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À luz do que foi dito, é necessário que
nos perguntemos: Como expressamos concretamente o "viver
sem nada de próprio"? Que formas de pobreza e minoridade
somos chamados a "inventar" ou "recuperar", para que nosso
esforço por "viver sem nada de próprio" seja realmente
um testemunho visível e crível, significativo e significante?
Qual é o verdadeiro fundamento de nossa pobreza? Estamos
convencidos de que a "itinerância", entendida, sobretudo,
como desapropriação e liberdade de espírito, seja uma
característica da vocação franciscana e clariana e uma
exigência do nosso "viver sem nada de próprio"? Qual é
nossa atitude e disponibilidade diante das mudanças que
por necessidade devemos realizar?
Cristo consumou sua obra como pobre. Francisco e Clara
concluíram pobres sua tarefa. Agora é nossa vez de assumir,
como atitude existencial, o viver sempre em atitude de
conversão (cf. RB 2,17), denunciando, assim, os falsos
valores de nosso tempo. Porque a pobreza consiste em "viver
sem nada de próprio", segundo prometemos; em sermos livres
e desapegados dos lugares, das pessoas e das coisas, "como
peregrinos e forasteiros neste mundo" (RB 6,2; RSC 8,2);
em pôr as estruturas a serviço da vida e não em estar
a serviço daquelas; em trabalhar "com fidelidade e devoção"
como primeira manifestação de nossa condição de pobres,
"afastando o ócio, inimigo da Alma" (RB 5,1-2; RSC 7,1-2;
em restituir ao Senhor, com a palavra e o exemplo, todos
os dons que dele temos recebido (cf. RnB 17,17; Ad 19,2).
Dado que todos os bens pertencem somente ao altíssimo
Deus (cf. Ad 7,4; 2In 3), sentimo-nos levados a partilhá-los
fraternalmente com aqueles que têm menos do que nós; com
todos queremos ser "mansos, pacíficos e modestos, brandos
e humildes" (RB 3,11), anunciadores de paz e de justiça,
sem julgar a ninguém nem irar-nos ou perturbar-nos por
alguma coisa, nem sequer pelo pecado do irmão (cf. Ad
11; RSC 9,5); e procuramos assumir a vida e a condição
dos pequenos da sociedade, comportando-nos entre eles
como menores, não nos distinguindo, por nosso teor de
vida, daqueles que têm menos recursos e aceitando de bom
grado ser considerados vis, simples e desprezados (cf.
Ad 20).
E jamais esqueçamos, Irmãos e Irmãs, que esta é a vontade
de Francisco e de Clara e isto é o que prometemos: "Seguir
a doutrina e o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo" (RnB
1,1; cf. 3In 4) e amar sempre "nossa senhora a santa pobreza"
e observá-la fielmente até o fim (cf. TestS 4; RSC 12,13;
TestC 39-43).
Comunhão de vida em Fraternidade:
o Senhor me deu irmãos e irmãs (cf. Test 14; TestC 25)
Seguindo fielmente a opção evangélica de Francisco, Clara
vive o seguimento de Cristo pobre na comunhão da vida
fraterna. Desde que o Altíssimo revelou a Francisco que
devia "viver segundo a forma do santo Evangelho" (Test
14) e a Clara iluminou o coração (cf. TestC 24), nem um
nem outra se compreenderam senão em profunda comunhão
com seus irmãos e irmãs. E, desde que o Senhor lhes deu
irmãos e irmãs (cf. Test 14; TestC 25), nem pensaram em
outra forma de vida que não fosse a vida fraterna em comunidade.>>
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