Vida CristãNotícias › 03/09/2013

Papa Francisco pede Jornada de Jejum e Oração pela Paz

Um forte apelo à paz, retomando as célebres palavras do seu predecessor, Paulo VI, “Nunca mais a guerra!”, marcou o discurso do Papa Francisco no domingo passado por ocasião da Oração Mariana do Angelus, em que sublinhou que “a paz é um dom muito precioso que deve ser promovido e tutelado”

Os numerosos fiéis que, mais do que nunca, enchiam a Praça de São Pedro, reagiam com aplausos de consentimento às vibrantes palavras do Papa que disse estar profundamente preocupado com as diversas situações de conflito que se vivem no mundo, de modo particular na Síria.

“Vivo com particular sofrimento e preocupação as tantas situações de conflito que há nesta terra, mas, nestes dias, o meu coração está profundamente ferido por aquilo que está a acontecer na Síria, e angustiado pelas dramáticas evoluções que se prospectam”.

guerra

O Papa dirigiu por isso, do fundo do coração, um forte apelo à paz: “Dirijo um forte apelo à paz, um apelo que nasce do íntimo de mim mesmo! Quanto sofrimento, quanta devastação, quanta dor trouxe e trará o uso das armas naquele martirizado país, especialmente entre a população civil, inerme! Pensemos em quantas crianças não poderão ver a luz no futuro!”

E o Pontífice condenou firmemente o uso das armas químicas, recordando que há um julgamento de Deus e também da História a que não se pode escapar: “Com particular firmeza, condeno o uso das armas químicas: digo-vos que tenho ainda fixas na mente e no coração as terríveis imagens dos dias passados! Há um julgamento de Deus e um julgamento da História sobre as nossas ações a que não se pode fugir! Não é nunca o uso da violência que leva à paz. Guerra chama guerra, violência chama violência!”

Às partes em conflito o Papa pediu para não se fecharem nos seus interesses, e a empreenderem com coragem e decisão a via do dialogo… “Com toda a minha força, peço às partes em conflito para ouvirem a voz da própria consciência, a não se fecharem nos seus interesses, mas a olharem para o outro como irmão e a empreender, com coragem e decisão, a via do encontro, da negociação, ultrapassando a cega contraposição”.

Não faltou uma palavra em relação à comunidade Internacional: “Com igual energia exorto também a Comunidade Internacional a envidar todos os esforços possíveis a fim de promover, sem demoras, iniciativas claras para a paz naquela Nação, baseadas no dialogo e na negociação, para o bem de toda a população síria” .

O Papa pediu ainda que não se poupem esforços no sentido de garantir assistência humanitária às pessoas afetadas por este terrível conflito, especialmente os que ainda estão no país e os numerosos refugiados nos países vizinhos.

Por fim, o Santo Padre anunciou algumas iniciativas que a Igreja vai empreender a favor da paz na Síria e no mundo. Tudo para que o grito de paz se eleve bem alto em todos os corações: “Por isso, irmãos e irmãs, decidi proclamar para toda a Igreja, no dia 7 de Setembro próximo, véspera da Natividade de Nossa Senhora, Rainha da Paz, uma jornada de jejum e de oração para a paz na Síria, no Médio Oriente, e no mundo inteiro”.

O Papa convidou a aderir a esta iniciativa os “irmãos cristãos não católicos, aos membros doutras Religiões e pessoas de boa vontade”. E acrescentou: “No dia 7 de Setembro na Praça de São Pedro, aqui das 19 às 24 horas, nos reuniremos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada Nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo. A humanidade precisa de ver gestos de paz e de ouvir palavras de esperança de paz!”.

E ao deixar a cada Igreja local a possibilidade de organizar como melhor entenderem esta iniciativa de paz, o Papa rezou, juntamente com os fieis, a Nossa Senhora, Rainha da Paz, para que nos ajude a responder à violência, aos conflitos e às guerras, com a força do diálogo, da reconciliação, do amor.

“Ela é mãe: que nos ajude a encontrar a paz”.

As outras armas

“Onde Deus está não há ódio, inveja e ciúmes e não se dizem palavras que matam os irmãos”: foi o que disse o Papa Francisco na manhã desta segunda-feira, 2 de setembro, na Eucaristia na Capela da Casa Santa Marta, onde recomeçou a celebrar a missa com a presença de grupos, depois da pausa de Verão.

O encontro de Jesus com os seus conterrâneos, os moradores de Nazaré, na narração do Evangelho de São Lucas proposta pela liturgia do dia foi o tema da homilia do Papa. Os nazarenos admiravam Jesus – observou o Papa – mas esperavam dele algo grandioso para acreditarem nele: “queriam um milagre, queriam um espetáculo”. Quando Jesus disse que eles não tinham fé, ficaram furiosos. Levantaram-se e levaram Jesus até ao monte para empurrá-lo e matá-lo”:

“Prestem atenção como as coisas mudaram: começaram com a beleza, com a admiração, e terminaram com um crime; queriam matar Jesus por ciúmes, inveja, estas coisas… Esta coisa não aconteceu dois mil anos atrás… isto acontece todos os dias em nossos corações, em nossas comunidades. É assim: no primeiro dia, as pessoas dizem: “Que boa esta pessoa que chegou aqui à nossa comunidade”. No primeiro dia falam bem, no segundo não tanto, no terceiro já começam as intrigas e acabam por acabar com ele”.

“Uma comunidade, uma família – prosseguiu o Papa – é destruída por esta inveja, que semeia o diabo nos corações e faz com que se fale mal uns dos outros”. “Nestes dias – sublinhou – estamos falando tanto sobre a paz, vemos as vítimas das armas… mas é preciso pensar também nas nossas armas quotidianas: a língua, os mexericos, as intrigas”. “As comunidades – concluiu – devem viver com o Senhor e ser como o Céu”.

“Para que haja paz numa comunidade, numa família, num país e no mundo, temos que estar com o Senhor. Onde o Senhor estiver, não existe inveja nem criminalidade, ódio e nem ciúmes. Existe fraternidade”. “Peçamos ao Senhor para não matarmos jamais o próximo com a nossa língua e estar com Ele como todos nós estaremos no Céu”.

 Fonte: Rádio Vaticano