Francisco ganha o mundo

A eleição do Cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio e a escolha do nome Francisco colocou São Francisco de Assis na pauta do dia, na boca do povo.

Na coletiva desta quinta-feira, três cardeais brasileiros falaram sobre a eleição do novo Papa e a escolha do nome. Dom Odilo Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, contou ainda que visitou o túmulo de São Francisco de Assis, no domingo anterior ao conclave. Chegando lá, ele encontrou o cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn. “Mas um dominicano num lugar tão franciscano!”, comentou o brasileiro na ocasião. O colega disse que seria bom que a Igreja tivesse um Papa com espírito franciscano. “É um sinal para o que a Igreja quer e precisa fazer”, afirmou Odilo na entrevista coletiva nesta quinta-feira. “Não se fazem saltos mortais na Igreja, mas existe uma continuidade.”

 Outro que também foi a Assis no período pré-conclave foi Dom Geraldo Majella. “Rezei naquela hora para que o Papa pudesse realmente ser o que fizesse as vezes de São Francisco”, afirmou. “Ele [Bergoglio] foi chamado e não teve nenhuma dificuldade de ser aclamado. Ele tem 76 anos, mas pode em pouco tempo fazer muito. O testemunho dele vai ser muito importante para o mundo, vai chamar a atenção do mundo. Vamos rezar para que ele seja feliz e, sendo feliz, faça a Igreja feliz”, disse. Para Dom Geraldo, a escolha não foi surpreendente. “Não foi uma grande surpresa no sentido de que ele não pudesse ser o possível candidato”, disse. “É um grande dom de Deus para a Igreja, para o mundo, um homem que tem um testemunho de vida. Ele vive o nome Francisco, é diferente dos outros”, afirmou.

O presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, contou à  Rede Católica de Rádio que o papa Francisco já traz suas características expressas no nome que ele escolheu, inspirado no santo de Assis. “São Francisco, como nós sabemos, é um santo da pobreza, da simplicidade, da comunhão com todas as pessoas, e com a própria natureza… Aliás, é o patrono da ecologia. As marcas deste novo papa: o primeiro latino americano, um argentino, o primeiro a adotar este nome “Francisco”, o primeiro jesuíta… Mas creio que vai marcar o seu pontificado pela características de ser um verdadeiro pastor. Um pastor que ama o seu povo, que está inteiramente voltado para o cuidado do seu povo, mas ao mesmo tempo aberto ao mundo, a todos os demais povos, com os que pertencem a uma outra religião… Ele terá este coração grande, aberto, à exemplo de São Francisco de Assis. Creio que esta espiritualidade certamente inspirará o novo papa, pela simplicidade, pelo diálogo, que serão suas marcas, como foram quando ele foi arcebispo de Buenos Aires: um homem de grande simplicidade, de grande amor aos pobres”, disse.

Na opinião do padre José Oscar Beozzo, estudioso da história da Igreja Católica na América Latina, a escolha do nome do novo Papa é muito significativa: “Tivemos um jesuíta que não escolheu o nome de Inácio, mas de Francisco. Acho que isso é muito significativo porque São Francisco de Assis é o santo mais querido dentro e fora da Igreja Católica”.

Beozzo acredita que a escolha também remete à postura que o novo papa deve adotar com relação aos muçulmanos. “Francisco esteve no coração de um conflito que hoje se repete, que é o conflito do que fazer frente ao Islamismo. Na época de Francisco, o Papa convocou a guerra contra o mundo islâmico, e Francisco tomou um barco e foi ver o sultão do Egito para falar de paz, de amizade. Até hoje os muçulmanos respeitam Francisco e os franciscanos. Acho que nesse momento isso é um recado muito importante”. São Francisco é também conhecido por seu amor à natureza, e Beozzo afirma que a escolha é também um compromisso com a preservação ambiental. O novo papa é visto como um homem simples, que cozinha a própria comida, anda de metrô e ônibus em Buenos Aires. “É uma pessoa que escolheu o nome de Francisco não por fantasia, mas acho que por uma opção de vida”. Para Beozzo, a escolha toca um tema fundamental na trajetória da igreja latino-americana, que é a opção pelos pobres. “Ele é visto como um irmão universal, também irmão dos pobres”.

Franciscanos convidam o Papa para visitar Assis

“De Assis um grande abraço, afetuoso e filial, a você, Papa Francisco, novo Vigário de Cristo”. É o que desejam os frades franciscanos de Assis ao novo Pontífice.

Numa nota, os franciscanos agradecem a Deus e se alegram pela eleição do Cardeal Jorge Bergoglio, manifestando “sentimentos de gratidão, sincero afeto e profundo obséquio, prometendo como Francisco obediência e reverência ao senhor Papa”.

“Neste ano da fé – prossegue a nota – ao acompanhar o início do seu ministério com incessante oração, esperam de acolher o Sumo Pontífice nos lugares sagrados à memória de São Francisco, estreitamente ligados a Sede Apostólica com a Igreja que está em Assis guiada pelo seu Bispo Domenico Sorrentino”.

Os franciscanos, na carta enviada ao Papa Francisco, dizem saber ‘que Jesus está no comando de sua Igreja’ e assim querem seguir o novo Papa ‘com afeto e obediência’. Os frades também expressam “confiança de que, assim como tantos dos seus predecessores até Bento XVI, também você venha logo a esta Cidade onde Francisco continua a anunciar com todo seu ser, à Igreja e ao mundo, o Evangelho que salva”.

 

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