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25.03.09 |
Professor tem cada uma!
Por Maria Helena Lovisi (*)
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Professora Maria Helena Lovisi
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Logo no início de minha carreira, comecei a lecionar numa escola pública que atendia alunos cujos pais eram funcionários de uma usina de açúcar e álcool, bem perto daqui de Agudos.
Seguindo rigorosamente as páginas do livro didático de Língua Portuguesa, como costuma acontecer com professores recém-formados, eis que um dia surgiu um exercício do tipo de formar frases com algumas palavras de uma lista elaborada aleatoriamente pelo autor. Na verdade, palavras bem desconhecidas dos estudantes da 5ª série, onde se passou o caso e, acredito da maioria dos brasileiros. Esse tipo de tarefa era bastante comum nos livros do final dos anos setenta. Talvez fruto do período da ditadura militar ou “ditabranda” (para participar da polêmica atual!), que procurava alienar o povo.
Lembro-me até hoje de alguns vocábulos: renque, maravalhas, balangandãs, convescote, criciúma e outros congêneres. Que erudição!
Diante do grau de dificuldade, a decisão típica dos jovens professores: o exercício vai ser cobrado na prova mensal.
Dito e feito. E, foi mais ou menos assim: Escolha uma palavra e elabore uma frase usando-a. Um dos garotos escreveu:
“Todas as manhãs, antes de sair de casa, passo criciúma debaixo do braço”.
Para os que desconhecem o significado de criciúma, não é necessário recorrer ao Aurélio. O termo se refere ao nome de uma planta da família das Gramíneas. Será que o menino diariamente usava grama para se perfumar? Morando numa usina, não lhe faltaria matéria-prima.
Na verdade, o que parece ser uma história engraçada, serve para refletir como é importante adequar o conteúdo ao contexto da comunicação. É o que hoje todo professor procura fazer. Eu também. Ainda bem!
(*) Maria Helena Lovisi é professora de redação da escola do Seminário
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