Carta do Ministro Geral

Caros Irmãos,

Com alegria e gratidão uno-me a vocês nesta celebração dos 25 anos da Fundação Missionária em Angola.

Quero agradecer a Deus pelo dom do carisma missionário dado a São Francisco de Assis que impulsiona nossa Ordem para viver e anunciar o Evangelho pelo mundo afora. O mandato de Jesus a seus discípulos ainda ressoa em nossos ouvidos: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Nesta ocasião agradeço de modo especial a todos os confrades que deixaram tudo em seu país e colocaram-se à disposição do projeto de Deus para viver e anunciar o Evangelho em Angola.

Há 25 anos, quatro confrades chegaram a esta missão cheios de entusiasmo por saber que estavam concretizando um gesto significativo da Província da Imaculada por ocasião das celebrações do 1° centenário da restauração. Hoje todos podem ver os frutos do esforço dos confrades missionários e angolanos que, juntamente com outros religiosos e leigos, fizeram e fazem tanto para que mais pessoas tenham vida em abundância e conheçam o Evangelho de Jesus Cristo, fonte de vida eterna.

As dificuldades que surgiram, especialmente pelos momentos de conflitos e guerras, certamente não foram poucas. Contudo, o Mestre e Senhor que nos chama à vida consagrada e à missão nunca nos abandona. A missão pertence a Ele.

Obrigado a todos os missionários que resistiram e não abandonaram as ovelhas diante do perigo!

Sabemos que durante os 25 anos houve muito empenho na evangelização, foram realizados muitos trabalhos, construções e organização de comunidades. Muitos jovens angolanos sentiram o chamado de Deus para serem franciscanos e alguns já se consagraram a Ele. Tudo isso é fruto da presença significativa da vida franciscana.

Quero recordar-lhes os valores centrais de nossa vida. Primeiro a nossa relação com Deus, que deve ser sempre cultivada com atenção e amor. Depois a nossa relação fraterna: a pertença à fraternidade vem antes de qualquer outra categoria de pertença e também a fraternidade precisa de dedicação total e de empenho evangélico e absoluto; não se contentem nunca com uma qualidade de vida medíocre em fraternidade. Ainda, coloquem em prática a simplicidade de vida e sobriedade para dar um maior testemunho possível ao povo angolano. Enfim, como nos sugere também o Papa Francisco, cuidado para não caírem na armadilha do clericalismo, que não tem nada a ver com a nossa identidade franciscana.

Esperamos que todo o empenho dos missionários continue produzindo frutos para o Reino de Deus e que o povo angolano tenha sempre mais vida em abundância. Que a reconstrução depois da guerra seja principalmente de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Esperamos também que o Senhor da messe continue chamando jovens angolanos para se consagrarem a Ele e anunciarem Jesus Cristo, único Salvador, com a vida e a palavra.
Com toda gratidão invocamos as mais copiosas bênçãos sobre esta fraternidade.

Frei Michael Anthony Perry, OFM
Ministro Geral

Roma, 08 de setembro de 2015.