João? Que João?

Frei Gustavo Medella

No interior, é muito comum que as pessoas sejam identificadas a partir do ofício que realizam, a “Dona Maria Costureira”, o “José Marceneiro”, o “Carlos do Açougue”. A atividade cola-se à identidade. O “fazer” está intimamente ligado ao “ser” com laços tão profundos que não se podem mais separar. “- Carlos, que Carlos? Não conheço! – O Carlos do Açougue. – Ah sim! Conheço muito! Foi criado comigo aqui na rua”, se diz.

E assim ocorre com o primo de Jesus, o filho de Isabel, o João. “- João, que João? – O Batista! – Ah, sim, conheço! Aquele que vem preparar os caminhos do Senhor”. O menino concebido por graça de Deus no seio da idosa Isabel reveste-se da missão que Deus lhe confia. João Batista prepara um caminho de mudança e conversão interior. Vive com o mínimo necessário e mostra-se consciente de sua tarefa. Também sabe bem qual é o seu lugar no Projeto da Salvação. Não anuncia a si mesmo, mas Àquele que vem para batizar a humanidade com o Espírito Santo.

Grande e importante virtude manifesta pelo Batista: a capacidade de sair de si para se empenhar num projeto que ultrapassa seus próprios horizontes. João é modelo de vida cristã, de modo especial neste Tempo de Advento. Apresenta à comunidade cristã um modus operandi que certamente qualifica a atuação individual e comunitária daqueles que um dia foram mergulhados em Cristo pelo Sacramento do Batismo.

João Batista ensina a Igreja a ser fiel aos planos de Deus expressos em Jesus Cristo. A exemplo de João Batista, o Papa Francisco bem compreendeu esta dinâmica de estar a serviço do Reino e por isso insiste que a Igreja saia sempre de si para ir ao encontro do mundo, que se coloque a serviço da humanidade, que seja hospital de campanha, casa de portas abertas para acolher a todos, que vá em direção às periferias existenciais ao encontro daqueles que sofrem.

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