Vida CristãSantos franciscanos › 10/04/2017

Bem-aventurado Marcos Fantuzzi de Bolonha

Sacerdote da Primeira Ordem (1405-1479). Pio IX aprovou seu culto em 5 de março de 1868.

Entre os chefes franciscanos do século XV, lugar especial ocupa o Beato Marcos Fantucci de Bolonha, ao qual se deve principalmente a preservação da Observância como corpo separado, quando esta parecia estar prestes a fundir-se compulsoriamente com o ramo dos Conventuais.

Depois de ter  recebido excelente educação que o capacitava a uma boa posição e à grande fortuna do qual se tornara o único herdeiro, ele renunciou a todas as vantagens mundanas, quando contava 26 anos de idade, para receber o hábito de São Francisco.

Três anos após a sua profissão, foi escolhido guardião de Monte Colombo, o lugar onde São Francisco recebera a regra de sua Ordem. Obteve tanto êxito na conversão dos pecadores, que São João Capistrano, então vigário-geral dos observantes da Itália, lhe deu permissão de pregar fora de sua província.

Tendo servido duas vezes como ministro provincial, o Beato Marcos foi eleito vigário-geral para suceder a Capistrano, e mostrou-se zeloso na defesa da estrita observância da regra: diversas reformas que ele empreendeu tinham por objetivo reanimar o espírito de seu fundador.

Depois da tomada de Constantinopla, um número tão grande de franciscanos foi reduzido pelos turcos à escravidão, que Marcos escreveu a todos os seus  provinciais, insistindo em que eles recorressem às esmolas dos fiéis para resgatar os cativos; mas como resposta a um pedido de instrução sobre como agir na zona de perigo, ele ordenou aos missionários franciscanos dos lugares ameaçados pelo Islã vitorioso, que deviam permanecer em seus postos e enfrentar corajosamente o que lhes pudesse acontecer.

Ele conseguiu executar um projeto longamente acariciado de fundar um convento das clarissas em Bolonha. S. Catarina de Bolonha veio de Ferrara, com algumas de suas monjas, estabelecê-lo, e encontrou no Beato Marcos alguém que podia lhe prestar toda a ajuda da qual ela necessitava.

Ele visitou, na qualidade de comissário, todos os frades, desde Cândia, Rodes até a Palestina, e ao retomar à Itália, foi eleito vigário-geral pela segunda vez. Sem jamais se poupar, empreendeu longas e cansativas expedições à Bósnia, à Dalmácia, à Áustria e à Polônia, muitas vezes percorrendo longas distâncias a pé.

O Papa Paulo II queria fazê-lo cardeal, mas ele fugiu para a Sicília, a fim de não ser forçado a aceitar uma dignidade de que fugia.

O papa seguinte, Sixto IV, concebeu um projeto ainda menos aceitável, porque desejava ardentemente unir todos os franciscanos em um só corpo, sem exigir nenhuma reforma dos conventuais. No encontro convocado para tratar da questão, o Beato Marcos usou de toda a sua eloquência para derrotar a proposta, mas evidentemente em vão.

Por fim, em lágrimas, atirou o livro da regra aos pés do papa, exclamando: “Oh, meu seráfico Pai, defende tua própria regra, porque eu, miserável como sou, não posso defendê-la”. Em seguida retirou-se da sala. O gesto obteve o que os argumentos  foram incapazes de conseguir: a assembleia se dissolveu sem ter chegado a uma decisão, e o esquema caiu por terra. Em 1479, enquanto pregava uma missão quaresmal em Piacenza, o Beato Marcos caiu doente e morreu no convento da Observância, situado fora da cidade. Seu culto foi confirmado em 1868.

O Beato Marcos é tratado amplamente em diferentes anos dos Annales Ordinis Minorum de Wadding, e pode-se encontrar um relato sumário em Mazzara, Leggendario Francescano, vol. I (1676), p. 431-440. Veja-se também Léon, Auréole Séraphique (trad. para o inglês), vol, II, p. 1-13.