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Vida CristãLiturgia dominical

2º Domingo do Advento/Ano C

João Batista prepara o povo

2º Domingo do Advento/Ano C
1ª Leitura: Br 5,1-9
Salmo: 125
2ª Leitura: Fl 1,4-6.8-11
Evangelho: Lc 3,1-6

-* 1 Fazia quinze anos que Tibério era imperador de Roma. Pôncio Pilatos era governador da Judéia; Herodes governava a Galiléia; seu irmão Filipe, a Ituréia e a Traconítide; e Lisânias, a Abilene. 2 Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. Foi nesse tempo que Deus enviou a sua palavra a João, filho de Zacarias, no deserto. 3 E João percorria toda a região do rio Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, 4 conforme está escrito no livro do profeta Isaías: «Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. 5 Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. 6 E todo homem verá a salvação de Deus.»


* 3,1-20: A datação histórica (vv. 1-2) mostra que Lucas coloca os reis terrestres e as autoridades religiosas em contraste com a soberania e a autoridade de Jesus: o movimento profundo da história não se desenvolve no plano das aparências da história oficial. É Jesus quem realiza o destino do mundo, dando à história o verdadeiro sentido.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


TV Franciscanos – 2º Domingo do Advento/Ano C

 

Preparação para a vinda do Senhor

Somos chamados a crescer até estarmos na altura de receber Deus; mas, nesse crescimento, a força que nos anima é o próprio fato de Deus se voltar para nós. O que faz um aluno crescer é a atenção que o professor lhe dedica. O que faz uma criança andar é a mão estendida de sua mãe. Por isso, nosso crescimento para a perfeição se alimenta da contemplação do Deus que vem até nós. Na liturgia de hoje, esta perspectiva é considerada, por assim dizer, a médio prazo (no próximo domingo será a curto prazo). Lc situa no decurso da história humana o despontar do Reino de Deus, na atividade do Precursor, João Batista (evangelho). Ainda não se enxerga o “Sol da Justiça”, mas seus raios já abrasam o horizonte. A perspectiva é ainda distante, mas segura: “Toda a humanidade enxergará a salvação que vem de Deus” (Lc 3,6; cf. 1ª leitura). Para isso, João Batista prega um batismo que significa conversão, lembrando a renovação pelas águas do dilúvio, do Mar Vermelho, do Jordão atravessado por Josué.

João Batista usa a imagem do aplanar o terreno, abrir uma estrada para que o Reino de Deus possa chegar sem obstáculos. É a imagem com a qual o Segundo Isaías anunciou a volta dos exilados, liderados por Deus mesmo (Is 40,3-4; 42,16-17 etc.) e que, mais tarde, o livro de Baruc utilizou para incentivar a “conversão permanente” do povo à confiança em Deus (Br 5,7; 1ª leitura). Deus realiza sua obra, convoca seus filhos de todos os lados (Br 3,4), deixa sua luz brilhar sobre o mundo inteiro (3,3). A volta do Exílio foi prova disso (cf. salmo responsorial). Mas agora, anuncia João, vem a plenitude. Agora é preciso “aplanar” radicalmente o caminho no coração da gente.

A oração do dia fala no mesmo sentido: tirar de nosso coração todas as preocupações que possam impedir Deus de chegar até nós. Alguém pode entender isso num sentido individual. Mas não só isso. Vale também para a sociedade. Devemos tirar os obstáculos do homem e das estruturas que o condicionam. Renovação interior de cada um e renovação de nossa sociedade são as condições que a chegada do Reino, a médio prazo, nos impõe.

Portanto, o Reino não age sem nós. Não somos nós que o fazemos, mas oferecemo-lhe condições de se implantar, como um governo oferece condições a indústrias de fora para se implantar. Só que, no caso do Reino, podemos contar com os lucros do investimento … Estes lucros são “o fruto da justiça” de que Paulo fala (Fl 1,11; 2ª leitura). O Reino de Deus não vem somente pedir contas de nós; leva-nos a produzir, para nosso bem, o que Deus ama (pois ele nos ama).

O Reino já começou sua produção entre nós, desde a primeira vinda de Jesus. Porém, fica ainda para se completar. O que João pregou naquela oportunidade continua válido enquanto a obra não for completada. Somente, estamos numa situação melhor do que os ouvintes de João. Nós já podemos contemplar os frutos da justiça brotados de um verdadeiro cristianismo. Seja isso mais uma razão para dar ouvido à sua mensagem. Na medida em que transformarmos nossa existência histórica em fruto do Reino, entenderemos melhor a perspectiva que transcende nossa história, a plenitude cuja esperança celebramos em cada Advento (oração final).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

“Paz-da-justiça”:  desimpedir a chegada de Deus

Ainda três domingos nos separam do Natal. Logo mais estaremos celebrando que Deus quer chegar até nós. Mas será que nós lhe abrimos caminho? O evangelho nos apresenta João Batista, o austero pregador de conversão. Convoca o povo para endireitar os caminhos e aplanar as estradas, a fim de que Deus nos possa alcançar.

Para quem acredita, tal esforço não é penoso, pois a chegada de Deus não significa fiscalização, mas salvação: “Todos experimentarão a salvação que vem de Deus” (Lc 3,6). Quem espera coisa boa chegar, prepara a estrada com prontidão e alegria.

A 1ª leitura canta a beleza desta salvação que Deus nos traz: a cidade vai se chamar “Paz-da-Justiça e Glória-da-Piedade”. A justiça – o plano de Deus – produz paz e bem para todos, e o respeito e amor a Deus (a “piedade”) produzem a glória, a beleza e o esplendor de nossa sociedade. O contrário é verdade também: a exploração egoísta produz conflitos, e a idolatria do dinheiro, do poder e do prazer, um mundo desigual e inumano.

Se quisermos empenhar-nos por um mundo onde Deus se sinta em casa, afastaremos alegres os obstáculos que impedem isso. Obstáculos em nosso próprio coração: egoísmo, ambigüidade, desamor … Obstáculos no coração de nossa sociedade: estruturas injustas, desigualdades ruinosas, leis que produzem monstros de riqueza ao lado de miseráveis, política em favor só de alguns e não de todos …

Os obstáculos a serem derrubados estão em parte dentro de nós mesmos e, em parte, na estrutura de nossa sociedade. Importa trabalhar nos dois níveis, e isso, com alegria. Não com rancor, próprio dos que antes odeiam os outros (e até a si mesmos) do que amam o bem … O rancor não faz Deus chegar. O que marca quem procura experimentar a “salvação que vem de Deus” é a alegria. É uma alegria limpar o caminho para que a “Paz-da-Justiça” possa chegar, ainda que custe suor e luta.

Essa “Paz-da-Justiça” não provém de uma justiça qualquer, inventada por nós e feita sob a nossa medida, conforme nossos próprios interesses. Ela está em Jesus Cristo que vem. Para conhecer esta paz, importa ver o que Jesus faz e preparar-se para fazer o mesmo, como indivíduo e como sociedade. Vivermos conforme a justiça que Jesus nos mostra, participarmos do amor que ele tem ao Pai, é isso que vai ser nosso brilho e felicidade.

O sentido do Advento e do Natal não é algo sentimental, chorar de emoção por causa de uma criancinha. É alegrar-se porque aquele que podemos chamar de “filho de Deus” veio – e sempre vem – viver no meio de nós, para com seu exemplo e sabedoria, lucidez e entrega de vida, mostrar, no concreto, o que significa o bem conforme a última instância, que é Deus – a “Paz-da-Justiça”

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes