Em primeiro lugar, “morte” (thánatos, em grego), já para os antigos gregos, significava “julgamento” (por um delito, ou crime, por exemplo). Em segundo lugar, no sentido geral, uma situação de risco, uma ferida incurável, um acidente podem significar “morte”. As profundezas do abismo (na Bíblia), ou os ínferos, ou o inferno podem igualmente significar “morte”.
E ainda, ou principalmente, há abordagens infindas sobre o tema “morte”, como “Krisis”. Esta palavra grega desdobra-se em vários significados, dentre eles destacam-se os seguintes: separação, escolha; decisão; contestação; luta; juízo; e também pode significar: êxito; resolução; sucesso; evento.
Neste sentido, “morte-krisis” é “páscoa”, é passagem pelo “crisol”, é purificação total, nova dimensão, novo estado de vida liberta de todas as impurezas circunstanciais e das situações de cruz e dor que a vida oferece.
O cristianismo entende que a vida vai passando por diferentes situações de morte, ou “purificações”, até chegar à libertação total de todas as amarras que nos prendem ao solo da existência.
Leonardo Boff cita, em seu livro “A ressurreição de Cristo e a nossa Ressurreição na morte”, um autor que faz a seguinte comparação: uma criança, ao nascer, “é empurrada de todos os lados, apertada, quase sufocada e ejetada para fora, sem saber que após essa passagem a espera o ar livre, o espaço, a luz e o amor” (livro citado, p. 94).
(*)Frei Claudino Dal Magoé professor de Retórica, Latim e Grego na Escola do Seminário de Agudos. Em preparação para a Feira de Conhecimentos 2009, que acontecerá na última semana deste mês e tem como tema a Crise, ele nos apresenta um texto elaborado sobre a morte e a crise a partir das raízes das palavras.