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       São Paulo, 12/02/2012, 17:19          
 
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  À luz do que foi dito, é necessário que nos perguntemos: Como expressamos concretamente o "viver sem nada de próprio"? Que formas de pobreza e minoridade somos chamados a "inventar" ou "recuperar", para que nosso esforço por "viver sem nada de próprio" seja realmente um testemunho visível e crível, significativo e significante? Qual é o verdadeiro fundamento de nossa pobreza? Estamos convencidos de que a "itinerância", entendida, sobretudo, como desapropriação e liberdade de espírito, seja uma característica da vocação franciscana e clariana e uma exigência do nosso "viver sem nada de próprio"? Qual é nossa atitude e disponibilidade diante das mudanças que por necessidade devemos realizar?

Cristo consumou sua obra como pobre. Francisco e Clara concluíram pobres sua tarefa. Agora é nossa vez de assumir, como atitude existencial, o viver sempre em atitude de conversão (cf. RB 2,17), denunciando, assim, os falsos valores de nosso tempo. Porque a pobreza consiste em "viver sem nada de próprio", segundo prometemos; em sermos livres e desapegados dos lugares, das pessoas e das coisas, "como peregrinos e forasteiros neste mundo" (RB 6,2; RSC 8,2); em pôr as estruturas a serviço da vida e não em estar a serviço daquelas; em trabalhar "com fidelidade e devoção" como primeira manifestação de nossa condição de pobres, "afastando o ócio, inimigo da Alma" (RB 5,1-2; RSC 7,1-2; em restituir ao Senhor, com a palavra e o exemplo, todos os dons que dele temos recebido (cf. RnB 17,17; Ad 19,2).

Dado que todos os bens pertencem somente ao altíssimo Deus (cf. Ad 7,4; 2In 3), sentimo-nos levados a partilhá-los fraternalmente com aqueles que têm menos do que nós; com todos queremos ser "mansos, pacíficos e modestos, brandos e humildes" (RB 3,11), anunciadores de paz e de justiça, sem julgar a ninguém nem irar-nos ou perturbar-nos por alguma coisa, nem sequer pelo pecado do irmão (cf. Ad 11; RSC 9,5); e procuramos assumir a vida e a condição dos pequenos da sociedade, comportando-nos entre eles como menores, não nos distinguindo, por nosso teor de vida, daqueles que têm menos recursos e aceitando de bom grado ser considerados vis, simples e desprezados (cf. Ad 20).

E jamais esqueçamos, Irmãos e Irmãs, que esta é a vontade de Francisco e de Clara e isto é o que prometemos: "Seguir a doutrina e o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo" (RnB 1,1; cf. 3In 4) e amar sempre "nossa senhora a santa pobreza" e observá-la fielmente até o fim (cf. TestS 4; RSC 12,13; TestC 39-43).

Comunhão de vida em Fraternidade:
o Senhor me deu irmãos e irmãs (cf. Test 14; TestC 25)

Seguindo fielmente a opção evangélica de Francisco, Clara vive o seguimento de Cristo pobre na comunhão da vida fraterna. Desde que o Altíssimo revelou a Francisco que devia "viver segundo a forma do santo Evangelho" (Test 14) e a Clara iluminou o coração (cf. TestC 24), nem um nem outra se compreenderam senão em profunda comunhão com seus irmãos e irmãs. E, desde que o Senhor lhes deu irmãos e irmãs (cf. Test 14; TestC 25), nem pensaram em outra forma de vida que não fosse a vida fraterna em comunidade.>>

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