Liturgia dominical: O vento da suavidade e da força de Deus

Gustavo Medella

Frente fria, massa de ar, brisa, vento, tufão, ciclone, tsunami… Estes são nomes que, frequentemente, aparecem nos noticiários e servem para designar os fenômenos climáticos relativos ao deslocamento do ar. Revelam o dinamismo, a força e a imprevisibilidade da natureza que está sempre em movimento e transformação. Assim são os ares, as águas, a terra, os seres vivos criados. Assim é o Espírito de Deus, Espírito Santo que sopra onde quer.

Apresenta-se como suavidade ao Profeta Elias, que reverentemente reconhece a presença do Senhor na leve brisa que sopra no Monte Horeb. A sensibilidade de Elias é importante para quem pretende viver a vida da fé: saber munir-se da certeza de que, mesmo quando nada parece acontecer, muita coisa pode estar ocorrendo, o que faz lembrar a frase de Guimarães Rosa: “Quando nada está acontecendo, há um milagre que não estamos vendo”.  Uma das maiores graças alcançadas pelo crente é poder, mesmo em meio à correria, “saborear a suavidade do Senhor” (Sl 26).

Às vezes também aparece subitamente, como vento contrário. Vem abalar as estruturas daqueles que navegam, ainda que bem intencionados, numa direção que contraria os rumos do Evangelho. Todos nós estamos sujeitos a estes equívocos e aí não resta outra opção: precisamos novamente recorrer a Jesus.

No decorrer da história, não foram poucas as vezes em que a Barca de Pedro, a Igreja, desviou-se da rota proposta e, balançada por suas próprias contradições, precisou humildemente recordar-se d’Aquele que é a razão e o motivo de toda e qualquer opção e empreitada eclesial: Jesus Cristo. Neste sentido, o Pontificado do Papa Francisco tem sido um verdadeiro “vendaval divino” que está nos ajudando a retomar o prumo de nossa navegação sob a bússola do diálogo, da misericórdia, da acolhida, da justiça e de todos os valores do Evangelho.

Na turbulência que temos enfrentado no Brasil, que vive um contexto eivado de ódio, corrupção, desonestidade, má fé pública, exploração e desrespeito, cada cristão deve ser brisa suave e vigorosa de contradição. Nossa força deve brotar de uma leitura atenta e comprometida da realidade à luz do Evangelho, para não sermos “tragados” pela truculência de vendavais destruidores que, por onde passam, só deixam dor, abandono, miséria e destruição, ao modo de como temos experimentado na vida pública de nosso país.