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Celebração do Trânsito de Santa Clara

INTRODUÇÃO

Nossa Mãe Santa
Clara, fez de toda a sua existência um perene ação de graças. Na hora de sua morte elevou a Deus o seu mais belo Hino de louvor: “Sê bendito, Senhor porque me Criastes, fazendo de seu transito um memorial da própria morte do Senhor irradiando na Igreja e no mundo sua luz claríssima.

Irmãos e irmãs, neste momento elevemos também a Deus o nosso hino de ação de graças pela vida da Mãe Santa Clara, recordando o momento glorioso de seu transito, em que o Rei da glória e a virgem Maria vieram buscá-la levando-a ao tálamo celestial. Em pé
iniciemos a nossa procissão.

Comentarista: Todos de pé iniciemos o Trânsito da Mãe Clara em que comemoramos os últimos momentos de sua vida e a
passagem desta vida para a entrada nas moradas eterna glória.Unidos no mesmo ideal evangélico clariano, por uns instantes, volvamos nosso olhar para a longínqua cidade de Assis, na Itália…, para o pequeno Mosteiro de São Damião e celebremos, em espírito de gratidão e louvor, segundo o costume tradicional da Ordem de Santa Clara, o glorioso trânsito de Santa Clara. Ela que sempre encarou a vida como dom, pôde  no derradeiro momento entoar o seu hino de humildade e pobreza ao Pai das misericórdias, doador de tudo que é bom.

Revivamos
com emoção os últimos episódios da sua peregrinação terrena. Este é um momento de alegria para todos nós. Clara recebeu a morte não como inimiga indesejada, mas a abraçou como irmã, porta para a verdadeira vida.

HINO:

Santa Clara tudo aclara

com seu fúlgido clarão;
de Jesus se torna esposa;
a Francisco dando a mão.

Ele corta-lhe os cabelos
e os coloca sobre o altar;
nada mais ela possui,
nada mais tem para dar.
Eis irmão Sol e irmã Lua
a brilhar no mesmo céu;
um se despe em plena praça,
outra oculta-se num véu.
Ambos cingem-se de estrelas,
triunfal constelação;
a vestir a mesma estopa,
dividir o mesmo pão.
Demos glória ao Pai e ao Filho,
e ao Espírito também.
Em Francisco, uns aos
outrosnos saudemos: “Paz e Bem!”

(SENTADOS)

1° leitor:
Queridos irmãos e  irmãs com a Mãe Santa Clara compreendemos melhor a extensão dessas palavras do Apóstolo: “Nenhum de nós vive para si e ninguém morre para si. quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao senhor”. (Rm. 14,7-8)

Todos: Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã morte corporal da qual homem algum pode fugir.

2° leitor: Clara fez da sua vida uma adesão total a Cristo pobre e Crucificado, tendo em vista a participação nos seus sofrimentos a fim de merecer, com Ele, entrar na glória.

Todos: Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.

Comentarista: Quarenta anos haviam passado, desde que Clara abandonou os bens passageiros e ingressou definitivamente na vida de seguimento a Cristo Pobre e de Sua Mãe Ssma. Desponta-se então, nova aurora e Aquele a quem dedicou toda a vida estava próximo. Com toda razão ela podia exclamar: “Tudo o que para mim era vantagem, considerei perda por Cristo. ”Sua vida foi uma contínua Ação de Graças, pois ela compreendeu a eminência do mistério de Cristo; a dor e o sofrimento, longe de extinguir o seu espírito de louvor, antes o incrementava.

SALMO 112

Ant.    Vinde filhas, para perto do Senhor
e brilhe em vossa face a sua luz.

Louvai, louvai, ó servos do Senhor, *

louvai, louvai o nome do Senhor!

Bendito seja o nome do Senhor,*

Agora e por toda a eternidade!

]            Do nascer do sol até o seu ocaso, *

Louvado seja o nome do Senhor!

O Senhor está acima das nações,* Sua glória vai além dos altos céus.
=    Quem pode comparar-se ao nosso Deus, +
ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono*
e se inclina para olhar o céu e a terra?

]
]Levanta da poeira o indigente*

e do lixo ele retira o pobrezinho,

para fazê-lo assentar-se com os nobres,*

assentar-se com os nobres do seu povo.

]
]Faz a estéril, mãe feliz em sua casa,*

Vivendo rodeada de seus filhos.

Ant.     Vinde filhas, para perto do Senhor   e brilhe em vossa face a sua luz.

SALMO 147

Ant.     O Senhor a colocou para as vinhas vigiar;
As vinhas floresceram e exalaram seu perfume.

– Glorifica o Senhor, Jerusalém!
Ó Sião canta louvores ao teu Deus!

– Pois reforçou com segurança as tuas portas,
e os teus filhos em teu seio abençoou;
– a paz em teus limites garantiu
e te dá como alimento a flor do trigo.

– Ele envia suas ordens para a terra,

e a palavra que ele diz corre veloz;
– ele faz cair a neve como lã
e espalha a geada como cinza.

– Como de pão lança as migalhas do granizo,
a seu frio as águas ficam congeladas.
– Ele envia sua palavra e as derrete,
sopra o vento e de novo as águas correm.

– Anuncia a Jacó sua palavra,
seus preceitos e suas leis a Israel.
– Nenhum povo recebeu tanto carinho,
a nenhum outro revelou os seus preceitos.

Ant.     O Senhor a colocou para as vinhas vigiar;
As vinhas floresceram e exalaram seu perfume.

NARRADOR:
“Durante quarenta anos correra ela no estádio da Altíssima pobreza e já se aproxima o prêmio da vitória final, precedida, porém de muitos sofrimentos. Com efeito, o vigor de sua constituição física fora abalado, nos primeiros anos, por severa penitência. Enquanto gozava de saúde se enriquecera com os méritos de suas obras, agora enferma se enriquece com os méritos de seus sofrimentos. Pois “é na fraqueza que se revela a força”. ( 2Cor.12,9).

Até que ponto a sua maravilhosa virtude se aperfeiçoara na enfermidade se evidencia principalmente pelo fato de que, em vinte e oito anos de contínuas dores “não se ouviu nenhuma queixa  ou murmuração”; pelo contrário, seus lábios sempre tinham uma santa conversação, uma contínua ação de graças.

E ainda que, esgotada como estava pelo peso das enfermidades, parecesse que seu fim estivesse iminente, contudo aprouve ao Senhor adiar o seu trânsito até o momento em que pudesse ser exaltada com dignas honras pela Igreja Romana, que a gerara e da qual era filha especial. (Legenda,39).

2° leitor: Supliquemos, também nós, o auxílio da Mãe Santa Clara, à humilde serva do Senhor.

Canto: Clara, és luz de vida; o mundo está com saudade de ti.

Sente falta do teu estar em silêncio aos pés do Senhor Deus; sente falta de tu’alma aberta para Deus e para o homem.
Sente falta de tua vida doada na pobreza de São Damião; sente falta de tua voz clara, que, forte, grita o Evangelho.
Sente falta de tuas mãos erguidas, que intercedem pela humanidade; sente falta de tua oração, que sustenta longo caminho.
Escuta, ó Clara, esta nossa oração, que elevamos confiantes a ti, acolhe o brado do homem que sofre, perante o Senhor Deus. Clara, és luz de vida, o mundo está com saudade de ti.

O mundo está com saudade de ti. Clara, Clara, Clara.

1° leitor: De fato aproximava-se o momento derradeiro para aquela Primeira Dama Pobre que almejou unicamente, seguir em humildade Aquele que, sendo rico, fez-se pobre. Contudo, aprouve ao Senhor conceder uma consolação à reverente filha da Igreja que a sempre se mostrou submissa e obediente à Mãe Mística que a havia gerado para a vida bem-aventurada. Ouçamos o seu
Biógrafo:

NARRADOR
“Já se apressa a Divina Providência a cumprir o seu desígnio a respeito de Clara; apressa-se Cristo a sublimar a pobre peregrina até ao palácio do Reino Supremo. Esta já arde e suspira no anseio de “livrar-se deste corpo de morte (Rm 7, 24) e de contemplar o Cristo reinando nas eternas moradas, a quem sendo pobre na terra, ela pobrezinha, tinha seguido de coração. Assim é a seus membros, consumidos pela enfermidade, acrescia uma nova debilidade, que por sua vez denunciava a próxima chamada do Senhor e preparava o caminho para a saúde eterna.

O Senhor Inocêncio IV, de santa memória, juntamente com os cardeais, se apressavam em visitar a serva de Cristo. E reconhecendo que a vida dela era superior à das outras mulheres de nosso tempo, não duvidava de honrar a morte dela com a sua presença papal. Entrando no Mosteiro, se dirige ao leito da enferma e leva a mão aos lábios dela para que a beije. Ela a toma com muito agrado e pede para beijar, com suma reverência, o pé do Sumo Pontífice. O Senhor Papa coloca sobre um escabelo de madeira o pé, que ela beija de frente e de lado, inclinando reverentemente o rosto.

Em seguida, com seu semblante angelical, pede ao Sumo Pontífice a remissão de todos os pecados. “Oxalá – exclama ele – eu não tivesse mais necessidade de perdão do que a Senhora!” E lhe dá, com o benefício duma absolvição geral, a graça de uma ampla
benção.

Quando todos se haviam retirado, pois naquele dia ela recebera das mãos do Ministro Provincial a Sagrada Hóstia, disse, entre lágrimas e com os olhos elevados ao céu, à suas Irmãs: “Filhinhas minhas, louvai o Senhor, porque hoje Cristo se dignou conceder-me um benefício tal, que os céus e a terra não bastariam para recompensá-lo. Hoje, prosseguiu ela, recebi o Altíssimo e mereci ver o seu Vigário. (Legenda)

Ant.     Em Cristo, Deus Pai a escolheu
Para que fosse, perante a sua face
Sem mácula e santa pelo amor.

CÂNTICO
Ef 1,3-10

Bendito e louvado seja Deus,*

o Pai de Jesus Cristo, Senhor nosso,

que do alto céu nos abençoou em Jesus Cristo*

com benção espiritual de toda sorte!

R. Bendito sejais vós, nosso Pai,
que nos abençoastes em Cristo!

Foi em Cristo que Deus Pai nos escolheu,*

já bem antes de o mundo ser criado,

para que fôssemos, perante a sua face,*

sem mácula e santos pelo amor.

=   Por livre decisão de sua vontade, +

predestinou-nos, através de Jesus Cristo, *
a sermos nele os seus filhos adotivos,

para o louvor e para a glória de sua graça, *

que em seu Filho bem amado nos doou.

É nele que nós temos redenção, *

dos pecados remissão pelo seu sangue.

Sua graça transbordante e inesgotável +

Deus derrama sobre com abundância, *

De saber e inteligência nos dotando.

E assim, Ele nos deu a conhecer *

o mistério de seu plano e sua vontade,

que propusera em seu querer benevolente, *

na plenitude dos tempos realizar:

o desígnio de, em Cristo, reunir *

todas as coisas: as das terra e as do céu.

Ant.     Em Cristo, Deus Pai a escolheu
Para que fosse, perante a sua face
Sem mácula e santa pelo amor.

Comentarista: Aproximava-se para a Mãe Santa Clara o fim do exílio, o dia das núpcias eternas, em que receberia, daquele a quem fielmente amou e serviu,  o prêmio da perseverança. É ela mesma que nos comunica o quanto o Senhor foi suave para com sua serva e como tudo se simplifica quando a opção é total e definitiva. Ouçamos com veneração, a narrativa dos últimos momentos de sua vida, conforme no-los descreve Celano.

NARRADOR

“Por fim, viram-na debater-se na agonia durante muitos dias, nos quais cresceu a fé de muita gente e a devoção popular; os Cardeais a visitavam assiduamente, de modo que era honrada como verdadeira santa. O mais maravilhoso, porém, é que, não podendo durante dezesseis dias tomar alimento algum, foi sustentada pelo Senhor com tal fortaleza, que a todos os visitantes confortava no serviço de Cristo. E exortando-a o bom Frei Reinaldo à paciência no longo martírio de tão grave enfermidade, respondeu-lhe desembaraçadamente: “Desde que conheci a graça de meu Senhor Jesus Cristo por meio daquele meu servo Francisco, nenhuma pena me foi
molesta, nenhuma penitência pesada, nenhuma enfermidade difícil, caríssimo irmão,”. Mas quando o Senhor se fazia sentir mais perto e como que já estivesse à porta, ela queria que os sacerdotes e irmãos espirituais assistissem  a ela, lendo em voz alta a Paixão do Senhor e suas santas palavras. Finalmente ela se voltou para as suas filhas  que choravam, a fim de recomenda-lhes a pobreza do Senhor e lhes lembrar, com palavras de louvor, os divinos benefícios. Abençoou seus devotos e devotas e implorou a graça de uma copiosa bênção sobre suas
filhas, tanto presentes como futuras.

Quanto ao resto: quem poderá relatar sem chorar? Estavam presentes aqueles dois companheiros benditos de Nosso Pai São Francisco: um deles, Ângelo, triste, consolava os tristes; outro, Leão, beijava o leito da que ia partir. As filhas desamparadas choravam a separação da piedosa mãe e acompanhavam com lágrimas aquela que delas se separava. Afligiam-se amargamente, já que todo o seu consolo desapareceria junto com ela, e abandonadas neste “vale de lágrimas”, não mais serão consoladas por sua mestra.

O rigor da clausura exige silêncio, mas a violência da dor arranca gemidos e soluços.

E a Virgem, entrando em si, fala silenciosamente à sua alma: “Vai segura, minha alma porque tens um bom guia de viagem. Vai porque Aquele que te criou, também te santificou e, cuidando de ti, como uma mãe cuida de seus filhos, te amou com terno amor. Senhor, sede bendito porque me criaste”!
Perguntando-lhe uma das irmãs com quem estava falando respondeu: “Falo a minha alma bendita”. E aquela gloriosa coorte já não estava mais longe dela. Pois, dirigindo-se em seguida a uma de suas filhas, diz: “Vês, ó filha, o Rei da Glória que eu vejo? “

Também sobre outra irmã se manifestou a mão do Senhor. Com seus olhos carnais ela contemplou, entre lágrimas, uma visão feliz. Viu, entrando na casa , um coro de virgens, vestidas de túnicas alvas; todas tinham sobre as cabeças uma coroa de ouro. Caminhava
entre elas uma que era mais resplandecente que as demais, de cuja coroa, que em seu arremate apresentava uma espécie de turíbulo com orifícios , se difundia tão grande esplendor, que dentro da casa converteu a noite em dia luminoso. Ela se
adiantou ao leito onde estava a esposa do Filho, e inclinando-se amorosamente sobre a mesma, lhe deu um abraço suavíssimo. As virgens deixaram ver um pano mortuário de rara beleza e, enquanto à firmeza de ânimo prestavam seus serviços, cobriram o corpo de Clara e adornaram o seu leito.

Na manhã do dia seguinte, festa de S. Lourenço, aquela alma santíssima saiu do corpo para ser coroada com o prêmio eterno.

1° leitor: Desfeitos os laços da carne, emigrou o espírito feliz para o céu. Certamente bendito foi aquele êxodo do vale de lágrimas, que para ela se tornou a entrada na vida bem-aventurada. Agora, em vez dum pobre viático, se alegra à mesa dos concidadãos celestes. Agora, em vez da vileza da cinza, é adornada na bem-aventurança do céu, com a estola da glória  eterna.(Legenda).

todos: Alcançou verdadeiramente, com sua vida pobre e humilde, Aquele que criou tudo do nada. Foi cooperadora do próprio Deus e sustentadora dos membros débeis do seu inefável corpo(III Carta de Sta. Clara)

2° leitor: Suas últimas palavras foram recolhidas e guardadas como relíquias. São lembradas e cantadas com amor e devoção, no dia de hoje, por todas as clarissas do um do inteiro. “Vai segura minha alma, porque tens um bom Guia para conduzir-te. Vai tranqüila, porque Aquele que te criou, te santificou e te ama com amor enternecido de uma mãe por seu filhinho querido. E vós, Senhor, sede bendito porque me criastes.”

Vai segura, minha alma
Vai segura, minha alma

Porque tens aqui bom guia
Para o céu te conduzir,
Vai sem medo, vai tranqüila.

Pois Aquele que a criou
Te vestiu de Sua verdade

Tem por ti um grande amor

E te quer na santidade.

Este amor é de ternura,
Mais que a mãe ao seu filhinho,
Neste amor tu me criaste
E pra sempre sê bendito.

ANT.   Elevo o cálice da minha salvação,
invocando o  nome santo do Senhor.

SALMO 115

Eu guardei a minha f é mesmo dizendo:
É demais o sofrimento em minha vida!
Confiei, quando dizia na aflição:
“Todo homem vive assim, só na mentira”.

Ref.:   Vou cumprir minhas promessas ao Senhor

Na presença de seu povo reunido.
Me quebrastes todos os grilhões da escravidão;
Em tua casa encontrei refúgio e abrigo.

O que posso dar em troca ao meu Senhor
Por aquilo que Ele fez a meu favor?
Ergo o cálice da minha salvação,
Invocando o Nome Santo do Senhor.

É sentida por demais pelo Senhor
Toda morte dos Seus Santos,
Seus amigos.
Eu que sou teu fiel servo, ó Senhor,
Este servo que nasceu de
Tua serva.

Ofereço um sacrifício de louvor,
Invocando o nome Santo do Senhor!
Na presença de seu povo reunido;
Em tua casa cantarei o teu louvor!

ANT.   Elevo o cálice da minha salvação,
invocando o  nome santo do Senhor.

COMENTARISTA:Lembrando o Trânsito de nossa Mãe Santa Clara, de joelhos rezemos cinco vezes o Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai, em honra de sua gloriosa morte e nas intenções do Santo Padre.

(SENTADOS)

2° LEITOR: Se grande foi a dor pela perda da incomparável Mestra, muito maior foi alegria que brotou do coração das
filhas que podiam, agora, assegurar-se da Sua intercessão no Céu.
Logo após a morte de Clara, foi enviada a todas as irmãs da Ordem a seguinte carta:

NARRADOR
“A todas as Irmãs da Ordem, espalhadas pelo mundo inteiro, as irmãs que moram em Assis desejam salvação no Autor da
mesma. Enquanto nos atormenta o aguilhão de uma tristeza terrível, queremos comunicar-vos, não sem lágrimas, a história desconsoladora, referindo-vos com lamentos dolorosos a notícia triste de que o espelho da estrela matutina, em cujo esplendor admirávamos o reflexo da verdadeira luz, desapareceu de nossa vista. Pereceu aquela que era o apoio da nossa Ordem. Ó dor, a portadora da nossa profissão já terminou a caminhada da peregrinação humana. A Senhora Clara, nossa Mãe e guia, venerável formadora, reclamada pelo paraninfo nupcial que dissolve os vínculos da carne, isto é, a morte, voou há ao tálamo do Esposo
celeste.
E sua partida triunfal e trânsito solene da terra ao céu, embora espiritualmente cumule de gozo os nossos sentidos, do ponto de vista temporal enche os nossos olhos com um rio de lágrimas; porque, enquanto subtraiu seus passos ao terreno resvaladiço do prazer humano e os dirigiu pela senda da salvação, ela se ocultou, a nossos olhos. Pois aprouve ao Senhor, talvez por culpa de nossa imperfeição, que Clara, gloriosa, irradiasse antes a sua claridade no trono do Céu, e não continuasse presidindo, graciosa, as irmãs, no seu lugar na terra.

Para que falar mais? Não se pode explicar com expressões humanas a profundidade dessa bem-aventurança. Mas convém que
conheçais pelo menos o prêmio que ela, pela graça de Deus, recebeu pouco antes de seu trânsito; pois veio visitá-la o Vigário de Cristo, acompanhado do Colégio de seus irmãos, os cardeais, que não a abandonou nem mesmo depois de morta, honrando com sua presença as exéquias dela.

Podeis imaginar a dor que a sua morte causou aos nossos corações. Mesmo assim queremos abrir nossas almas aos louvores da glória divina e levantar a palma da alegria. Que o entendimento dos mortais compreenda com que júbilo foi recebido o seu venerável corpo pelo exército celeste e como lhe saíram ao encontro os espíritos bem-aventurados e como ela se apresentou ante os olhos do Criador, refulgente pelos diversos milagres que nela realizou o poder do Altíssimo…

Comentarista:
Clara, preclara por méritos claros, brilha no céu com claridade de glória insigne, e na terra pelo esplendor de milagres sublimes. Aqui cintila a austera e Ordem de Clara. (Bula de Canonização)
Todos: Ela luziu no século, mais ainda resplandeceu na vida religiosa. Na casa paterna foi como um raio luminoso,
mas no Mosteiro cintilou com fulgor. Brilhou na sua vida, resplandeceu depois da sua morte.

- LEITURA BREVE  – (Sb 6,12-13)

A sabedoria é resplandecente e sempre viçosa. Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram. Ela até antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam

2° leitor: Clara entrou gloriosa no céu. Foi assumida pela eterna luz. É Santa Clara de Assis. Cristo, seu Divino Esposo, Maria Santíssima, os Anjos e Santos a recebem.

1° leitor: De pé cantemos à fiel discípula do Crucificado Pobre que jubilosa entrou no Céu e tornou-se, para sempre, a Forma e Modelo das Irmãs Pobres.

Salve Clara

Antífona:         Salve Clara,
Esposa de Cristo,
Virgem santa, nobre flor
De uma Ordem tão
Seráfica
Vaso puro do Senhor.

Para todas tuas irmãs,
Foste exemplo
tão materno!
Conduzi-nos, por tua prece,
Ao celeste Reino
eterno.

MAGNIFICAT:

Minh’alma canta, canta a grandeza do Senhor.
O meu espírito exulta de alegria em Deus me Salvador.

Porque voltou seu olhar para a baixeza de sua serva.

E doravante todos os povos me chamarão feliz,
me chamarão
feliz, me chamarão feliz.

Derrubou dos tronos os poderosos e
elevou os humildes.

Encheu de bens os famintos e despediu os com as mãos vazias.
Minh’alma canta a grandeza do Senhor,
o meu espírito exulta de
alegria em Deus meu Salvador.

Ou

– Magníficat  anima mea
Dóminum
– et exultávit spíritus meus
in Deo salvatóre meo,
– quia respéxit humilitátem ancíllae suae.
Ecce enim ex hoc beátam me dicent omnes generatiónes.
– quia fecit mihi magna, qui potens est,
et sanctum nomem eius,
– et misericórdia eius in progénies et progénies
timéntibus eum.
– Fecit poténtiam in bráchio suo,
dispérsit supérbos mente cordis sui;
– depósuit poténtes de sede
et exaltávit humiles;
– esuriéntes
implévit bonis
et dívites dimísit inánes.
– Suscépit Israel púerum suum,
recordátus misericórdiae,
– sicut locútus est ad patres nostros,
Abrahan et sémini eius saécula.
– Glória Patri et Fílio
et Spíritui Sancto.
– Sicut erat in princípio, et nunc et semper,
et in saécula saeculórum. Amen.

V. É preciosa na presença do Senhor,
R. A morte de Santa Clara, Virgem.

PRECES:

COMENTARISTA

Celebremos com alegria e invoquemos o Cristo Senhor, esposo e cordeiro imaculado, a quem as
virgens seguem onde quer que ele vá; e digamos:

R. Jesus, rei das virgens, atendei-nos!

Ó Cristo, que louvastes os que guardam a virgindade por causa do Reino dos céus,
concedei-nos compreender corretamente as vossas palavras e aderir a vós de corpo casto e alma pura.
Ó Cristo, que pela nossa salvação oferecestes a vossa carne sobre o madeiro em sacrifício ao Pai.

–      fazei que crucificando o nosso corpo com os vícios e as concupiscências, completemos o que falta à vossa paixão.

Ó Cristo, que desposastes a Igreja, virgem casta como única esposa, tornai-a santa e imaculada, e concedei-nos a graça de guardar íntegra e pura a nossa fé em Vós.
Ó Cristo, que nos concedeis a graça de alegrar-nos com a festa da Mãe Santa Clara,
fazei que por sua intercessão, sejamos dignas de Vós.
Recebestes as santas virgens para a ceia de vossas núpcias eternas;
admiti com bondade no banquete celeste os nossos irmãos e irmãs falecidos.

Oremos: Ó Deus, que na vossa misericórdia atraístes a Mãe Santa Clara ao amor da pobreza, concedei, por sua intercessão,
que seguindo o Cristo com um coração de pobre, vos contemplemos um dia em vosso reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Todos: Amém