Missa de Ação de Graças encerra Ano Jubilar das Irmãs Concepcionistas

Por Moacir Beggo

São Paulo (SP) - Com uma celebração solene terminou neste domingo (11/9) o Encontro Jubilar da Ordem da Imaculada Conceição na capela do Mosteiro da Luz, em São Paulo. O encerramento do Ano Jubilar, contudo, será nesta segunda (12), com uma peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, presidiu a celebração eucarística, tendo como concelebrantes o Vigário Provincial, Frei Estêvão Ottenbreit, que é o assistente nacional da Federação das Irmãs Concepcionistas do Brasil, e o pároco de Santo Antônio, em Florianópolis, Frei Clemente Müller. Frades da Província da Imaculada e religiosos (as) também marcaram presença neste momento festivo para a grande Família Franciscana.

Dos 18 mosteiros existentes no Brasil, 14 estiveram presentes neste grande encontro no Mosteiro da Luz para celebrar os 500 anos de aprovação da Regra da Ordem da Imaculada Conceição. O Ano Jubilar teve início no dia 8 de dezembro de 2010, quando começaram as celebrações. Foi exatamente no dia 17 de setembro de 1511, festa das Chagas de São Francisco, que o Papa Júlio II aprovou a Regra de Santa Beatriz da Silva, que foi beatificada pelo Papa Pio XI em 26 de julho de 1926 e solenemente canonizada em 3 de outubro de 1976 pelo Papa Paulo VI. Sua festa é celebrada no dia 17 de agosto.

O Ministro Provincial abriu a sua homilia ressaltando que ao falar da aprovação de uma Regra não estava pensando num texto jurídico, num texto canônico, ou “uma pequena brochura que foi encaminhada ao Papa”. Segundo ele, quando falamos da aprovação de uma Regra ou da forma de vida, estamos, sim, celebrando a vida das Irmãs Concepcionistas, o valor dessa vocação consagrada dentro da Igreja, a serviço da Igreja e a serviço da humanidade inteira.

“A Regra que nós, hoje, celebramos, essa forma concreta de vida, é resultado de uma caminhada. É fruto de uma experiência de vida”, observou, dizendo que a Regra da Ordem da Imaculada Conceição levou 22 anos para ser escrita.

“A aprovação desta forma de vida significa que a Igreja toda, através do Papa Júlio II, disse para nós todos que estas irmãs têm uma vocação, uma missão específica dentro do mundo, da Igreja. Vivem essa vocação cristã dentro de uma forma contemplativa. Não escondidas dentro de um mosteiro, dentro de um claustro, mas, sim, vivem essa vocação e missão no recolhimento, num espaço de grande liberdade, que elas chamam de vida em clausura”, explicou o Ministro Provincial.

Frei Fidêncio questionou: “Não são elas que estão atrás de uma grade. Ninguém de nós deveria perguntar às irmãs como elas se sentem atrás das grades, porque elas vão devolver a nós a mesma pergunta: como é que vocês se sentem atrás das grades? Porque todos nós queremos viver como filhos e filhas de Deus, no espaço da liberdade cristã. E elas escolheram este espaço. Enclausuradas, sim, mas no espaço da liberdade de filhas de Deus”, acrescentou, lembrando o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, que em sua Carta celebrativa, disse que a Regra das Irmãs não é exclusividade delas. Todos nós deveríamos nos sentir envolvidos por essa missão específica que elas traduzem. “Repito, a dimensão contemplativa”.

No momento de ação de graças, o cantor e compositor Cláudio Fontana apresentou o Hino do Ano Jubilar. Carismático, ele cativou as irmãs e os fiéis com a sua devoção e voz tão conhecida da música “O Homem de Nazaré”.

Mensagem de Frei Estêvão
O assistente nacional da Federação das Concepcionistas do Brasil, Frei Estêvão Ottenbreit, lembrou que mais do que uma data festiva, a celebração dos 500 anos de aprovação da Regra “nos coloca diante do renovado desafio de corresponder a esta inspiração particular, doada pelo Espírito Santo aos que levam adiante a missão de Jesus Cristo na e através da Igreja”.

Ao falar da elaboração da Regra, lembrou que assim como São Francisco, não houve um planejamento prévio e, sim, resultado já de uma revisão de vida, de caminhada, de experiência concreta. “Explico melhor: Assim como São Francisco se dirigiu ao papa para obter a aprovação de sua ‘forma de vida’ segundo o Santo Evangelho em 1209 e depois, nos anos seguintes a colocou em prática com os seus irmãos no dia a dia da consagração a Deus e aos homens, assim também Santa Beatriz da Silva obteve do papa Inocêncio VIII, no dia 30 de abril de 1489 a confirmação de sua ‘forma de vida’, sonhada e pedida em constante oração, através da bula “Inter Universa”. Assim se constitui o primeiro mosteiro da Imaculada Conceição de Toledo e consequentemente todos os mosteiros que a partir deste foram surgindo, ou seja da própria Ordem da Imaculada Conceição.

Curiosamente, em ambos os casos não se elabora imediatamente uma regra para projetar e planejar o dia a dia das respectivas “formas de vida”. Apenas se inicia a caminhada e no dia a dia vai se construir lentamente o que um dia seria recolhido na REGRA, resultado então não de uma previsão e sim de uma experiência cotidiana, de vida concreta com seus altos e baixos, com as suas alegrias, dificuldades e tristezas”.

Segundo Frei Estêvão, dois aspectos, portanto, valem a pena ser ressaltados:
1. A Regra OIC, à semelhança da Regra dos Frades Menores, é resultado de uma “longa” caminhada. Para os franciscanos esta caminhada se deu de 1209 a 1221 (Regra não bulada) e 1223 (Regra bulada) respectivamente. Uma caminhada, portanto, de 14 anos. Para a Ordem da Imaculada Conceição a caminhada elaborativa da Regra – com experiência da regra cisterciense (beneditina) e clariana (Pobres Damas de Santa Clara) – levou 22 anos, sendo aprovada pelo papa Júlio II no dia 17 de setembro de 1511.
2. Outra particularidade de ambas as regras é o fato que as duas serem fruto de uma caminhada. Quer dizer, resultam da tradução das respectivas “formas de vida” inspiradas pelo Espírito de Deus a Francisco e a Beatriz, em vida consagrada concreta. Hoje, diríamos até, que foram “construídas” a “muitas mãos” num mutirão corresponsável dos irmãos e das irmãs, respectivamente. Ou, em outras palavras, estas regras mostram a “plantinha de Assis” e a “plantinha de Toledo” em flor e fruto.

LEIA O TEXTO COMPLETO DE FREI ESTÊVÃO.