Papa Francisco inaugura pontificado e reassume compromisso com os pobres

Frei Gustavo Wayand Medella

Simplicidade, sobriedade, simpatia, solidariedade, serviço, sabedoria… Todos estes substantivos perpassaram a celebração da Missa inaugural do Pontificado do Papa Francisco. Antes de se dirigir à sacristia para se paramentar, o Papa circulou em carro aberto pela Praça de São Pedro. Acenou, sorriu, beijou e abraçou crianças e outros fiéis, desceu do carro e foi ao encontro do povo. Em seguida, já paramentado, dirigiu-se ao túmulo de São Pedro, em companhia dos patriarcas das Igrejas Orientais, para seu momento pessoal de prece diante da sepultura do primeiro Vigário de Cristo. No serviço ao Papa Francisco, os freis franciscanos do Monte Alverne, com hábitos e sandálias, lembrando o despojamento e a simplicidade do Poverello de Assis.

São Francisco também se fez presente na homilia do Santo Padre, ressaltado por seu amor e respeito à criação e, ao final, invocado junto a São José, o Santo do Dia, a Virgem Maria e os Apóstolos Pedro e Paulo, a quem o Papa pediu intercessão junto a Deus. Ao refletir sobre a figura de São José, o Pontífice recordou seu devotamento ao cuidar de Jesus e Maria, num cuidado que também depois se alarga à Igreja.

A vocação de guardar, de cuidar, segundo o Papa, é um chamado que não se restringe aos cristãos, mas a todo ser humano. “Entretanto, a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos”, sublinhou o Papa Francisco. (LEIA A HOMILIA NA ÍNTEGRA) 

E este espírito de cuidado, o Papa também recomendou a todos aos governantes e aos que exercem cargos de comando na sociedade: “Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos ‘guardiães’ da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiães do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo!”

Além de exortar ao cuidado, o Papa também se comprometeu a cuidar da Igreja como um servidor: “Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? (…) Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos”. Ao fim da reflexão, como tem feito reiteradamente, o Sumo Pontífice se recomendou à oração do povo. Também, no início da homilia, pediu orações e fez um agradecimento ao seu antecessor Bento XVI.

A Praça de São Pedro estava repleta, com cerca de 200 mil pessoas. Muitos líderes religiosos de diversas tradições e chefes de Estado se fizeram presentes, inclusive a Presidenta do Brasil, Dilma Roussef. Ao término da Missa, depois de cumprimentar os chefes de Estado, o Papa postou em seu twitter: “Guardemos Cristo na nossa vida, cuidemos uns dos outros e guardemos a criação com amor!” Nesta terça-feira, o Papa Francisco tem uma agenda lotada, com muitos encontros previstos e uma série de compromissos. No próximo fim de semana, ele almoça com o Papa Emérito Bento XVI.

E o Papa Francisco?

E o Papa Francisco? Quanta esperança, quanta alegria, quanto entusiasmo já semeou no seio da Igreja nestes poucos dias de pontificado. Chegou mostrando a que veio, acolhendo os sinais da graça, reconhecendo na voz e no abraço do franciscano Dom Claudio Hummes o sopro do Espírito Santo que lhe dizia: “Não se esqueça dos pobres!” Aquela recomendação tomou a mente e o coração do Cardeal argentino, que não pensou muito e logo se lembrou da unânime figura de São Francisco de Assis.

Na escolha do nome, a marca da simplicidade expressa em seguidas ações que manifestam claramente o propósito do novo Papa: ser servo, pastor, amigo e companheiro do povo. O papa do simples e do sóbrio, de saída, dispensou o manto, o brilho e a cruz dourada à qual o Romano Pontífice até então fazia jus. Preferiu permanecer com a veste branca, simples, sem muitos enfeites ou detalhes. Não quis saber de carro oficial, de muita pompa.

Tem sido simpático, acolhedor, paciente, atencioso com quem vem ao seu encontro, como foi com os fiéis que participaram da Missa de domingo, que ele celebrou numa paróquia que se localiza dentro do Vaticano. Cumprimentou a todos, brincou com as crianças, pediu orações, beijou e foi beijado no rosto, colocou-se como um irmão. Da mesma forma ao chegar para Missa de inauguração de seu pontificado, quando desceu do papamóvel e foi ao encontro do seu povo, com sorrisos, afagos, palavras simples e carinhosas. Quantos gestos importantes e belos do nosso querido Papa Francisco. Vamos rezar pelo nosso querido Pastor. Viva o Papa Francisco! Viva São José! Viva Nosso Senhor Jesus Cristo!