Agudos (SP) - No próximo final de semana, a Paróquia São Paulo Apóstolo, de Agudos, estará em festa e tem mesmo muitos motivos pra festejar, afinal, neste ano, é comemorado o aniversário de 110 anos de sua instalação. O Seminário já funcionava em Agudos desde 1950, mas somente a partir de 1970 a Paróquia passou a ser coordenada e animada pelos frades franciscanos, sendo Frei Ivo Theiss o primeiro pároco desta nova etapa.
Hoje, assim como a cidade, a Paróquia cresceu muito e mesmo tendo sido desmembrada quando da criação da Paróquia Santo Antônio, no ano de 2001, ainda conta com 5 comunidades muito bem constituídas, além da comunidade que se reúne a partir da igreja matriz. Frei Ademir Sanquetti é o atual pároco.
Confira a programação festiva:
Tríduo: de 03 a 05 de julho às 19h00 Festa: dia 06 – Procissão e missa pelos 110 anos da paróquia às 18h00
Além da programação religiosa, haverá também barracas com comidas típicas das festas do interior, diversão para todas as idades e ainda shows, com destaque especial para o Grupo Cantores de Deus que se apresentará na noite de domingo (06) a partir das 21h00.
Um pouco de História A pesquisa de Vera Lúcia Venturini da Silva, publicada no informativo paroquial “Timoneiro” e aqui reproduzida, oferece informações importantes acerca da criação da Paróquia que se confunde com a criação da própria cidade de Agudos:
Na nossa região os jesuítas também atuaram através da Fazenda Jesuítica Botucatu, que foi o posto mais avançado dentro dos sertões do oeste do estado de São Paulo, no ano de 1719. A fazenda tinha uma imensa quantidade de terras compreendida por três sesmarias que foram repassadas aos jesuítas pelos capitães José dos Campos Bicudo, Antunes Maciel e Antonio Pinto Coelho. As doações foram feitas porque os proprietários teriam que ocupar as terras ou devolvê-las ao Governo. Preferiram então entregá-las aos jesuítas, uma vez que o território era inóspito e povoado por indígenas. Além do trabalho de pacificação dos índios, os jesuítas foram desbravadores e investidores da região, desenvolvendo atividades agrícolas e a pecuária.
O historiador Hernani Donato assim descreve os arraiais jesuíticos: “pela primeira vez na região por conta e instrução da Companhia de Jesus, erguiam-se os ranchos sem a mera função de abrigo transitório e fixavam-se para residência e trabalho continuado, entre dez e vinte moradores, índios administrados e seus familiares”. Os jesuítas abrigaram brancos, índios, mamelucos e negros em seu território.
A chegada dos jesuítas é o primeiro passo para o povoamento do sertão paulista com brancos, índios, mamelucos e negros e é a partir deste primeiro agrupamento de moradores que a região onde está Agudos mais tarde se desenvolveu, uma vez que alguns autores afirmam que a Fazenda Jesuítica de Botucatu chegava “até as fraldas da Serra dos Agudos”.
Um outro fato que testemunha a forte presença da Igreja Católica nos mais distantes pontos do Brasil pode ser comprovado pelo mais antigo Censo aqui realizado. Em 1872, o Governo Imperial mandou fazer um recenseamento da população brasileira e os habitantes do Brasil, desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul, foram contabilizados não a partir de cidades, vilas e distritos, mas através das suas paróquias. Os moradores do Patrimônio São Paulo dos Agudos foram contabilizados através da Paróquia Nossa Senhora da Piedade de Lençóis Paulista, a que estavam então subordinados, desde o ano de sua fundação em 1858.
A criação de nossa Paróquia tem tanta importância em relação à história do município de Agudos, que o seu surgimento antecede á cidade. Em seu início, as linhas divisórias da Paróquia São Paulo Apóstolo correspondiam às mesmas divisas do Distrito Policial de Agudos, criado em 14/1/1895, porque Faustino Ribeiro e sua mulher Marcelina de Jesus haviam doado o patrimônio ao santo em data anterior. Em 11 de maio de 1894 foi fornecida pelo Cartório do Espírito Santo da Fortaleza (antigo Piatã) uma certidão atestando a doação.
Foi da Igreja que nasceu a cidade. A importância regional da Paróquia São Paulo Apóstolo naquela época é atestada pela sua elevação em 06/02/1900 para Comarca Eclesiástica de São Paulo dos Agudos. No ato o bispo da Diocese de São Paulo, Dom Antonio Cândido de Alvarenga assinala que “considerando a representação da Câmara Municipal, do povo e do Revmo. Vigário da Paróquia de São Paulo dos Agudos, e bem assim a dificuldade dos caminhos, a grande distância daquela paróquia à Capital, ficando jurisdicionadas à referida comarca as paróquias de Espírito Santo da Fortaleza, Bauru e Pederneiras, com as respectivas divisas”.
Com a criação da Diocese de Botucatu, em 1908, a Paróquia de Agudos desliga-se da Diocese de São Paulo. E só em 1964, quando é criada a Diocese de Bauru, passa para a nova jurisdição.