O CarismaNotícias › 02/01/2018

Clarissas celebram 90 anos do Mosteiro da Gávea em 2018

gavea_020118_1

gavea_020118_2Em 19 de maio de 1855, o Ministério da Justiça do Império proibia, em absoluto, a recepção de noviços em todas as ordens religiosas no Brasil. A Ordem de Santa Clara (OSC), que estava no Brasil desde 1677, não ficou de fora desta perseguição até o falecimento da última Clarissa em 1915. Mas há 90 anos, as Damas Pobres de São Damião estavam de volta ao país com a fundação do Mosteiro da Gávea. Como conta nesta entrevista a Abadessa do Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos, Madre Maria Pacífica, esse retorno se deu no dia 25 de setembro de 1928. As celebrações deste Jubileu de 90 anos da restauração do Carisma Clariano no Brasil já começaram em 2017 e continuarão até agosto de 2018. A restauração da Ordem de Santa Clara no Brasil, segundo a Abadessa, foi possível graças a oito irmãs Clarissas da Alemanha: Madre Maria Seráfica, Irmã Maria Juliana, Irmã Maria Boaventura, Irmã Maria Clara, Irmã Maria Agnela, Irmã Maria Columba, Irmã Maria Imaculada e Irmã Maria Terezinha, sendo que Irmã Maria Rosária veio se juntar-se às fundadoras em 1934.
Foi a partir deste Mosteiro que a espiritualidade de Santa Clara floresceu no país. Essa construção no morro da Gávea é hoje um oásis de paz em meio à insegurança promovida pelo tráfico na vizinha Rocinha. O reflexo está no aumento de pedidos de orações que chegam às 26 irmãs que formam a Fraternidade da Rua Jequitibá.
A rotina da vida contemplativa é feita de muita oração e trabalho. “A partir das 21 horas nos revezamos na adoração ao Santíssimo”, conta Madre Maria Pacífica. Das irmãs, apenas quatro têm permissão para sair do claustro para ir ao banco, à farmácia, ao mercado ou ao correio, por exemplo. No interior da clausura, só médicos estão autorizados a entrar e os frades, como o guardião do Convento Santo Antônio, Frei José Pereira, e o assistente espiritual, Frei Almir Guimarães. Hoje, elas também aproveitam a facilidade do mundo virtual, através de e-mail, site e mais recentemente o aplicativo Whatsapp, que ajudam na marcação de consultas com o médico e auxilia nos problemas urgentes. Rádio, jornais e TV raramente estão no cotidiano das irmãs. Madre Maria Pacífica conta com a ajuda de duas irmãs secretárias para auxiliá-la. A verdade é que o mundo virtual não chega a encantar as Clarissas: “Preferimos estar conectadas com o mundo espiritual”, decreta Madre Maria Pacífica.
No trabalho, as irmãs se revezam para limpar o vertical prédio do mosteiro – no centro do claustro há um cemitério com 12 jazigos -, cuidam da horta, de onde tiram parte do sustento e produzem artesanatos, como velas, para ajudar nas finanças, que também são completadas com doações de amigos e benfeitores do Mosteiro.
Madre Maria Pacífica de Jesus Crucificado completou no último dia 13 de maio 62 anos de vida religiosa. Nasceu em 1934, há 83 anos, na cidade de Andradas, no Sul de Minas Gerais, onde foi batizada como Gláucia Garcia de Almeida. Ingressou na Ordem de Santa Clara em 1955, aos 20 anos.

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Site Franciscanoss – Como a Ordem de Santa Clara chegou ao Brasil?
Madre Maria Pacífica – As Clarissas foram as primeiras religiosas a se estabelecerem no Brasil, solicitadas pela Câmara, nobreza e povo da Bahia, que desejavam religiosas de São Francisco, pois suas filhas aspiravam ou eram encaminhadas para a vida consagrada. Viajar para Portugal, atravessar o mar, implicava nos perigos de naufrágio, pirataria etc… Aos 9 de março de 1677, chegaram de Évora (Portugal) as quatro monjas fundadoras do Imperial Convento de Santa do Desterro, que em breve floresceu, tornando-se uma comunidade numerosa. A perseguição religiosa contra os Institutos Religiosos, que atingiu o auge em 1855, fechando os noviciados das casas religiosas em todo o território nacional, fez com que se extinguisse o Mosteiro. Em 1915 falecia a última Clarissa. Por treze anos não houve nenhum mosteiro clariano em nosso país, até que, em 1928, o antigo tronco refloresceu com a fundação, no Rio de Janeiro, cujos 90 anos estamos celebrando.

gavea_020118_4Site Franciscanos – Como nasceu o Convento da Gávea? Qual sua importância para o carisma clariano e franciscano no Brasil?
Madre Maria Pacífica – No dia 25 de setembro de 1928, por iniciativa da Província Franciscana da Imaculada, após uma longa e feliz viagem de navio, aportaram no Rio de Janeiro as oito Irmãs – vindas de Düsseldorf, Alemanha – escolhidas para restaurar a Ordem de Santa Clara no Brasil, com a fundação do Mosteiro Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula. Foram recebidas festivamente pelos frades, religiosos e religiosas de numerosas Congregações e por várias senhoras da sociedade carioca, que as levaram para a Igreja paroquial de Ipanema, onde se oficiou o solene “Te Deum”.
Estabeleceram-se, inicialmente, em uma pequena casa no Leblon, onde hoje se localiza a Paróquia Santa Mônica, dos Padres Agostinianos. Depois, com muita dificuldade, adquiriram esse terreno numa área então rural, à Rua do Jequitibá, 41, na Gávea, onde, com o passar dos tempos, conseguiram erguer na colina, com grandes sacrifícios, o atual e singular Mosteiro vertical. Deste lugar, brotaram 5 novas fundações monásticas que, com suas filiais e ramificações, somam hoje 20 claustros clarianos no Brasil, na maioria descendendo praticamente de nossa Porciúncula.

Site Franciscanos - Qual a importância deste Mosteiro para o carisma clariano e franciscano no Brasil?
Madre Maria Pacífica – Penso que a importância deste nosso Mosteiro é justamente de ser o primeiro da restauração da Ordem e, por isso, muitas madres e formadoras continuam a nos consultar a respeito de tradições e costumes. Aqui renovou-se a chama seráfica, que, com a bênção do Altíssimo, desdobrou-se em novas fundações e tem ajudado a tantos irmãos e irmãs da I e da III Ordem a experimentar a riqueza desse carisma iniciado pela Mãe Santa Clara, pois como ela escreve em seu Testamento: “O Senhor nos chamou a ser exemplo e espelho”.

Site Franciscanos - Qual o significado de celebrar o Jubileu?
Madre Maria Pacífica - Celebrar o Jubileu dos 90 anos de fundação desse nosso querido Mosteiro significa para nós, primeiramente, render graças e glória a Deus, de Quem procede, na expressão da Mãe Santa Clara, toda dádiva e todo dom perfeito. Depois, gratidão às nossas queridas Irmãs fundadoras, que deixaram pátria, família, mosteiro e tudo o que lhes era mais caro para nunca mais retornar. Em meio a tantos sacrifícios, compraram este terreno, construíram este Mosteiro e nos deixaram sólido alicerce na tradição de tão preciosa espiritualidade. Gratidão também por tantas irmãs queridas, que ao longo desses 90 anos, aqui deixaram a marca de seu trabalho, de sua oração, de sua imolação, pensando muito especialmente nas que daqui saíram para fundar outros Mosteiros, construindo novos tronos de adoração para Jesus e irradiando a espiritualidade clariana. Também, gratidão por todos os amigos e benfeitores que, nessas nove décadas ajudaram e continuam ajudando a manter essa casa de oração, nomeadamente os queridos padres que aqui celebram e nos alimentam com o Pão da Vida e da Palavra.

Site Franciscanos – Hoje, como é a vida no convento: quantas Irmãs fazem parte da Fraternidade; como é a vida de oração e trabalho?
Madre Maria Pacífica – Somos 26 Irmãs. Uma anciã de 96 anos está hospitalizada e bem fragilizada. No mais, todas trabalham, na medida de suas possibilidades, mesmo as octogenárias. No Mosteiro, ninguém se aposenta!
A Mãe Santa Clara cultivou profundo amor a Jesus Sacramentado! São João Paulo II escreveu: “Na verdade, toda a vida de Clara era uma Eucaristia!”. A seu exemplo, as Clarissas cultivam a devoção eucarística, revezando-se em adoração ao Santíssimo Sacramento, exposto, diariamente em nossos mosteiros. Oram e intercedem por toda a humanidade, nomeadamente pelos que se recomendam às preces da comunidade. São sete horas de oração, intercaladas com os trabalhos. As irmãs aplicam-se em ganhar o necessário para seu sustento e a manutenção da casa com seu trabalho humilde de cada dia. Dedicam-se à confecção de alfaias, imagens, velas, cartões, convites e lembranças para casamentos, batizados, Primeira Eucaristia e bodas, além de outros trabalhos manuais em pintura, bordado e artesanato. As mesmas mãos que trabalham na enxada, plantando e cultivando a terra pela manhã, à tarde bordam, pintam e exercitam seus talentos nos mais delicados trabalhos. Contudo, sempre contam com o auxílio de amigos dedicados e generosos benfeitores que, pela misericórdia divina, nunca faltam.

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Local na Gávea, onde foi adquirida a residência para a construção do Mosteiro

Site Franciscanos – Como o Convento sobreviveu e sobrevive nestes 90 anos?
Madre Maria Pacífica – No início, para comprar o terreno e pagar as prestações, bem como para a construção, as irmãs faziam longos serões, confeccionando paramentos para uma fábrica de São Paulo. Naturalmente que a Divina Providência sempre veio em auxílio, através de amigos e benfeitores. Particularmente, Frei Rogério Neuhaus, OFM, de santa memória. Em tempos de grandes necessidades, pudemos contar, mais especificamente, com muitos outros frades, nomeadamente, Frei Heliodoro Müller, Frei Leovigildo Balestiere, Frei Fortunato Sturm, Frei Bernardo Hoelscher, Frei Eckart Höfling, e todos os nossos padres guardiães do Convento Santo Antônio, nas últimas décadas, têm sido muito atenciosos e solícitos: Frei Edgar Weist, Frei Ivo Theiss, Frei Clarêncio Neotti e Frei José Pereira.
As Irmãs Pobres de Santa Clara, em fidelidade à santa pobreza, vivem cada dia como as aves do céu e os lírios do campo, totalmente entregues à Providência do Pai, que a todos sustenta e ampara com ternura. É verdadeiro milagre do bom Deus. Trabalham, como todos os pobres, para ganhar o pão de cada dia, e, quando lhes é possível, seguindo a perfeição evangélica, partilham com os mais necessitados as doações que recebem.

Site Franciscanos – Como é feito o trabalho vocacional para a vida contemplativa?
Madre Maria Pacífica – Jesus disse: “Vinde e vede!”. Não temos fórmula pronta! Costumo dizer que cada vocação é um romance divino! O saudoso Frei Desidério Kalverkamp dizia que é necessário conviver para saber. Temos um folder vocacional bem simples. Normalmente, as candidatas têm um primeiro contato por e-mail, carta, ou telefone. Ao responder convidamos para conhecer o Mosteiro, passar um dia, rezar com as irmãs, conversar. Assim vamos nos conhecendo e podemos ter noção se há sinais autênticos de vocação. Quando a jovem já participa de encontro vocacional, tem orientação de um diretor espiritual, ou do pároco, fica mais fácil. Vamos dando a conhecer o carisma através de colóquios, de livros. Assim vamos acompanhando e, conforme o desenvolvimento de cada uma, marcamos o ingresso. Depois, são 6 anos de formação, tempo suficiente para discernir, aprofundar, decidir e a comunidade saber se a candidata está apta.

Site Franciscanos – Como a vida contemplativa se relaciona com o mundo virtual?
Madre Maria Pacífica – Praticamente é só o estritamente necessário. Temos apenas um site e um e-mail que serve também para divulgar nossa Ordem e nossos trabalhos. Agora, também por questões de economia, aceitamos um celular com whatsapp. Para falar com médicos, resolver assuntos urgentes, facilita muito. Muitas pessoas nos escrevem pedindo orações pelo site, por e-mail ou pelo whatsapp. Na medida do possível, respondo, tendo duas irmãs que ajudam na Secretaria. Se não há uma necessidade maior, abrimos e-mail pela manhã e à noite; respondemos o que é possível, e colocamos junto aos demais pedidos de intercessão. Usamos a internet para pesquisas, no tocante à formação. Acompanhamos um pouco os pronunciamentos e todas as viagens do Papa. Diariamente, abrimos o site da Província da Imaculada para enriquecer-nos com a espiritualidade e ter conhecimento das notícias, já que devemos estar sempre na intercessão pelos irmãos. No mais, preferimos estar conectadas com o mundo espiritual.

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Site Franciscanos – Como a Sra. define a Vida Contemplativa?
Madre Maria Pacífica – A Mãe Santa Clara apresenta Jesus como um Espelho. No Testamento escreve que “o próprio Filho de Deus fez-se para nós o Caminho e foi este Caminho que nosso bem-aventurado Pai São Francisco nos ensinou por palavras e exemplos. Penso que a vida contemplativa é espelhar-se nesse Modelo; seguir o Mestre, observar seus mandamentos, viver com Ele e Nele! É acessível para todos! Costumo escrever para as postulantes quando chegam, em forma de oração: “Pensai em mim, Jesus … É viver em Cristo Jesus, nosso adorável e muito amado Salvador”.

Site Franciscanos – Concluindo, deixe-nos uma mensagem sobre este Jubileu e a importância da espiritualidade clariana para o mundo de hoje.
Madre Maria Pacífica- Celebrar um Jubileu, como tempo de graça, é sempre um chamado à renovação. Esta é a graça que peço para nossa comunidade, a fim de que possamos testemunhar ao mundo de hoje a alegria do Evangelho do Amor misericordioso de Jesus.
A espiritualidade clariana para o mundo de hoje é o que foi no século XIII. No mundo de então havia guerras, injustiças, cobiça, desamor, rivalidades, etc. Clara fez a sua parte. Escolheu viver o Evangelho. E tornou-se uma fonte cristalina no seio da Igreja. Quebrou o vaso de alabastro de seu corpo frágil, na oração, penitência e recolhimento do seu Mosteiro e seu perfume inundou toda a Igreja. A humanidade contemporânea sofre dos mesmos males. Está farta de belos discursos. Acredito que a importância de nossa espiritualidade é marcada na medida em que nos esforçamos para viver com maior autenticidade nossa vocação. Somos sinais de esperança para o mundo. Em seu encontro com as Clarissas, na Fazenda Esperança, em Guaratinguetá, o Papa Bento XVI nos pediu para sermos “embaixadoras da esperança!” É sendo o que a Igreja nos pede que cumpriremos nossa missão. “como sustentáculos dos membros frágeis e abatidos do Corpo Místico de Cristo”, como se expressa a Mãe Santa Clara.


  A COLUNA-MESTRA DO JUBILEU

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Madre Maria Pacífica no início de sua vida consagrada

No “Oásis da Gávea”, a coluna-mestra do Jubileu de 90 anos tem um nome: Madre Abadessa Maria Pacífica de Jesus Crucificado. A sua face, que ganha destaque no meio ao véu marrom do hábito de Santa Clara, revela uma mulher forte e ao mesmo tempo suave, culta, nobre, simples e atenciosa. Segundo suas irmãs de claustro, incansável no serviço à Comunidade, tanto que é a primeira a se levantar e a última a se deitar. Reserva pouco tempo para si e se doa, sem reservas, para a fraternidade. Quando suas irmãs a lembram que precisa se cuidar, tem como resposta que empresta de São Paulo: “impendam et super impendam” (Eu me gastarei e desgastarei pelo Senhor, por vós e por todos).
Essa liderança começou e se formou no berço cuidado pelo médico Joaquim Albino de Almeida e da exímia pianista Juracy Garcia de Almeida, tradicional Família Sul mineira, de Muzambinho e Machado, a terra do café. Antes de se encantar pelo projeto de Clara e Francisco, Gláucia Garcia de Almeida, a segunda dos sete filhos do casal, destacava-se nos estudos no Colégio Imaculada Conceição, das Religiosas Concepcionistas do Ensino e no curso de línguas neo-latinas. Aos 18 anos, a morte repentina do pai a leva, pelo luto, afastar-se dos compromissos e festas sociais. Usa sua liderança para ações sociais e religiosas, como a catequese. No coração de Gláucia, algo começava a mudar. E não eram os pretendentes e os apelos mundanos do mundo. Comentando com um sacerdote o desejo de ser monja, ele lhe deu a autobiografia de Santa Terezinha, em francês, onde se encontrava uma estampa de “Soeur Marie Cèline de la Prèsentation, Vièrge Clarisse”. “Lembro-me que quando cheguei em casa, olhei as montanhas e pensei: ‘Tudo foi feito pra Ele por Ele. Ele é o centro de tudo’. A partir daí, tudo mudou na minha vida. Quando ia tocar o piano, sentia a presença de Deus do meu lado. A minha vida começou a se transformar, tão forte era o apelo para segui-Lo”, revela. Foi o que faltava para procurar um Mosteiro de Santa Clara. Familiares, mestras e amigos tentaram dissuadi-la de que poderia fazer uma brilhante carreira no magistério e na música. O seu projeto, contudo, era outro: dedicar-se inteiramente ao Senhor. Não foi fácil deixar a família que tanto amava, mas aos 20 anos, no dia 3 de maio de 1955, voou para o Rio, em companhia de sua irmã Nilza, para conhecer a Porciúncula da Gávea, onde iniciaria mais tarde o seu postulantado.
Na festa da Sagrada Família, no dia 8 de janeiro de 1956, recebeu o burel de Santa Clara, em uma celebração presidida pelo então Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara. Na Epifania do Senhor, no ano seguinte, fez sua Profissão de Votos Temporários, e aos 10 de janeiro de 1960 emitiu os votos solenes nas mãos do Cardeal Dom Jaime. Não demorou muito para receber a incumbência de formar as noviças, ao mesmo tempo em que fazia parte do Conselho monástico. Nem por isso deixou de lado o pesado trabalho braçal no vasto e montanhoso terreno do Mosteiro. Ficou à frente do Noviciado até 1970, quando foi eleita Abadessa, a primeira brasileira a ocupar este cargo no Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos.
Muito culta, apreciadora de música clássica, tem grande conhecimento da Ordem e profunda espiritualidade, e destaca-se pelo zelo à Sagrada Liturgia.
Sua liderança, espírito empreendedor e dinâmico, confirma-se nas sucessivas reeleições – com exceção da pausa de um triênio – ao posto de Madre Abadessa, cargo que ocupa até hoje. “Com 80 anos, estou idosa para este serviço, mas as irmãs têm muita confiança em mim”, observa. Suas obras não se limitaram à grande reforma e ampliação do Mosteiro, mas se estenderam pelo país com as fundações dos Mosteiros, como a primeira em Belo Horizonte, em 1973, e a fundação catarinense do Mosteiro Nazaré, coordenando a construção e transferência da Comunidade para a cidade serrana de Lages, que ficou sob sua direção até 1979. Depois vieram os Mosteiros de Caicó (RN), Anápolis (GO), Dourados (MS) e, por último, o Mosteiro de Brasília. Foi também, por 15 anos, coordenadora geral da União dos Mosteiros Clarianos no Brasil, presidindo vários encontros de Abadessas e Mestras, juntamente com Frei Bernardo Holscher. Para suas irmãs, sobrinhos e netos, ela é a “Matriarca” da família, mas para as irmãs do claustro, grande exemplo e modelo da pobreza evangélica.


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OS PASSOS PARA SER CLARISSA

A Ordem de Santa Clara foi fundada por São Francisco e Santa Clara de Assis. Dentro da Família Franciscana, as Irmãs Clarissas formam o ramo orante e contemplativo. Sua consagração a Deus está voltada para o silêncio, para a busca da
intimidade com Deus. É o seu modo de servir à Igreja e aos irmãos.

1º passo: A jovem vocacionada mantém contato com um dos Mosteiros das Clarissas até o ingresso. É uma fase importante de discernimento em que terá acompanhamento vocacional. A candidata pode escrever, telefonar ou visitar o Mosteiro. Esse tempo perdura quanto for necessário e a candidata não tem nenhum compromisso com o Mosteiro, pois está discernindo a sua vocação.

2º passo: A candidata ingressa no Postulantado, um tempo de formação para a vida clariana, que tem a duração de um ano, mas que pode ser prolongado se necessário.

3º passo: Concluído o tempo de Postulantado, numa cerimônia muito familiar, a jovem recebe o hábito clariano. Inicia, então, o tempo do Noviciado, onde vai aprofundar a espiritualidade no ideal abraçado. Trata-se de um tempo de provação para a profissão dos votos na Ordem de Santa Clara.

4º passo: Terminado o Noviciado, que dura dois anos (também pode ser prolongado), a noviça, com plena liberdade, fará os votos temporários de castidade, obediência e pobreza, vivendo na clausura por três anos. Este período é chamado de Juniorato e pode ser prolongado por mais três anos.

5º passo: A última etapa na caminhada formativa da clarissa é a profissão perpétua. Com os votos solenes, a clarissa é integrada definitivamente na Ordem de Santa Clara, prometendo fidelidade como resposta ao amor incondicional de Deus. As irmãs que ingressam num mosteiro clariano permanecem em geral até o fim de suas vidas no mesmo Mosteiro. Somente partem para outro no caso de haver uma nova fundação ou for transferida para prestar auxílio em outro Mosteiro.

Entrevista a Moacir Beggo


MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA DOS ANJOS DAS IRMÃS CLARISSAS

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