Especial São Francisco de Assis

Francisco, como o vejo?

Irmã Maria Francisca, OSC (*)

Dia 4 de outubro é sempre para nós dia de grande festa. É nova oportunidade de olhar para este homem que aos olhos dos seus contemporâneos, a princípio, apresentou-se como um louco, mas que, aos poucos, deixou transparecer que o que nele estava acontecendo não era senão uma obra de Deus.

Desde aquele dia em que, já transformado, entrou na Igreja para rezar diante do Crucifixo de São Damião e ouviu a ordem de Jesus para que fosse restaurar sua Igreja em ruínas, Francisco se transformou num vaso aberto onde os céus puderam derramar todas as graças que, naquele momento, eram necessárias para realizar a vontade do Cristo Crucificado.

Vejo Francisco como um homem todo prontidão para, sem demora, cumprir o encargo recebido e, para isso, não mede esforços, apesar de sentir-se pequeno, humilde e pecador. Ele tem a certeza de que tudo o que o senhor lhe pede não é ele que vai cumprir, mas será obra do Senhor. Atribui tudo a Deus quando fala: “O Senhor me deu, o Senhor me ensinou, o Senhor me conduziu… etc.”

Ele foi e é até hoje o reformador da Igreja sempre que nós, seus seguidores, o olhamos com alma de discípulos para aprender com ele a servir o Senhor nada atribuindo a nós mesmos e, sim, tudo acolhendo das inspirações do Senhor. Nisto vejo o exemplo da desapropriação e o espírito de servo que deve permear a vida de todos os que querem viver deste modo.

Como Irmã Clarissa, pertencente a esta grande escola do Poverello de Assis e da mãe Santa Clara, também vejo a necessidade de ser este vaso aberto, onde Deus pode derramar suas graças a fim de hoje responder aos desafios que não são poucos do mesmo modo como Francisco respondeu.

O chamado de Francisco veio de encontro a uma atmosfera de frieza da fé e da falta reverência ao sagrado que havia naquele tempo. E, hoje, será que o chamado de cada Franciscano e Clarissa não é um grito a anunciar que Deus existe e quer ser amado, respeitado e obedecido em todos os seus preceitos de amor?

Francisco repete, ainda, a cada um de seus filhos e filhas: “Eu fiz a minha parte, que o senhor vos ensine a fazer a vossa!”
Feliz Festa do Poverello de Assis!

 

(*) Irmã Maria Francisca, OSC,
é Abadessa do Mosteiro São Damião de Porto Alegre (RS).
http://clarissasportoalegre.com/