Argentino é eleito o novo Papa

“Annuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam!”

O Cardeal Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, 76 anos, é o 265° sucessor de Pedro, assumindo o nome de Francisco I. Foi eleito no quinto escrutínio no segundo dia do Conclave. Ele é o primeiro papa latino-americano da história. É também a primeira vez que o cargo é entregue a um membro da Companhia de Jesus.

Às 20h12 do dia 13 de março de 2013, o protodiácono Jean-Louis Tauran proclamou a famosa fórmula do Habemus Papam, no balcão Central da Basílica de São Pedro. Às 20h23, o recém-eleito apareceu para a multidão na praça São Pedro.

Frei Gustavo Medella, coordenador da Frente de Evangelização da Comunicação desta Província da Imaculada, revelou que vê com muita esperança a eleição do cardeal Bergoglio como o papa Francisco, e enumera as razões que o levam a nutrir em seu coração esta postura:

1) A Escolha do nome. Como franciscano fiquei exultante. Vejo no Pai Francisco a esperança e o apelo que o Senhor fez ao Santo de Assis: Francisco, vai e restaura minha casa!. Muito significativa a referência feita insistentemente pelo novo Papa na temática da fraternidade, elemento central da Espiritualidade Franciscana. Em seu breve discurso, o Papa Francisco falou do sonho da grande fraternidade apoiada no amor, no respeito e na paz. E também deu ênfase ao trabalho conjunto de condução da Igreja, de cooperação entre os bispos e o povo.

2) O fato de dar ênfase a seu ministério como Bispo de Roma. Vi com muita simpatia esta colocação. Parece estar sinalizando para uma condução da Igreja mais pautada nas peculiaridades das igrejas particulares sem, no entanto, que se perca a Comunhão com a Igreja de Roma, que tem o encargo de presidir a Igreja Universal na Caridade.

3) O emocionante gesto de se recomendar às orações do povo. Fiquei de fato muito comovido quando o Papa, antes de conceder ao povo a bênção Urbi et Orbi, pediu à multidão presente na Praça de São Pedro que orasse por ele. Humildemente, Francisco abaixou a cabeça e recebeu com docilidade e reverência as preces daquele povo. Esta é a Igreja sonhada por Jesus, da participação efetiva do povo na missão confiada por Cristo. Muito obrigado, Papa Francisco, seja bem-vindo! O mundo espera muito de seu Ministério!

Simpatia nas primeiras palavras

No primeiro discurso após ser escolhido papa, o novo Papa brincou e disse que os cardeais que o elegeram pontífice o buscaram “quase no fim do mundo”, em referência ao seu país de origem.

“Nos reunimos para escolher o novo papa. Me parece que meus irmãos cardeais foram buscá-lo [o novo papa] quase no fim do mundo. Mas aqui estamos.”

Após a brincadeira, o papa “agradeceu muito a comunidade diocesana de Roma pela acolhida” e fez uma oração ao antecessor. “Antes de mais nada, gostaria de fazer uma oração pelo nosso bispo emérito Bento 16.”

Depois da oração, o sumo pontífice pediu “paz e unidade à Igreja em todo o mundo” e pediu que a humanidade siga o “caminho da fraternidade”. “Vamos sempre orar uns pelos outros. Vamos sempre orar com o mundo todo, pra que sempre haja bastante fraternidade.”

Em seguida, pediu aos fiéis que orem por ele e abençoou os cristãos com a oração “De Roma para o mundo”.

Biografia

O novo pontífice é o Cardeal Jorge Mario Bergoglio,  que nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 17 de dezembro de 1936. É Ordinário para os fiéis de rito oriental residentes na Argentina e sem Ordinário do rito próprio.

O Papa jesuíta se formou como técnico químico, mas depois escolheu o caminho do sacerdócio e entrou para o seminário de Villa Devoto. Em 11 de março de 1958, passou para o noviciado da Companhia de Jesus. Completou os estudos humanistas no Chile e em 1963, voltou para Buenos Aires e se formou em filosofia na Faculdade de Filosofia do Colégio máximo San José, de São Miguel.

De 1964 a 1965, ensinou literatura e psicologia no Colégio da Imaculada de Santa Fé e, em 1966, ensinou essas mesmas matérias no Colégio do Salvador, em Buenos Aires. De 1967 a 1970, estudou teologia na Faculdade de Teologia do Colégio máximo San José, de São Miguel, onde se formou.

Em 13 de dezembro de 1969 foi ordenado sacerdote.  Em 1970-1971, completou a terceira aprovação em Alcalá de Henares (Espanha), e em 22 de abril de 1973 fez a profissão perpétua.

Foi mestre de noviços em Villa Barilari, San Miguel (1972-1973), professor na Faculdade de Teologia, Consultor da Província e Reitor do Colégio máximo. Em 31 de julho de 1973, foi eleito provincial da Argentina, cargo que desempenhou por seis anos.

De 1980 a 1986, foi reitor do Colégio máximo e das Faculdades de Filosofia e Teologia dessa mesma Casa e pároco da Paróquia de São José, na Diocese de San Miguel.

Em março de 1986, viajou para a Alemanha para completar sua tese de doutorado. Foi enviado pelos seus superiores ao Colégio do Salvador e passou para a igreja da Companhia na cidade de Córdoba, como diretor espiritual e confessor.

Em 20 de maio de 1992, João Paulo II o nomeou Bispo titular de Auca e Auxiliar de Buenos Aires. Em 27 de junho do mesmo ano, recebeu na catedral de Buenos Aires a ordenação episcopal das mãos do Cardeal Antonio Quarracino, do Núncio Apostólico Dom Ubaldo Calabresi e do Bispo de Mercedes-Luján, Dom Emilio Ogñénovich.

Em 3 de junho de 1997 foi nomeado Arcebispo Coadjutor de Buenos Aires e em 28 de fevereiro de 1998 Arcebispo de Buenos Aires por sucessão à morte do Card. Quarracino. É autor dos livros: «Meditaciones para religiosos» del 1982, «Reflexiones sobre la vida apostólica» del 1986 e «Reflexiones de esperanza» del 1992.

É Ordinário para os fiéis de rito oriental residentes na Argentina que não podem contar com um Ordinário de seu rito. Grão-Chanceler da Universidade Católica Argentina.

Relator-Geral adjunto da 10ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (outubro de 2001).

De novembro de 2005 a novembro de 2011 foi Presidente da Conferência Episcopal Argentina.

Foi criado Cardeal pelo Beato João Paulo II no Consistório de 21 de fevereiro de 2001, titular da Igreja de São Roberto Bellarmino.

É Membro: das Congregações: para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos; para o Clero; para os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica;  do Pontifício Conselho para a Família: da Pontifícia Comissão para a América Latina.

Bergoglio enfatiza a humildade em sua vida pessoal, cozinhando sua própria comida, indo de ônibus para o trabalho em Buenos Aires. E uma de suas atitudes mais famosas espelha uma ação lendária de são Francisco de Assis.

Assim como o santo italiano da Idade Média cuidava dos leprosos e não tinha medo de beijá-los, Bergoglio ficou conhecido, em 2001, por lavar e beijar os pés de 12 pacientes com Aids que visitou no hospital.

Repercussão

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner, afirmou nesta quarta-feira (13) que foi surpreendido com a eleição de um Papa latino-americano. Steiner deu entrevista após o anúncio do Vaticano de que o novo Papa é o argentino Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires.
“É um momento de muita alegria para todos nós […]. Fomos surpreendidos com a eleição de um latino-americano. Creio que até ficamos emocionados de recebermos uma notícia tão bonita”, afirmou D. Leonardo à imprensa na sede da CNBB em Brasília.

Frei Vitório Mazzuco, professor do Instituto Teológico Franciscano, deu o seguinte depoimento: “FRANCISCO I… Primeiro Papa Jesuíta, primeiro a reverenciar o nome do pequeno Grande, Mendicante de Sentidos da cidade de Assis, o nosso querido, simples e simpático São Francisco de Assis; primeiro Papa latino americano… Que a convocação  franciscana o inspire: “Francisco, vai! Reconstrói a minha Casa!”. Sua fala simples e serena propondo hospitalidade, fraternidade, silêncio e oração…são reveladoras. Rezar o Pai Nosso na língua da cidade em que ele é Bispo, Roma, também foi um gesto de apreço e de religiosidade popular. Estou surpreso, e mais do que isto, esperançoso! Que ele tenha uma missão na Paz e no Bem!”