FICA COMIGO, SENHOR
3º DOMINGO DA PÁSCOA
ANO A – Lc 24,13-35

Somente Lucas relata este belíssimo e comovente episódio, tão humano e tão divino, dos discípulos de Emaús. Jesus mostra como o bom e sadio relacionamento humano é o princípio e a base para construirmos, com segurança, nossa vida em Deus.
Decepcionados, deprimidos com a crucifixão do Mestre, perdidas todas as esperanças que haviam depositado em Jesus como Messias, os dois discípulos, frustrados, andavam em direção a Emaús, quando “o próprio Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles” (v. 15).
Absortos em sua própria dor, “seus olhos estavam impedidos de reconhecê-lo” (v. 16). Jesus os interroga: “De que estão falando para estarem tão tristes?” Foi o bastante para eles abrirem os corações para aquele que, ao assumir o sofrimento deles, se fez companheiro de caminhada: “Tu és o único forasteiro em Jerusalém que ignora os fatos que nela aconteceram nestes dias?” (v. 18).
Jesus deixou-os desabafar para aliviarem sua dor. Esperavam um Redentor humanamente vitorioso, mas, na realidade, encontraram um Redentor crucificado. Tinham ouvido Jesus falar que seria crucificado e depois ressuscitaria, mas não aceitavam a loucura da cruz.
Era-lhes difícil aceitar os caminhos de Deus: cruz e ressurreição.
Nem eles nem os Apóstolos estavam preparados para aceitar a ressurreição. Disse-lhes Jesus: “Lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?” (v. 25-26).
Jesus recorda e interpreta para eles as Escrituras, mostrando-lhes tudo o que a ele dizia respeito e constituía a realização das profecias.
Aproximaram-se da aldeia aonde iam e Jesus fez menção de continuar. Eles disseram: “Fica conosco, pois o dia já declina”. Jesus entrou e ficou com eles. “E, uma vez à mesa, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e deu-lhes a comer”. Então seus olhos se abriram e reconheceram Jesus no gesto eucarístico de abençoar e partir o pão. Fê-los recordar a Última Ceia, memorial de sua Paixão. Jesus, porém, ficou invisível diante deles. Disseram um ao outro: “Não ardia o nosso coração quando ele nos falava e explicava as Escrituras?” (8-32).
Esta é a grande mensagem: as Escrituras dão testemunho do Cristo ressuscitado e a Eucaristia é o próprio Ressuscitado, vivo, presente e atuante na Igreja, núcleo central de onde se irradia a graça de Cristo para o mundo.
* Senhor, ajuda-me a ter uma vivência eucarística, a partilhar com os irmãos os dons que gratuitamente recebo de tuas mãos. AMÉM.
* * *
Arde meu coração ao ler as Escrituras? Creio que Jesus ressuscitado continua vivo e presente na Eucaristia? Arde meu coração quando recebo Jesus na Eucaristia? Creio em Jesus só nos momentos felizes ou costumo pedir: “Fica comigo, Senhor”? Creio que na Eucaristia realiza-se a permanência de Jesus na Igreja, onde ele continua sua ação salvífica entre nós?
Frei Floriano Surian, ofm
fsurian@radnet.com.br
Maria Arieta, ofs
arieta@radnet.com.br
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