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       São Paulo, 06/01/2009, 17:32          
 
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MEU CORAÇÃO É UMA TERRA FÉRTIL?

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM
ANO A – Mt 11,25-30

Através de parábolas Jesus nos revela o Mistério do Reino de Deus, o seu crescimento e os seus reveses: o mistério da fé na jubilosa aceitação daqueles que o seguem e o mistério da incredulidade daqueles que o rejeitam.

“Naquele dia, saindo Jesus de casa, do convívio familiar, sentou-se junto ao mar. Em torno dele reuniu-se uma grande multidão. Por isso entrou num barco a fim de poder dirigir-se a todos” (v. 1-2). Que belo quadro! Que força de atração não devia partir dos lábios do Mestre! Que fome da Palavra de Deus tinha aquele povo!

“E Jesus disse-lhes muitas coisas em parábolas” (v. 3). A parábola transmite, de uma forma figurada, a mensagem que deve ser vivida. É um método pedagógico de apresentar a doutrina de um modo velado, através de cenas da natureza ou da vida cotidiana, para torná-la mais accessível a qualquer um, seja qual for seu nível intelectual. Quem tiver reta disposição há de atinar com o seu sentido.

“Jesus, o Filho de Deus, saiu do Pai, e veio ao mundo lançar a semente salvífica que, se for acolhida no coração do homem e der frutos, abrirá, para ele, as portas do Reino” (cf. Jo 8,42). “Eis que o semeador saiu a semear” (v. 4).

Na parábola do semeador, Jesus nos apresenta as quatro espécies de terreno nos quais pode cair a semente: • caminho: a semente da Palavra de Deus fica na superfície do coração do homem que, sem entendê-la, o maligno facilmente a arrebata, como as sementes sobre a terra que são comidas pelas aves; • pedregulho: a Palavra não consegue criar raízes profundas e, facilmente, é abafada pelos sofrimentos e tribulações; • espinhos: a Palavra de Deus germina e cresce, até com entusiasmo, mas é asfixiada pelo “pecado do mundo”, pelos espinhos da realidade social: falso encanto das riquezas, ânsia de poder, prazeres que seduzem, que sufocam a Palavra; • terra boa: o destino da Palavra depende do chão onde cai. A Palavra só produzirá fruto se cair em terra fértil, num coração acolhedor, e receber o alimento indispensável para criar raízes profundas (cf. v. 4-8).

A Palavra de Deus quando acolhida e vivida no coração do homem, em “terra boa”, quantas vezes adubada pelo sofrimento e adversidades da vida, germina e cresce, “produzindo fruto à razão de cem, sessenta e trinta por um” (v. 23).

* Pai amado, que meu coração, banhado e fortificado pelo sangue de Jesus crucificado, seja um solo fecundo, onde a Palavra possa germinar, crescer e transbordar para o outro, meu irmão. AMÉM. ASSIM SEJA.

* * *

Que terra sou eu? Terra pouco acolhedora à beira do caminho? Terra “pedregosa” e pouco profunda, sem chances para a Palavra de Deus criar raízes? Meu coração tem espinhos que abafam a Palavra divina? Ou sou terra boa onde a Palavra de Deus é acolhida, cresce e dá fruto? Levo avante a missão evangelizadora de Cristo, ciente de que “o exemplo deve anteceder à Palavra”?

Frei Floriano Surian, ofm
fsurian@radnet.com.br
Maria Arieta, ofs
arieta@radnet.com.br


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