Vida CristãSantos franciscanos › 07/02/2018

Santa Coleta de Corbie

Virgem da Segunda Ordem (1381-1447). Canonizada por Pio VII no dia 24 de maio de 1807.

O século XVI foi fértil em movimentos de reforma em quase todas as Ordens. Enquanto os franciscanos dão vida a uma prodigiosa Observância com um grupo de grandes Santos e Apóstolos, a Ordem das Clarissas também experimentou diversas iniciativas de retorno à primitiva austeridade. Para levar a cabo tal empreendimento, de promover uma reforma intensa na vida das Irmãs Pobres de Santa Clara, escolheu Deus uma humilde e corajosa virgem da França, Coleta de Corbie.

A sua vida foi, desde a infância, marcada pelo signo do milagre: nasceu duma mãe já idosa, teve um crescimento prodigioso e mostrou desde cedo tendência para a solidão, penitência e oração. Privada dos pais, seguiu o impulso para a vida claustral, mas, a princípio resistiu ao apelo que já recebera, de promover a reforma da Ordem, e, por isso, no seu entender como castigo, ficou durante algum tempo cega e muda. Mas, por fim, rendeu-se à vontade divina, apresentou-se ao Papa, que então se encontrava em Niza, e expôs-lhe a vontade de Deus a seu respeito. Como resultado, o próprio Papa lhe deu o hábito de Clarissa, recebeu dela a profissão da primeira regra de Santa Clara e encarregou-se de estender seu projeto de reforma a todos os mosteiros franceses de Clarissas.

Com doçura e fortaleza, Coleta empreendeu a reforma não só das Clarissas, por mandato de Bento XIII, mas também dos Frades Menores. Reformou 17 mosteiros da II Ordem na observância da estrita pobreza preconizada pela regra de Santa Clara, à qual acrescentou Constituições. Estendeu a sua influência a 7 conventos dos Frades Menores. O resultado foi uma avalanche de novas vocações de meninas, tanto nobres quanto plebeias, que na Itália se fizeram Clarissas e na França Coletinas. Morreu santamente a 6 de março de 1447, com 66 anos de idade.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

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Papa Pio IX

João Maria Mastai Ferretti  (1792-1878). TOF. Beatificação, 3 de setembro de 2000, por João Paulo II   

Nasceu a 13 de maio de 1792 em Senigallia, filho de Jerônimo e catarina Solázzi. Fez os primeiros estudos em Volterra e mais tarde freqüentou o Colégio Romano. Foi ordenado sacerdote a 19 de abril de 1819 e, dois anos mais tarde fez-se Terceiro Franciscano, no convento de São Boaventura no Palatino. Acompanhou Mons. João Muzi na delegação apostólica do Chile e do peri (1823-25).

Em junho de 1827 foi sagrado bispo de Espoleto, onde pôs à prova qualidades de homem de governo. Em 1832 Gregório XVI nomeou-o cardeal e bispo de Ímola, onde muito se empenhou em apaziguar os ânimos de diversas facções políticas que exerciam uma violência sanguinária. Por morte de Gregório XVI foi eleito Papa num dos mais breves conclaves da história, e escolheu o nome de Pio IX. Promulgou uma ampla anistia para presos políticos e suavizou as condições sociais dos judeus abolindo a clausura dos guetos. Criou uma congregação para os assuntos do Estado, à qual inicialmente ele mesmo presidiu, pondo em ordem o Governo dos Estados Pontifícios. Propugnou por uma federação italiana, mas sem êxito, por oposição da Áustria.

Resistiu a todas as pressões feitas para declarar guerra a essa nação, preferindo escrever ao Imperador Austríaco pedindo-lhe o reconhecimento da Itália como Nação. A 15 de novembro de 1848 foi assassinado o Ministro Pellegrino Rossi, e Roma ficou exposta à anarquia e à pilhagem, e o próprio Papa se viu obrigado a fugir para Gaeta, onde foi acolhido pelo Rei Fernando II. Em Roma formou-se, entretanto, um governo republicano. A partir de Gaeta o Papa foi informando os governos que mantinham relações com a Santa Sé dos acontecimentos, e solicitou ajuda. Eles não deixaram de atender os seus pedidos e lhe restituíram o poder. De novo concedeu uma ampla anistia e empreendeu reformas políticas. Trabalhou com afinco na recuperação econômica do Estado, realizou importantes obras em quase todos os portos e na cidade de Roma, transformando-a numa capital moderna.

Promoveu a cultura e fomentou investigações arqueológicas. Em 1857 fez uma ronda pelas cidades dos Estados Pontifícios para escutar os súditos. Teve de suportar avanços e recuos dos governos europeus a respeito da questão romana, e de aceitar a unificação da Itália com a perda dos Estados Pontifícios: como protesto contra isso, e sobretudo contra o modo como isso foi feito, encerrou-se no Vaticano. Perante a perseguição laicista que se desencadeou em quase todos os países, foi formando um movimento católico laico em defesa dos direitos da Igreja.

O Papa começou a prestar mais atenção à Igreja na América Latina, ao ressurgimento católico na Alemanha e aos problemas da Polônia ocupa e repartida. Fomentou as missões entre os fiéis, que tinham decaído desde finais do século XVIII; empenhou-se na unificação dos cristãos dos Balcãs e do Oriente; criou uma Congregação especial para as Igrejas Orientais. Depois de consultar o episcopado de todo o mundo, a 8 de dezembro de 1854 definiu o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Convocou e celebrou o Concílio Vaticano I, que teve de ser suspenso devido à guerra entre a França e a Prússia (de dezembro de 1869 a julho de 1870) Para esse concílio convidou também as Igrejas separadas e os Chefes de Governo católicos, que tinham abandonado seu papel de defensores da fé. O concílio terminou com a constituição “De fide catholica” e a definição da infalibilidade do Papa.

Morreu a 7 de fevereiro de 1879 e foi sepultado provisoriamente no Vaticano e em seguida trasladado para S. Lourenço extramuros, de acordo com seu desejo. Foi dos pontificados mais longos da história, vivido no meio de turbulências políticas e religiosas. Apesar disso, a sua obra foi intensa e profunda em todos os campos.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.