O CarismaNotícias › 08/01/2018

A profissão é resposta de amor e fé a um chamado divino

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Moacir Beggo e Frei Augusto Luiz Gabriel (fotos)

Rodeio (SC) – “A profissão que hoje vocês proclamam aqui nesta igreja é, na verdade, uma resposta de amor e fé a uma escolha divina, a um chamado divino”. Foi assim que o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, animou e encorajou os treze jovens frades a emitirem os votos temporários de pobreza, obediência e castidade nas suas mãos durante a Celebração Eucarística nesta segunda (8/01), na Igreja Matriz São Francisco de Assis, em Rodeio, pequena cidade catarinense no Vale do Itajaí. Depois de um “ano de provação”, os noviços e a Fraternidade Provincial aguardavam por este momento tão especial na vida do frade menor.

A Celebração, que começou às 19 horas, teve como concelebrantes o Definidor Frei Evandro Balestrim, e o guardião da Fraternidade do Noviciado, Frei José Antônio Cruz Duarte. Frades de toda a Província Franciscana da Imaculada Conceição, o Pe Arnaldo Allein, da Paróquia de Ascurra, familiares e a comunidade de Rodeio participaram deste momento histórico na vida dos treze jovens noviços (sete brasileiros e seis angolanos): Frei Alberto Capingala Martinho Sambei, Frei António Sacaputo Maimo, Frei Bruno Gonçalves Cezário, Frei Diego Martendal, Frei Eduardo José Cavita Camunha, Frei Inoc Joaquim João, Frei João Baptista Culiaquita, Frei João Manoel Zechinatto, Frei José Victor de Camargo Medeiros, Frei Marcelo Dias Soares, Frei Rodrigo José Silva, Frei Ruan Felipe Sguissardi e Frei Silvério Munga Cajonde. Frei Domingos Macuva Paulo (FIMDA) permanecerá como noviço por mais alguns meses por estar fazendo tratamento de saúde.

A celebração ganhou mais intensidade litúrgica no dia da Festa do Batismo do Senhor. Frei Fidêncio destacou que quando Jesus sai das águas depois de ser batizado, começa a concretizar aquilo o Servo de Deus deve realizar. “A profissão religiosa que nós, hoje, celebramos tem seu fundamento exatamente neste Servo de Deus que foi batizado por João Batista no rio Jordão. A profissão religiosa que nós aqui celebramos neste final de tarde na festa do Batismo do Senhor tem seu fundamento no próprio sacramento do batismo. Assim como pela profissão religiosa nós consagramos a Deus iniciando uma vida nova enquanto religiosos, também cada cristão é chamado pelo batismo a viver esta vida nova. E nós vivemos esta vida nova de diferentes modos, de diferentes maneiras. Vivemos o nosso batismo nos doando como cristãos no serviço da evangelização, no anúncio da boa nova. Nós também somos esses Servos do Servo de Deus quando nos disponibilizamos à ação do Espírito Santo de Deus em nós para andar pelo mundo fazendo o bem”, ressaltou Frei Fidêncio.

Dirigindo-se aos professandos, disse que esse chamado de Deus é um chamado para levar a cabo aquilo que o “batismo foi na história pessoal de cada um de vocês”.

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“Queridos noviços, professandos, a vocação de vocês é a vocação do Servo da Bíblia. A vocação de vocês não é uma escolha pessoal e tenho certeza que ao longo do ano do Noviciado, muitas e muitas vezes, vocês se perguntaram ou se colocaram diante de Deus como São Francisco se colocou na presença do Crucificado para rezar pedindo discernimento. A profissão que hoje vocês proclamam aqui solenemente nesta igreja é, na verdade, uma resposta de amor e fé a uma escolha divina, a um chamado divino”, enfatizou.

“Isso vocês nunca deveriam esquecer. Este chamado não pode se apagar. Este chamado não pode ficar numa data distante. Esta data: 8 de janeiro de 2018, uma segunda-feira à tarde, deve ser a data de todos os dias da vida consagrada de vocês. Deus assim vos escolheu, Deus assim vos chamou e eu tenho certeza também, meus caros professandos, que Deus, em muitos momentos ao longo do ano, tomou a cada um de vocês pela mão. Não com uma mão abstrata, uma mão invisível, mas com mãos concretas. As mãos concretas do Frei Abel, as mãos concretas do guardião Frei José Antônio, as mãos concretas do mestre Frei Samuel, as mãos concretas do Frei Rafael, as mãos concretas do Frei Rozântimo, as mãos concretas de Frei Pedro. Sim, Deus tomou vocês pelas mãos, exatamente para conduzir vocês na essência da nossa mística, na essência da nossa espiritualidade franciscana”, ensinou.

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Um dos momentos mais belos e centrais da profissão é quando os noviços colocam suas mãos nas mãos do Ministro Provincial. “São mãos humanas também, mãos muito humanas, mas é um ato de fé. É um ato de se colocar por inteiro nas mãos Deus para dizer: conduza-me, Senhor, qual servo para a missão profética que quero que vocês realizem. Por essas mãos todas, vocês foram formados, mas foram sobretudo chamados e constituídos para serem Servos, para levarem também, enquanto religiosos franciscanos, o seu batismo até as consequências maiores para, através dessa vida consagrada, através desse batismo, ser para o mundo de hoje luz e vida”, explicou.

No final, lembrou que São Francisco insiste em seus textos que jamais deveríamos extinguir em nós o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar. “Portanto, esse espírito do Senhor que conduziu o profeta no Antigo Testamento, através de João Batista, esse Espírito do Senhor está agindo de uma maneira misteriosa, mas de uma maneira forte e intensa na vida pessoal de cada um de vocês. Portanto, meus irmãos, coragem! Não tenham medo de serem Servos de Deus com fidelidade, com humildade, como ensinam São Francisco e Santa Clara de Assis”, completou o Ministro Provincial.

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O RITO

Depois da Liturgia da Palavra, o Mestre dos Noviços, Frei Samuel Ferreira de Lima, fez a chamada de cada um e os apresentou ao Ministro Provincial, que fizeram o pedido: “Pedimos humildemente, Frei Fidêncio Vanboemmel e a todos os confrades, que digneis admitir-nos à santa profissão na fraternidade dos Frades Menores”. Frei Fidêncio, então, respondeu: “Bendito seja Deus, que vos escolheu para conosco caminhardes em nova vida”.

Os professandos se aproximaram do Ministro Provincial e foram interrogados se estavam preparados para se consagrarem a Deus e buscarem a perfeição da caridade segundo a Regra e as Constituições da Ordem Seráfica. Depois, ajoelhados, com as mãos nas mãos do Ministro Provincial fizeram a profissão religiosa. Em seguida, cada professando assinou o documento da profissão, expressando com isso que a vida passa a ser colocada sobre os desígnios de Deus, e cada neoprofesso recebeu do Provincial a Regra e as Constituições da Ordem dos Frades Menores. O rito terminou com o abraço da paz dos frades aos neoprofessos num gesto de acolhida e comunhão à Fraternidade Provincial.

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Frei João Manoel Zechinatto falou em nome dos noviços e fez uma bela homenagem

AGRADECIMENTOS

O Ministro Provincial agradeceu especialmente à Fraternidade formadora de Rodeio, assim como a comunidade e os familiares dos noviços.

Frei João Manoel Zechinatto falou em nome dos noviços e começou agradecendo a Deus, aos familiares e amigos. “Se somos frutos é porque viemos de uma boa árvore. E se alguma honra hoje nos prestam, saibam que ela não nos pertence, dedicamo-la a vós que, com esmero, primaram, rezaram e ajudaram a sustentar está vocação dada pelo Senhor”, disse.

Ele agradeceu à Província Franciscana da Imaculada Conceição e também à Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola na pessoa do Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel. “Obrigado por nos acolherdes na caridade como filhos desta Ordem. Não temos nem ouro e nem prata, mas temos nossa vida e, com a graça e o espírito do Senhor, queremos, reta e sinceramente, devotá-la ao serviço desta Fraternidade Provincial”, prometeu.

A Fraternidade formadora do Noviciado ganhou um agradecimento especial. “Ao nosso querido Frei Abel que, em silêncio e oração, aponta o sentido pleno do ‘por toda a vida ser-te-ei fiel'; ao Frei Rozântimo pela presença fraterna e alegre entre nós; ao nosso vigário, Frei Rafael, sempre pronto no trabalho e no zelo por esta casa e por todos nós; ao nosso pároco e vice-mestre Frei Pedro que, com empenho, dedicação e esmero, nos acompanhou durante este ano na formação musical e litúrgica; ao nosso guardião, Frei José Antônio, por zelar, animar e cuidar de nossa Fraternidade; e o nosso agradecimento especial ao nosso mestre, Frei Samuel! Obrigado por toda a ternura e vigor que emana do seu ser frade e menor; por ser nosso amigo e irmão mais velho, que está junto acompanhando, direcionando e sendo exemplo. Obrigado a todos por serem História na nossa história”, detalhou, emendando agradecimentos à Comunidade e à Família Franciscana.

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Um dos momentos mais emocionantes da celebração: todos os noviços foram cumprimentar Frei Abel Schneider, com mais de 90 anos e com dificuldades de locomoção. E ele demonstrou todo o seu carinho para com o seu cuidador Frei Rodrigo 

 Falou, emocionado, dos irmãos que fizeram esta caminhada. “Gratidão é apenas uma palavra, mas a gratidão que transborda do nosso coração vai além das palavras. Eterna gratidão pela vida e vocação de cada irmão. Grandiosa gratidão a todos e tudo por hoje estarmos aqui”. E finalizou: “São Francisco, no final da vida, disse: ‘Recomecemos irmãos, pois pouco ou nada fizemos!’ Mas quem dirá que este pouco é realmente pouco? O que é nada aos olhos do mundo pode já ser o tudo aos olhos de Deus. Meus irmãos, o pouco desse tudo já começou aqui, sim, neste chão santo, neste ano santo iniciamos mais propriamente o nosso frade menor. Agora: Navegar é preciso! Não a sós, sempre juntos e como irmãos!”

O guardião do Noviciado, Frei José Antônio agradeceu especialmente a todos os benfeitores do Noviciado, que, muitas vezes, silenciosamente, anonimamente, ajudam esta casa de formação. “A formação não é só um ato do mestre, do vice-mestre, do guardião ou da Fraternidade formadora, mas toda a Comunidade deve participar, seja através da oração, seja através da ajuda material, seja através de conselhos quando é oportuno. Isso tudo é um modo de estarmos juntos construindo aqueles que serão os futuros ministros e irmãos de todos nós”, disse Frei José, convidando a todos para participar de um coquetel no claustro.

Os neoprofessos angolanos viajam nesta terça-feira para São Paulo e, no dia 11, viajam para Angola, onde vão cursar Filosofia por três anos e, depois, retornam ao Brasil para fazerem o Curso de Teologia no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis. Os frades brasileiros agora farão o Curso de Filosofia em Curitiba, mas residirão na Fraternidade São Boaventura de Campo Largo.

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