“Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão”

Esta foi a principal mensagem do Papa Francisco na oração do Ângelus deste domingo (17/3), a primeira de seu pontificado. Uma grande multidão veio até a Praça de São Pedro, ao meio-dia (8 horas pelo horário de Brasília), para rezar e ouvir o novo Pontífice na janela do apartamento papel.

O Papa falou da misericórdia de Deus a partir do Evangelho da liturgia deste domingo (Jo, 8), que apresenta o episódio evangélico do perdão concedido por Jesus à mulher adúltera, por ele salva da morte por apedrejamento ao dizer as palavras “Quem não tem pecado, atire a primeira pedra!”. Segundo o Papa Francisco, “Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão”, disse ele. “Temos de aprender a ser misericordiosos com todos”, afirmou, antes de começar a oração do Ângelus.

“Vocês já pensaram na paciência de Deus? É sua misericórdia. Ele não se cansa de nos perdoar, se soubermos voltar para ele com o coração arrependido. É grande a misericórdia de Deus”, disse, vestindo a batina branca e uma cruz de ferro no pescoço, como tem se apresentado desde que foi eleito.

Ao final da oração, ele ainda completou: “A misericórdia torna o mundo menos frio”. No fim da mensagem sobre a misericórdia, ele rezou o Ângelus, pediu que os fiéis rezem por ele e desejou: “Bom almoço!”. A multidão da praça São Pedro, então, aplaudiu e gritou: Viva o papa!

Francisco, que é argentino, lembrou que as origens de sua família estão na Itália. “Mas nós fazemos parte de uma família maior, a família da Igreja”, disse o Papa.

Antes do Angelus, Papa celebra Missa

Mais cedo, o papa celebrou uma missa dominical na paróquia de Santa Ana, no Vaticano (9h locais,5h de Brasília). Antes de entrar na pequena igreja, o Pontífice parou para cumprimentar a multidão que o aguardava do lado de fora. Apertou mãos, fez carinho nas crianças e trocou palavras com muitas pessoas.

Chegando perto da Porta Angélica, o Papa reconheceu dois sacerdotes argentinos que estavam em meio aos fiéis e os chamou para a Missa. Francisco foi recebido pelo vigário para a Cidade do Vaticano, Cardeal Angelo Comastri.

Sua homilia foi breve sobre o Evangelho deste domingo. “Digo humildemente, para mim, a mensagem mais forte do Senhor é a misericórdia. Acredito que às vezes, nós somos como este povo, que, por um lado, quer ouvir Jesus, mas, por outro, gosta de criticar ou condenar os outros”.

O Papa disse que não é fácil entregar-se à misericórdia de Deus, porque é um abismo incompreensível; mas devemos fazê-lo! E garantiu que Jesus perdoa os pecados, tem a capacidade “de esquecer”, gosta se lhe contamos nossas coisas; beija, abraça e diz “Não te condeno; vai e não peque mais”.

“Este é o único conselho que dá. E mesmo se voltarmos depois de um mês e lhe contarmos novos pecados, o Senhor não se cansará de perdoar: jamais. Somos nós que nos cansamos de Lhe pedir perdão. Pedimos a graça de não nos cansarmos de pedir perdão”, encerrou.

Antes de terminar a missa, o Papa Francisco interrompeu por alguns momentos a celebração para homenagear um jovem missionário. Foi ao microfone e disse que dentre os fiéis, alguns não eram membros da paróquia, mas que “hoje são como paroquianos”:  “Quero lhes apresentar um padre que trabalha com meninos de rua, com os abandonados. Fez muito por eles, como uma escola que restitui dignidade aos meninos e meninas da rua, que agora, amam Jesus. E pediu a Gonsalvo que fosse ao altar para cumprimentar todos. O padre trabalha no Uruguai, onde fundou a escola João Paulo II.

Ao encerrar a missa, o Papa saiu e apertou as mãos de todos, um por um, abraçando a falando com mais intimidade com alguns.