Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil

Situada nos estados de: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco,
Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Endereço da Sede:
Rua do Imperador, 206
CEP: 50010-240
Recife – PE
Tel: (81) 3424-4556

Site: www.ofmsantoantonio.org/
Facebook: www.facebook.com/ofmsantoantonio/

Histórico

O estabelecimento definitivo dos Franciscanos no Brasil deu-se em 1585. Já anteriormente tinham sido feitos pedidos neste sentido aos Provinciais de Portugal. Talvez esta situação continuasse por muito tempo, se o Ministro Geral Frei Francisco Gonzaga não empenhasse a sua autoridade para este fim, depois de ter recebido do Governador Jorge de Albuquerque Coelho o pedido formal e endossado pelo Rei Filipe II, da Espanha, sob cujo domínio se achava Portugal desde 1580, para fundar um convento em Olinda.

Depois de longos e necessários preparativos, os frades fundadores partiram de Lisboa no dia primeiro de janeiro de 1585, e aportaram no Recife, a doze de abril do mesmo ano. Na festa de São Francisco, a quatro de outubro do corrente ano, passaram a residir na casa oferecida pela viúva Dona Maria Rosa Leitão, conservando-se para o Convento o título da capela anexa, que era de Nossa Senhora das Neves.

A mudança dos frades para o convento definitivo foi a mais solene possível. Comparecem pessoas ilustres como o Vigário Geral com o clero, o Governador em exercício, a nobreza e o povo em massa.

Assim começou a existir no Brasil o primeiro convento da Ordem dos Frades Menores, que se tornou a casa-mãe da Província de Santo Antônio, da qual nasceu a da Imaculada Conceição.

O Decreto de 13 de março de 1584, com que o Ministro Geral da Ordem Franciscana instituiu a Custódia de Santo Antônio do Brasil, conferia ao Superior Frei Melquior de Santa Catarina autorização e licença para fundar conventos onde lhe parecesse necessário e receber noviços à Ordem. Frei Melquior, na época com quarenta e um anos de idade, dotado de grande inteligência e firmeza de caráter, em pouco tempo deu provas de que o Ministro Geral escolhera o homem adequado para a execução de uma obra que exigia grande competência.

Frei Melquior exerceu o cargo de Custódio durante nove anos. Neste período fundou cinco conventos:
(1585) – Convento de Nossa Senhora das Neves, em Olinda.
(1587) – Convento de São Francisco, na Bahia. (1588) – Convento de Santo Antônio, em Igaraçú.
(1589) – Convento de Santo Antônio, na Paraíba.
(1591) – Convento de São Francisco, em Vitória.
A expansão dos franciscanos em terras brasileiras obedecia a várias finalidades. O Ministro Geral desejava a sua Ordem radicada no Brasil e reforçada pelos filhos da terra. O governo colonial queria ocupar os Frades Menores na catequese e pacificação dos silvícolas; os colonos procuravam-nos para a assistência espiritual e celebração solene das festas religiosas.

A fundação do Convento do Rio de Janeiro está, de certo modo, relacionada com a do Convento de Vitória. Foi na mesma época e no mesmo lugar, Bahia, que o Custódio Frei Melchior recebeu a missiva do Governador Salvador Correia de Sá, na qual pedia a fundação do Convento do Rio de Janeiro, como já tinha recebido de Vitória.

Quando Frei Antônio dos Mártires e Frei Antônio das Chagas foram enviados para Vitória, receberam também a Ordem de, em tempo oportuno, seguirem até o Rio de Janeiro para conseguirem o local e escritura para o futuro convento. Não consta em que dia partiram de Vitória e chegaram ao Rio de Janeiro. Mas já no dia 28 de fevereiro de 1592, receberam a escritura de um terreno ao pé do Morro do Castelo, no lado voltado para o mar, onde existia uma ermida dedicada a Santa Luzia. Satisfeitos com a garantia do terreno, retiraram-se novamente para Vitória, prometendo a fundação do convento para um futuro próximo, pois no momento a Custódia não possuía o pessoal necessário.

De fato, durante os próximos quinze anos, a Custódia não realizou nenhuma fundação nova. Tratou de solidificar os primeiros cinco conventos. Somente em fins de 1606, quando o quinto Custódio, Frei Leonardo de Jesus, reuniu em Olinda a cúpula da Custódia, resolveu-se dar início à fundação do Convento do Rio de Janeiro.

O Custódio escolheu quatro religiosos e embarcou com eles ao Rio de Janeiro, onde chegaram no dia 28 de fevereiro de 1607. Não foi, porém, no lugar anteriormente doado, mas sim no morro chamado então do Carmo, que recebeu do Governador Martim Afonso de Sá e Oficiais da Câmara, por escritura de 19 de abril de 1607 e passou a ser chamado, Morro de Santo Antônio. Somente em 1608 foi lançada a pedra fundamental do convento definitivo.

As obras de construção realizaram-se tão rapidamente, que no dia 07 de fevereiro de 1615 a comunidade se transferiu para o novo convento, sob a direção do primeiro guardião Frei Antônio do Calvário eleito no Capítulo realizado aos 15 de outubro de 1614. A igreja, porém, que é atualmente a mais antiga do Rio de Janeiro, só foi concluída em 1620.

O Convento de Santo Antônio foi o mais importante da parte sul da Província. Por isso, quando esta parte foi elevada à Custódia, e mais tarde à Província da Imaculada Conceição, foi escolhido para sua sede. Foi também o único convento que jamais caiu em completo abandono em conseqüência do irreversível desaparecimento de religiosos ceifados pela morte.

Depois da fundação dos conventos do Rio de Janeiro, do Recife e de Ipojuca, cujas construções foram resolvidas na mesma data e aos quais se deu o mesmo nome: Convento de Santo Antônio, durante vinte e três anos não houve novas fundações de conventos, porque o Governo Metropolitano as proibira, por um decreto assinado no dia16 de outubro de 1609. Esta proibição só deixou de existir no dia 28 de novembro de 1624, quando um alvará régio liberou novas fundações para todo o futuro e sem exigência de licença da Câmara e do Governador Geral.

Desapareceu pois, o entrave que impedia a expansão da Ordem Franciscana no Brasil; surgiu, porém, um outro e muito grave, a Invasão Holandesa, primeiramente na Bahia, no dia 10 de maio de 1624 e que durou até 01 de maio de 1625, e depois a de Pernambuco que se deu em 16 de fevereiro de 1630 e durou até 26 de janeiro de 1654, quando os holandeses finalmente assinaram o Tratado de Rendição.

É evidente que nas zonas ocupadas, influenciadas e ameaçadas pelos invasores, os Franciscanos sofressem todo tipo de perseguição, sendo expulsos dos conventos de Pernambuco e da Paraíba. Apesar disso não esmoreceram. Continuaram a fundar conventos em lugares menos ameaçados. Sem dúvida, esta situação deve ter favorecido o surgimento de conventos na parte sul da Custódia. Pois desde 1629 a 1650, foram fundados nove, cinco deles na parte que mais tarde passou a formar a Custódia da Imaculada Conceição.

É curioso que justamente nesta época a Custódia se empenhou em conseguir a independência jurídica da Província a que pertencia. Alegava vários motivos para justificá-la: em grande maioria os Custódios eleitos vinham de Portugal e não conheciam o ambiente do Brasil; as viagens de ida e volta causavam muitas despesas; a correspondência demorava demais; difícil ao Prelado exercer devidamente as atividades devido ao território tão vasto, desde a Paraíba até São Paulo; a Custódia já possuía elementos humanos competentes para qualquer cargo.

Para tratar do assunto Frei Pantaleão Batista foi nomeado procurador e seguiu para Portugal. Lá encontrou séria oposição da Província, mas não desanimou. Prosseguiu viagem a Roma e conseguiu que o Ministro Geral Frei João de Nápoles assinasse no dia 18 de abril de 1647 o decreto que dava definitiva independência à Custódia de Santo Antônio no Brasil.

No dia 27 de maio de 1651 celebrou-se o Capítulo Geral em Roma, no Convento de Ara Coeli, no qual foi eleito Ministro Geral Frei Pedro Manero. O mesmo Capítulo resolveu elevar a Custódia de Santo Antonio no Brasil à Província, se a Santa Sé não determinasse o contrário. Mas, a Sagrada Congregação, mal informada por adversários, não só não aprovou a resolução, mas determinou que a Custódia revertesse à dependência da Província de Portugal. Os defensores da causa tiveram que lutar muito para desfazerem as intrigas que não partiram, ao menos oficialmente, dos responsáveis pela Província. Finalmente, conseguiram esclarecer os equívocos e alcançaram a ereção da Província de Santo Antônio no Brasil, cuja bula tem a data de 24 de agosto de 1657.

Assim como a Província da Imaculada, a Província de Santo Antônio foi restaurada pelos alemães da Província Santa Cruz da Saxônia.

A composição atual da Província
Hoje, a Província tem 15 casas nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. De todas, o que se destaca é o Santuário de São Francisco das Chagas, em Canindé, no Ceará. Tem 145 frades nestas fraternidades.

Veja também: http://www.franciscanosne.com/