscana da Imaculada Conceição em São Paulo não foi diferente. Na Paróquia Santo Antônio do Pari, na região central, acontece a maior comemoração dedicada ao santo na capital paulista. A festa, que está em sua 103ª edição, contou com grande presença de público, apesar da chuva que insistiu em cair durante toda a terça-feira.

Na Paróquia São Francisco de Assis, na Vila Clementino, o movimento foi intenso desde o fim de semana, quando começou a ser vendido o bolo. A missa de conclusão deste dia aconteceu às 19h e foi presidida pelo Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel e concelebrada pelo pároco, Frei Valdecir Schwambach.

Em sua homilia, Frei Fidêncio fez um breve histórico da vida de Santo Antônio, como o encontro do então agostiniano com os frades missionários, que foram martirizados no Marrocos, fato que fez com que o santo se juntasse aos seguidores de Francisco de Assis e o Capítulo das Esteiras, onde Francisco de Assis e Antônio de Pádua se encontraram.

“A cada um de nós é dada a graça. A Antônio foi dada a graça de Deus. E ele, de sua forma, correspondeu a essa graça divina”, afirmou. Frei Fidêncio destacou o embate do santo contra as heresias e corrupções em seu tempo e sua opção por aqueles que mais necessitavam.

Ao final da missa, na bênção dos pães e do lírio, o frade comentou a mensagem do Papa Francisco divulgada no dia de hoje, onde ele instituiu o Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no dia 19 de novembro. Para Frei Fidêncio, a divulgação da mensagem no dia de Santo Antônio é uma bonita lembrança, do santo que esteve e continua ao lado dos mais necessitados.


COM UM APELO DE ESPERANÇA, FREI GUSTAVO MEDELLA ENCERRA A FESTA DO PARI 

A missa solene na Paróquia Santo Antônio do Pari aconteceu às 19h30, e foi presidida por Frei Gustavo Medella, Definidor e coordenador da Frente da Comunicação da Província da Imaculada Conceição, e concelebrada pelo Vigário Provincial, Frei César Külkamp, pelo pároco Frei Germano Guesser, pelo Definidor  e coordenador da Frente de Solidariedade, Frei José Francisco dos Santos, e Frei Jeâ Andrade, mestre no Postulantado de Guaratinguetá, que chegou com um grupo de postulantes no último domingo para ajudar na festa.

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Frei Gustavo partiu do Sermão aos Peixes, feito por Santo Antônio na cidade de Rímini, em 1223, para fazer a sua reflexão. “Meus irmãos e minhas irmãs, eu conto esta história neste dia de Santo Antônio para dizer que estes peixes podemos ser todos nós. Quando no vaivém da vida, das dores, das lutas, compromissos, as contas que chegam para pagar, nos desafios, de repente nós deixamos de contemplar o horizonte da esperança e nos tornamos pessoas tristes, cheias de queixas, amarguradas, desiludidas, e aí precisamos de alguém como Santo Antônio para, mais uma vez, vir em nosso encontro e dizer: ‘Deus é bom, a vida vale a pena, ainda há esperança, Deus está contigo’. E hoje, neste 13 de junho, nós todos aqui viemos para ouvir de Santo Antônio aquilo que sabemos que é verdade, mas no decorrer da vida nos faz esquecer, que Deus nos ama, que quer nos ver unidos, que o mundo está aí para ser transformado pela força do Evangelho”, animou o frade.

encerramento-18“Diante dessa lama de corrupção que parece quase nos afogar, diante da qual parece que não vemos saída, diante de tanta desonestidade, o Evangelho nos apenas convoca, aí sim, a ser honestos até o último centavo, a trabalharmos com toda a correção. Quando nós vemos esse surto de egoísmo, cada um querendo só para si, aí sim, devemos partilhar, colocar o que temos à disposição. Tudo isso Santo Antônio nos anima”, ensinou.

Temos Antônio, temos Maria, temos uns aos outros, e por isso não devemos ficar tristes ou abatidos, mas com a esperança renovada de que vale a pena seguir Jesus Cristo e de que vale a pena seguir em frente!”, finalizou, pedindo um forte “Viva Santo Antônio!”. E Frei Medella foi aplaudido longamente!

Ao final da missa, os frades seguiram com a imagem de Santo Antônio pelas ruas do bairro, acompanhados de um grande número de fiéis. Neste ano, por causa da chuva, não aconteceu a tradicional queima de fogos na chegada da imagem.

Veja a cobertura completa da Festa do Pari em: http://santoantoniodopari.com.br/


NO LARGO, DOM EDUARDO PEDE QUE POSTURA COERENTE DOS CRISTÃOS NA SOCIEDADE

A festa no Convento e Santuário São Francisco, no centro de São Paulo, começou bem cedo. Às 7h já havia missa, bênção, distribuição do pão, venda do bolo e do lírio, além de barracas com comidas típicas e itens religiosos. A Ordem Franciscana Secular também fez sua comemoração, com diversos itens na parte externa da Igreja das Chagas. As duas barracas mais procuradas, do pão e do bolo, tinham filas enormes.

No lado de dentro da igreja, as missas tiveram grande participação. A celebração das 15h contou com a presença de Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Frei Mário Tagliari, Guardião da Fraternidade e Frei Alvaci Mendes da Luz, Reitor e Pároco do Santuário, concelebraram. Sorridente, como de costume, Dom Eduardo exaltou as características de Santo Antônio e seu testemunho. Em sua homilia, ele recordou o salmo responsorial, que pede “confie em Deus e pratique o bem”. “Este é o desafio de cada dia e da vida toda”, afirmou, pedindo insistência ao realizar as boas obras, não desistindo diante da falta de resultado aparente.

“O mundo está cheio de cristãos católicos que não dão bom testemunho da sua fé”, acrescentou Dom Eduardo, dizendo que muitas vezes estas pessoas servem como referência para outras pessoas, que acabam se afastando da Igreja ao ver os maus exemplos.

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A identidade do cristão é ser luz

Dom Eduardo falou sobre o evangelho do dia, extraído de Mt 5, 13-20. Ele afirmou que a luz dos cristãos pode ser apagada diante das dificuldades e provações, mas é fortalecida através do seguimento a Jesus Cristo. “Se o cristão não segue Jesus Cristo, se não caminha na luz de Jesus Cristo, não tem como iluminar. Nós somos reflexo dele, é Cristo que nos ilumina, como iluminou Santo Antônio, São Francisco, tantos homens e mulheres no mundo e continuam a nos iluminar. Santo Antônio continua a iluminar a nossa vida, os nossos pensamentos, escolhas, opções. Nós, como filhos de Deus, somos livres para escolher. E Deus respeita as nossas escolhas, mas não deixa de nos iluminar. A vida do cristão não pode ficar sem identidade, e a identidade do cristão é fazer o bem”, acrescentou.

O bispo auxiliar da Região Sé falou também sobre a paz e sobre a postura dos cristãos diante do próximo. “Nós somos promotores da paz, e a promoção da paz se dá de muitas maneiras. Uma delas é não falar mal. Trabalhar pela paz é trabalhar pelo diálogo, união, encontro e bem estar das pessoas”, afirmou, criticando a fofoca dentro da Igreja, a divisão e a acepção de pessoas. “Nós somos sinal de vida ou sinal de morte? Somos luz que ilumina ou somos treva? Somos sal que dá sabor ou somos insípidos, tanto faz como tanto fez?”, questionou.

DSC_8328No momento de ação de graças, Frei Mario Tagliari, Guardião da Fraternidade, recordou o bilhete onde São Francisco chama Santo Antônio de meu bispo e brincou, chamando Dom Eduardo de meu bispo. Ele agradeceu pela presença e pediu: “Que Deus te dê sempre a força e o espírito da santa oração e da santa devoção e que te conceda saúde e paz”. Dom Eduardo foi presenteado com uma bonita imagem de Santo Antônio. Ele disse que ainda não tinha nenhuma imagem em sua casa e agradeceu pelo presente.

Ao final da celebração, Dom Eduardo concedeu a bênção com a relíquia de Santo Antônio e aspergiu o povo com água benta.

Às 16h30, Frei Mario Tagliari presidiu a penúltima missa do dia no Santuário São Francisco. Em sua homilia, o guardião fez um breve histórico da vida de Santo Antônio, apresentando os fatos mais importantes do santo.

Sobre o evangelho do dia, o frade afirmou que ser sal da terra e luz do mundo se dá na vida concreta, sobretudo no relacionamento com as pessoas. “Jesus me convida a dar sabor, sentido à nossa vida e à vida dos que convivem conosco. E muitas vezes somos pimenta ardida demais para os outros, não é verdade?”, questionou.

“Concretamente precisamos nos perguntar, damos sabor mesmo? Vivo com alegria ou vivo reclamando dos outros, xingando? Santo Antônio nos convida nesta tarde a ouvirmos este evangelho. A gente não acende uma lâmpada, uma vela, pra colocar debaixo da cama, mas sim no alto, para que ela dissipe as trevas. Trevas do erro, do egoísmo, da maldade, da maledicência, da prepotência, tudo aquilo que nos deixa na penumbra”, concluiu.

VEJA IMAGENS DA CELEBRAÇÃO NA VILA CLEMENTINO:

VEJA IMAGENS DA MISSA DE ENCERRAMENTO NO PARI:

VEJA IMAGENS DO SANTUÁRIO SÃO FRANCISCO: