Congresso de Formadores: documento final

 

I. Introdução

 A todos os irmãos da América Latina e do Caribe: Paz e bem!.

Reunidos na acolhedora cidade de São Paulo (Brasil) por ocasião do Congreso Continental para Formadores, com o tema: “Acompanhamento na vida fraterna”, congregamos 65 irmãos, acompanhados e animados pelo Secretário e Vice-secretário para Formação e Estudos da Ordem e por nosso Definidor Geral, Frei Valmir Ramos.

Compartilhamos quatro temas importantes, que foram bem desenvolvidos e depois discutidos amplamente em grupos. O clima fraterno que vivemos nestes dias nos convida a proclamar, do mais profundo dos nossos corações: “O Senhor foi grandioso conosco e estamos alegres!”

O trabalho foi intenso, mas agradável e reconfortante. Cada um retorna ao seu país com uma riqueza de vivências compartilhadas e as linhas de ação que nos ajudarão a melhorar nosso serviço formativo.

IIDescrição e propostas

Compartilhamos com vocês algumas linhas de ação que desejamos transformá-las em compromissos para melhorar nossa Formação Permanente, isto é, para sermos melhores Frades Menores.

1. Acompanhamento mútuo na vida fraterna.

 a) Descrição

O acompanhamento é o nome franciscano da formação. O acompanhamento necessita e fomenta a consciência de que o verdadeiro formador é o Espírito Santo e que o primeiro responsável de sua formacão é o próprio frade[1], e o papel do formador é o de caminhar ao lado, oferecer alento e ajuda para discernir os sinais vocacionais e pessoais e como Deus fala através dos acontecimentos da vida ordinária[2]. O acompanhamento enfatiza a relação fraternal que nos caracteriza como “Frades Menores”[3].

O acompanhamento tem lugar na nossa vida fraterna ordinária[4], onde cada irmão e a fraternidade o experimentam, em especial pela mediacão dos acompanhantes “institucionais”, Ministros, Guardiães, acompanhantes espirituais e formadores da Formação Inicial ou  Permanente[5].

O acompanhamento é sempre recíproco[6] e sua forma mais própria e o testemunho[7].

b) Propostas

  • Que cada irmão da Província/Custódia se sinta responsável, com o seu testemunho de vida, pelos irmãos na Formação Inicial, tendo presente a realidade e o contexto da sociedade atual, onde o processo formativo inicial deve se realizar com experiências concretas.
  • Que, através do projeto de vida pessoal e fraterno, se dê resposta às diversas exigências e necessidades ao longo do intinerário formativo e se possa acompanhar a cada irmão.
  • Criar um centro de atenção e acompanhamento integral em nível das conferências para ajudar os irmãos em dificuldades.
  • Que em nossas provincias/custodias se promovam irmãos que se qualificam em estudos do nosso carisma franciscano.

2.2 Formacão Permanente 

  1. a) Descrição

A Formacão Permanente acontece na vida cotidiana[8]. Não está unicamente interessada em ter bons programas e reuniões extraordinárias, mas se fundamenta, principalmente, no bom discernimento da vida cotidiana[9], a partir da  perspectiva da fé.

A Formação Permanente estimula e fortalece a qualidade das nossas relacões fraternas, criando uma mentalidade e uma atitude comum na vida cotidiana. Este enfoque requer diálogo profundo e compromisso mútuo. Isso cria espacos para a partilha fraterna, garante e oferece o contexto concreto que nos permite reunir, discutir, trabalhar juntos e partilhar. Este compromisso comum na vida cotidiana cria a fraternidade que estimula o crescimento de cada irmão[10].

  1. b) Propostas
  • Fazer da nossa vida quotidiana em fraternidade o espaço próprio para nossa Formação Permanente.
  • Elaborar no Capítulo local nosso Projeto de Vida Fraterno, seguindo os critérios básicos da nossa espiritualidade e as estruturas fundamentais que nos ajudam a viver “enamorados” de Deus e do “Povo de Deus”, atentos aos gestos fraternos, como uma mãe atenta.
  • Criar espaços (encontros, formação,grupos, etc.) nos quais se fortificam o sentido de confiança, as relaçoes interpersonais e a correção fraterna na vida quotidiano dos irmãos da provincia/custodia para construir fraternidades mais saudaveis.
  • Criar um centro de estudos superiores para a aprofundação da espiritualidade franciscana ao nivel da UCLAF.

2.3 Formação dos Guardiães

  1. a) Descrição

Se a Formacão Permanente se realiza na vida diária da fraternidade, o Guardião tem um papel central, no qual, antes de tudo, o caráter espiritual. Inspirado por Deus, o Guardião de Israel[11], ele anima a fraternidade a viver na espera vigilante do dia do Senhor[12]. Entendido, assim, que a fraternidade é una obra divino-humana, encontram-se nela além destes fundamentos espirituais, muitas responsabilidades humanas. É importante que o Guardião também tenha um bom conhecimento de si mesmo, que o permita cuidar de si e dos outros, como também precisa  cultivar o sentido da alteridade, fundamento de uma verdadeira autoridade. Uma das tarefas mais difíceis e importantes do Guardião é a correção fraterna e a promoção do perdão mútuo entre os irmaõs. Para realizar tal servico, requer-se muita humildade. Ao tratar das estruturas concretas de nossas vidas, o Guardião não deve perder de vista o “kairós” de que é necessário em um  momento específico, usando o bom senso, um sadio discernimento e sua experiência de vida. Para executar bem seu serviço, o Guardião necessita de uma formação adequada, que o ajude a assumir o “habitus” do discernimento contínuo e o permita ser um formador da sua fraternidade.

  1. b) Propostas
  • Promover uma constante formação dos irmãos Guardiães, especialmente daqueles que iniciam este ofício. Cremos que seja conveniente que esta formação se realize interprovincialmente ou por Conferência.
  • Recuperar os espaços e a dinâmica da correcão fraterna, que faz dos Guardiães realmente os responsáveis pelo caminho formativo dos irmãos e nos faz todos responsáveis como fraternidade.

2.4 Cuidado pastoral das vocações (CPV)

  1. a) Descrição

Relendo os documentos da nossa Ordem em relacão ao CPV podemos evidenciar algumas constantes.

  1. O CPV é responsabilidade de todos os irmãos e de todas as fraternidades.
  2. Esta responsabilidade, indelegável, manifesta-se, antes de tudo, no testemunho de vida. O primeiro  anúncio vocacional deve ser, então, viver como frades menores.
  3. A vocação é sempre um dom de Deus e resposta do homem, que são duas liberdades que se encontram. Devemos ter propostas para evangelizar o momento da decisão vocacional nos jovens.
  4. É necessário uma real proximidade ao mundo dos jovens e
  5. o discernimento vocacional deve ser concebido como um processo.

Sem FP não há posibilidade real de uma verdadeira pastoral vocacional, e de uma vivência profunda da proposta vocacional. Pode até existir vocações que sustentam a instituição, mas  não garantem que sustentam e transmitem o carisma.

É necessário seguir dando espaço a novas fraternidades (“fraternidades medulares”) que expressem paixão por nossa vida, vida que contagia, que se irradia e que atrai. 

  1. b) Propostas
  • Continuar o processo de conscientização de que todos os irmãos são responsáveis pela animação vocacional.
  • Usar os meios necessários para constituir uma fraternade nova, dedicada à evangelização dos jovens e que torne mais visível o nosso carisma.
  • Priorizar nas nossas entidades a formação dos irmãos para o acompanhamento espiritual.

Pedindo a Nossa Mãe Aparecida e ao nosso irmão Santo Antonio de Galvão, compartilhamos com vocês nossas reflexões e nossa esperança.

O Senhor nos abençoe e nos acompanhe!

[1] CCGG 137 § 1; RFF 40; 61.

[2] Cf RFF 94; 148 *8.

[3] Cf. RFF 95.

[4]  Cf. RFF 96.

[5]  Cf. RFF 92.

[6]  Cf RFF 72; 102; Han sido llamados a la libertad 23-24.

[7] Cf RFF 140.

[8] Cf. RFF 109; Han sido llamados a la libertad 25.

[9] Cf. Han sido llamados a la libertad 5-6.

[10] Cf. Han sido llamados a la libertad 30.

[11] Sal 121; 127,1.

[12] Prov. 8, 34; Mt 25, 1-13; 1 Th 5,6; Ap 3,2.

CONGRESSO CONTINENTAL DOS FORMADORES DE AMERICA LATINA

3-9 setembre, São Paulo, Brasil