Começa a festa de Nossa Senhora Aparecida

Moacir Beggo

Blumenau (SC) – O Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Blumenau, lotou nesta quarta-feira, 11 de outubro, para celebrar a Padroeira do Brasil, numa mostra da festa que o povo catarinense fará neste dia 12 de outubro para Mãe de Deus, exatamente quando se comemora os 300 anos da aparição da imagem no Rio Paraíba.

A Celebração Eucarística, às 19 horas, foi presidida pelo pároco e reitor Frei Nélson Hillesheim e concelebrada por Frei José Bertoldi. Todas as quartas-feiras é celebrada a Novena Nossa Senhora Aparecida Desata Nós. Frei Nélson refletiu sobre o tema “Maria, Mãe da Solidariedade e do Amor”, aproveitando para agradecer aos padrinhos, benfeitores e patrocinadores da festa, presentes na Celebração.

Segundo o celebrante, a solidariedade e o amor acompanham a vida de Maria, a grande pedagoga do amor generoso e solidário com os necessitados. “Quantas pessoas nos procuram para nos falar das graças alcançadas, porque pediram à Mãe da solidariedade e do amor. Estamos aqui, reunidos pela Mãe Maria, que renova sempre em nós o compromisso do amor, como ela fez ao se colocar a serviço de Deus, por amor e solidariedade, à toda a humanidade”, disse Frei Nélson.

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“O amor à humanidade, quando Maria diz: ‘Eis a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa Palavra’, foi, sim, o momento em que ela assumiu a sua grandeza e ao mesmo tempo a sua humildade ao acolher, por nós, o seu filho Jesus. Em Maria, somos convidados, queridos irmãos e irmãs, a amar mais. Quem ama constrói a vida. Quem ama sempre se renova e caminha na solidariedade, na paz e na fé”, ressaltou. “O amor nos leva a sermos fraternos. A solidariedade nos aproxima de Deus e das pessoas. Quanto mais humanos nós somos, mais divinos nos tornamos, mais nos aproximamos de Deus. Com Maria, conhecemos esse caminho de solidariedade e de amor”, acrescentou.

O frade lembrou que, no Evangelho de Lucas, Maria recebe a visita do anjo, pedindo a colaboração para ser mãe do Redentor, e fica perturbada quando ouve dele o plano divino. Mas o anjo diz-lhe uma palavra de consolação: “Não tenhais medo!”. “E Maria acreditou. Quem tem fé não pode ter medo. O medo na nossa vida cristã anula todas as possibilidades de chegarmos à plenitude da fé e da vida”, disse.

Nos festejos populares, o dia foi intenso com muito churrasco, pastéis, cachorro quente, tortas, bolos.

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GRATUIDADE

aparecida_111017_6A dona de casa Conilda Krüger é um exemplo de amor e dedicação no serviço à Igreja, especialmente quando se faz necessária a união de todos para a realização de uma grande festa, que reúne milhares de pessoas. Segundo o pároco, Frei Nélson Hillesheim, para que tudo funcione bem, mais de 350 pessoas deixam seus afazeres, suas casas, suas famílias durante os festejos da Padroeira.

Para Conilda, esse serviço comunitário enobrece a alma e é recompensador. “Não sei viver sem isso. Pode tirar tudo de mim, mas não me tire a Igreja. A vida sem Deus não é nada. Essa fé é que faz com que a gente se doe”, revela Conilda, que pontualmente se dedica à liturgia na Paróquia. “Antes de Blumenau ser Diocese, eu era coordenadora diocesana de liturgia e sempre ia para Joinville, onde estava a Cúria”, diz Conilda, lembrando que seu envolvimento com a comunidade vem bem antes de ela ser Paróquia, há mais de 40 anos. “A comunidade ficava num galpão do outro lado da rua. Me lembro que meu filho nasceu em 65, quando ela virou Paróquia”, contou. A Paróquia foi criada aos 8 de maio de 1965 e, no dia 12 de outubro de 1997, foi criado e instalado o Santuário Nossa Senhora Aparecida.

“Já estou com 70 anos, a gente está envelhecendo, mas enquanto puder vou continuar trabalhando”, garante Conilda. “Minha vida sempre foi muito difícil. Me separei com 20 anos de casamento e quando tinha quatro filhos. Criei todos eles na Igreja, no caminho do bem. Encontrei forças em Jesus e na comunidade”, revelou.

Para ela, todo o cristão tem o compromisso de dar esse testemunho de fé. “As pessoas se espelham muito no testemunho. Então, o nosso evangelizar deve ser através do testemunho. Procuro ser coerente na minha vida estando na Igreja, na minha casa ou me doando a quem precisa de uma ajuda, material ou espiritual”, diz Conilda, ressalvando: “O que faço aqui é um grãozinho de areia perto do que recebo de Deus”.

Conilda lamenta que hoje há um esvaziamento da prática religiosa e o mundo sente falta de espiritualidade. Para ela só resgatando a espiritualidade que vamos ter condições de reconhecer que somos pequenos e que precisamos sempre ter uma atitude de gratidão a Deus. “Infelizmente, hoje o mundo está carente de Deus e o que vemos é uma grande falta de valores na sociedade. O ser humano está em decadência. Não sei o que vai ser das futuras gerações”, teme Conilda, que perdeu um filho há 30 anos num acidente de moto. Ela tems dois casais de filhos, 2 netas, 1 neto e 2 bisnetas. “Procuro sempre orientar meus netos e bisnetos, mostrando o que é certo e o que é errado”, diz apontando para a neta Gabriela, de 17 anos, que está trabalhando na festa. Conilda trabalha na barraca do café, tortas, bolos e doces.

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DIA DA PADROEIRA

Neste dia 12, DIA DA PADROEIRA, a programação é intensa, a começar com a Carreta que sairá da Catedral até o Santuário, às 8 horas, carregando a imagem de Nossa Senhora o bispo diocesano Dom Rafael Biernaski e o pároco da Catedral São Paulo Apóstolo, Pe. João Backmann.

Na chegada ao Santuário, prevista para as 9 horas, tem início a Missa Solene, presidida por Dom Rafael. Às 11 horas, Dom Rafael e Pe. João sobrevoarão o Santuário de helicóptero, abençoando os peregrinos e devotos. Está prevista uma “chuva” de mantos de Nossa Senhora e pétalas de rosa.

Às 15 horas, Frei José Bertoldi preside mais uma Santa Missa e Frei Pascoal encerra a festa religiosa às 19 horas, mas os festejos continuam nas barracas.

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