Liturgia deste domingo: Deus deseja ser encontrado

Frei Gustavo Medella

Quando brinca de se esconder, a criança bem pequena até se esconde, atrás da cortina ou do sofá. No entanto, é visível sua ansiedade por ser encontrada. Não cansa de dar sinais. Tosse, mexe-se, esboça uma risadinha que normalmente desemboca numa gostosa gargalhada quando aquele que a procurava exclama: “Achei!”. Celebra a alegria de ser reconhecida, de perceber que não está só e que sua presença no mundo não é indiferente àqueles de quem ela se encontra tão perto.

Na 1ª Leitura deste 32º Domingo do Tempo Comum (Sb 6,12-16), a Sabedoria assume postura semelhante à da criança que brinca de esconde-esconde: anseia por ser encontrada por aqueles que a procuram: “Ela [a Sabedoria] é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram” (v. 12). Ainda mais, mesmo quando não procurada, “sai à procura dos que a merecem, cheia de bondade, aparece-lhes nas estadas” (v. 16).

Em Jesus Cristo, Deus deseja ser encontrado pela humanidade. Não mede esforços para estar juntos de seus filhos e filhas, guardando-os e conservando-os no amor. Conforme explicita São Paulo na 2ª Leitura (1Ts 4,13-18) em Jesus Deus nos traz para muito próximo d´Ele.

Os temas da procura e da espera também se fazem presentes no Evangelho (Mt 25,1-13). Na Parábola das Dez Virgens, Jesus recorda a responsabilidade pessoal de cada um na aplicação prática da bonita Teologia que o Mistério da Encarnação propõe. O encontro com o Senhor é uma experiência originariamente pessoal que, quando bem vivida, desemboca necessariamente na criação de laços profundos entre as pessoas. O óleo do sentido desta consagração, do encantamento e da vibração pelo Projeto do Reino, deve ser sempre reabastecido na recordação viva deste encontro fundamental com o Mestre.

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