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       São Paulo, 06/01/2009, 07:36          
 
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  Se a Fraternidade qualifica e dá autenticidade à nossa consagração e missão, então nossas comunidades devem ser autênticas Fraternidades e se tornarem visíveis como tais. Por isso, devemos construí-las e reconstruí-las dia após dia, obedecendo todos à palavra do Evangelho que ressoa no coração e inspira um terno afeto e a autenticidade dos gestos quotidianos, através dos quais se concretiza o amor pelos outros. Qualquer gesto fraterno, até o mais elementar, o mais humilde e o mais simples, cheio de bondade, discrição e delicadeza, pode converter-se em "pedra viva" (2Cel 204/3) na construção da Fraternidade.

Tudo na vida das Irmãs Pobres e dos Frades Menores deve conduzir à unidade, ao amor recíproco, à comunhão fraterna. Assim, a contemplação do amor de Deus, manifestado nos mistérios da encarnação e da paixão e morte de Jesus, encontra na vida fraterna o terreno privilegiado. Nela Deus-amor se mostra e se faz tocar. Do mesmo modo, a expropriação da altíssima pobreza não só une a Cristo pobre, mas une também os Frades e as Irmãs entre si, abrindo nos corações um espaço à santa operação do Espírito que é caridade. Desse modo, o outro é um dom que se oferece à nossa liberdade de amar.

Na construção da Fraternidade franciscana, o serviço da autoridade tem um papel fundamental. Tanto para Clara como para Francisco, a autoridade, em primeiro lugar, é seguimento de Cristo servo, o Filho do homem que veio para servir e não para ser servido (cf. Mt 20,28; Ad 4). Esse serviço se expressa sendo artífice de comunhão (cf. RSC 4,11-12; Lm 1-12), na admoestação e correção dos irmãos e das irmãs (RSC 10,1; 9,1; RnB 10,1), na fiel custódia do carisma recebido do Senhor (cf. RSC 6,11), e dos irmãos e das irmãs (RSC 4,9; RnB 4,6), promovendo a co-responsabilidade e a colaboração (cf. RSC 2,1-2; 4,15-19.22-24).

Dado que a Fraternidade implica abertura e reconhecimento dos outros, construir Fraternidade significa trabalhar para que a colaboração com as outras Fraternidades seja uma bela realidade. Isso exige que se renuncie à auto-suficiência, quaisquer que sejam os meios de que uma Fraternidade dispõe. O que significa também ter um grande sentido de realismo. Pois como pode um irmão crer-se tão "rico" que chegue a pensar que não tem necessidade dos outros? O orgulho e a soberba, que podem provir do número de Frades e de Irmãs ou, também, de uma boa preparação intelectual, são fruto da carne, não do Espírito. A comunhão que abre as portas à colaboração é o melhor antídoto contra o cansaço e a falta de esperança que, por vezes, se faz sentir em nossos corações.

A tentação, para os Frades Menores, pode ser o "provincialismo", enquanto que para as Irmãs Pobres pode ser a "autonomia" de que gozam os mosteiros, se esta é pensada e praticada como um fechamento em si mesmas, como uma "defesa" diante dos "perigos" externos que ameaçam certas falsas seguranças.

À luz do que se disse, cabe perguntar-se: Que imagem de si mesmas oferecem as nossas Fraternidades? O que significa para nós pertencer a uma Ordem? Que sentido de pertença a ela temos? Que meios usamos para construir Fraternidade e para superar os conflitos que nascem em nossas Fraternidades? Como vivemos as qualidades exigidas em todo relacionamento humano? Que exemplos de perdão e de reconciliação podemos oferecer ao mundo de hoje, tão violento e dividido? Que mudanças se pedem de nós para chegarmos a uma efetiva colaboração entre Províncias e entre Mosteiros? >>

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