“Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura.
Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado.”
(Mc 16,15-16)
“Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1), assim inicia São Marcos seu evangelho. Com estas palavras Marcos quer dizer: Princípio da atividade evangelizadora de Jesus Cristo.
Jesus é o Evangelho, a Boa Nova do Pai. A Boa Nova é a da vinda do Reino de Deus. Chegou o tempo da salvação para a humanidade.
Em Marcos, Jesus e o Evangelho se identificam na comunidade cristã (1,1). Anunciar Jesus Cristo é anunciar o Evangelho (16,15) no qual Jesus pede a conversão e a fé (16,16).
Já para São Mateus o evangelho é um convite para ser aluno. Mateus termina seu evangelho com Jesus dando aos apóstolos a missão de suscitar discípulos em todos os povos:
“Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19).
Jesus convoca os povos a se tornarem discípulos, a se inscreverem na escola dos alunos do Pai. Jesus não pede, nem espera uma comunidade de santos e perfeitos semelhantes ao Pai e a ele próprio. Ele não pede nem exige a perfeição consumada, mas discípulos que busquem a perfeição. Discípulos comprometidos e engajados, que estudem e aprendam a praticar a lei verdadeira de Deus. “Sede perfeitos...” diz Jesus (Mt 5,48), mas o aluno não deve ter a pretensão de ser grande... (Mt 23,10). “Se não vos transformardes e vos fizerdes como crianças não entrareis de modo algum no Reino do Céu” (Mt 18,3). Ter como a criança um coração simples e ávido de aprender.
Mateus e Marcos se completam. Em Mateus o Evangelho é um convite para ser aluno, para iniciar um aprendizado e para evangelizar - ensinar a observar tudo o que Jesus ensinou. Em Marcos é um chamado à conversão e à fé, a aceitar e viver o Evangelho e anunciá-lo a todos os homens. Ambos insistem no Batismo e em viver e anunciar o Evangelho.
Jesus é o Evangelho (Mc 1,1). Somos os discípulos do Evangelho de Jesus presente no mundo. Estamos sempre aprendendo, sempre sendo evangelizados, para sermos evangelizadores.
Continuemos no mundo a missão de Jesus. Façamos, pelo testemunho e pela Palavra, Jesus nascer e crescer no coração do outro, nosso irmão.
Apelo do Papa João Paulo para renovar o modo de atuar dentro das comunidades eclesiais, partindo para uma nova e corajosa forma de evangelização.
CIDADE DO VATICANO, 23 JAN 2003 (VIS) – Papa expressa opinião sobre a realidade da Igreja brasileira
O Papa João Paulo encontrou-se esta manhã com os bispos do Brasil do Regional Sul 1, que acabaram de completar sua visita "ad limina" qüinqüenal. Expressou sua opinião a respeito das devoções populares, a Eucaristia, a autêntica liturgia e inculturação na sociedade multi étnica do Brasil no contexto dos dias atuais e da moderna sociedade que é simultaneamente "dramática e fascinante," marcada pelo materialismo e secularismo, ainda muito distante dos valores espirituais.
O Papa enfatizou que o povo do Brasil "está tradicionalmente ancorado nos princípios perenes do cristianismo mas tem se submetido a influências negativas de vários tipos," incluindo-se seitas, que estão se proliferando no país e fortalecendo-se em determinadas áreas. Ele perguntou: "Isto não seria um sinal concreto de uma insatisfação com suas aspirações espirituais?”
Disse que isto significa "um chamado" aos pastores que devem "renovar o modo de atuar dentro das comunidades eclesiais e revitalizar com entusiasmo com uma nova e corajosa forma de evangelização”."
Por "várias vezes ," o Santo Padre acrescentou, que "existe uma grande falta de formação religiosa com uma conseqüente indecisão sobre a necessidade da fé em Cristo e suporte espiritual da Igreja, concluiu. Existe uma tendência a representar as religiões e várias experiências espirituais reduzindo-as a um mínimo denominador comum, dessa forma parecem quase equivalentes, resultando que cada pessoa sente-se livre para seguir, indiferentemente, um dos muitos caminhos oferecidos para a salvação". Isto requer uma extensiva e corajosa evangelização.
ENTRE REDES - NOTÍCIAS
FONTE: VATICAN INFORMATION SERVICE
TRADUÇÃO: OLAVO DE PIERO JÚNIOR - (obpax@uol.com.br)
“A BOA NOVA DE CRISTO PARA VOCÊ” - Nova forma de evangelização?
Às vezes, tem acontecido de alguém recusar “A Boa Nova”, dizendo: “sou católico”. E quando digo que a folhinha é “católica”, dizem logo: – “Já era tempo dos católicos fazerem isso!... E, aceitando a folhinha da Boa Nova, ainda indicam alguém que está por perto e dizem: – “Dê para ele também...” E, assim, vai crescendo o número dos que recebem "A Boa Nova de Cristo Para Você".
Houve uma ocasião em que eu dava sempre “A Boa Nova” para um vendedor ambulante que tem uma banca de doces. Recebia “A Boa Nova” com satisfação, mas, não sei porquê, eu achava que ele era crente. Nesse dia a mensagem era sobre Maria Santíssima e, como os crentes não aceitam a devoção mariana, querendo evitar uma situação desagradável, perguntei se ele gostava de Maria, a Mãe de Jesus. Qual foi a minha surpresa! Começou ele a cantar: “Nossa Senhora, me dê a mão...” E eu cantei com ele... Os laços humanos se aprofundaram... E’... é a família da Boa Nova... A comunhão dos santos...
Nessa mesma rua deixo sempre, numa loja, algumas folhinhas com a vendedora que as usa em círculo de estudos e distribui. Um dia estavam umas pessoas comprando e dei também para elas. Surpresa! Uma delas exclamou: – Eu recebo quando vou à Missa e fico procurando se alguma pessoa deixa nos bancos, para eu passar adiante. – Isto é que é evangelizar!” exclamou e não parava de elogiar as folhinhas. – Aconteceu comigo, disse ela, com a mensagem de Páscoa do ano 2000! Aconteceu e ainda está acontecendo! Mas, preciso sentar para contar. Prometeu contar algum dia a graça alcançada.
Certa vez recebi um telefonema interurbano de uma cidade de interior. Uma senhora recebe sempre a folhinha e dá para o Padre, que tem somente dois ou três anos de ordenação. Em geral, os Padres, nessas cidades do interior, estão muito sobrecarregados, são muito solicitados, e não sobra muito tempo para preparar o sermão com aquela calma que seria necessária. Ele estava aflito, a folhinha ainda não chegara!... Recebi o recado: – “O Padre diz que tem necessidade absoluta da folhinha! Mas eu não recebi esta semana! O que aconteceu? O Padre precisa da folhinha!... Foram vários telefonemas... – Mando pela Internet, disse eu. Mas ele tinha Internet há pouco tempo e não sabia o endereço. Afinal, no meio da conversa soube que ele tinha fax e foi “salva a pátria!”: a folhinha da “Boa Nova” daquele domingo chegou a seu destino... Deus seja louvado!
Há poucos dias telefonou uma pessoa, técnica de enfermagem, num hospital muito grande do Rio de Janeiro. Achou a “A Boa Nova” do 8º DTC em cima de uma mesa, leu e queria uma explicação sobre o jejum de 4ª Feira de Cinzas. Mostrou desejo de distribuir. Queria logo 100 para começar. Muito entusiasmada, queria distribuir por onde fosse possível ir distribuindo: no Hospital, pelas ruas, na Igreja, no grupo de oração onde estão sempre chamando mais gente para participar.... Certamente, ela encontrou em Cristo o significado de sua vida e vive essa realidade. Lembro de São Paulo exclamando: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16).
Um guardador de carros recebia sempre a folhinha. Mas a da Epifania tocou mais seu coração. – Li a folhinha, disse ele. Deve ter lido as outras, mas essa certamente foi mais fundo. – Preciso mudar, comentou. E disse que onde morava, nem sempre havia Missa. Pediu o horário das Missas da Paróquia perto da rua onde trabalha, pois queria começar a participar. Hoje é um evangelizador; leva as folhinhas para distribuir na Capela do bairro onde mora.
Creio que a Palavra de Deus tem em si uma força que vai se irradiando por onde passa. Rarissimamente alguém recusa a folhinha da “Boa Nova”. E a gente sente que as pessoas têm sede de Deus. Como diz o salmista: “Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! A minh’alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água!” Algumas pessoas, estendendo a mão para pegar a folhinha, extravasam: – Estou precisando ler algo assim!...
Maria Arieta, ofs
arieta@radnet.com.br
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