Advento: Tempo de vencer o cansaço e os desafios do caminho

Frei Gustavo Medella

“Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos todos como folhas” (Is 63,5).

No fim da caminhada de mais um ano, talvez alguém se sinta desta forma diante de toda canseira e dos desafios do caminho. O pano alvejado, que perfumava e polia os ambientes, agora se encontra encardido, com a poeira que foi se acumulando no passar dos dias; a folha verde, sinal de vivacidade, empalideceu e caiu. O cansaço acumulado, as frustrações, as teimosias, o desânimo são todos elementos capazes de tirar da pessoa a vivacidade e até mesmo o entusiasmo de seguir em frente. “Ah, se rompesses os céus e descesses!” (Is 63,19b).

Diante desta fadiga, Deus não se faz indiferente. Vem mostrar, mais uma vez, que seus filhos e filhas são chamados à esperança. Se o pano está encardido, é possível restituir-lhe a brancura. A folha caída renasce como adubo e alimento de vida. E assim, ao contemplar o mistério do Natal que começa a ser preparado em mais um Advento, cada um é chamado a encontrar em Deus a força necessária para prosseguir na caminhada. O Senhor insiste em mostrar que das realidades mais frágeis e difíceis podem brotar sinais eloquentes da Graça de da Salvação.

A garantia de que vale a pena perseverar vem do Apóstolo, quando diz: “Deus é fiel; por ele fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso (Mc 13,33-37). Se o pano está encardido, é hora de mergulhá-lo no mistério da Criança de Belém. Se a folha está murcha, é momento de contemplá-la como grande chance de recomeço. Com as velas do advento, que a luz da espera ilumine e se intensifique cada vez mais em cada coração. Que a solidariedade se torne tarefa e graça. Que a fragilidade de Deus, expressa na pequena criança, seja capaz de comover, dobrar e converter os corações mais endurecidos.