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       São Paulo, 20/11/2008, 09:15          
 
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  Pessoalmente estou convencido de que, se longo é o caminho que percorremos no "terreno", nem sempre fácil, da fraternidade, muito é ainda o que nos resta percorrer para chegarmos a Fraternidades que possam oferecer à nossa sociedade o singular testemunho de serem "lugares privilegiados de encontro com Deus (CCGG 40) e "lares" nos quais se pode conseguir "a plena maturidade humana, cristã e religiosa" (CCGG 39).

Um dos grandes desafios que temos pela frente é o de passar de uma vida em comum para uma comunhão de vida em fraternidade. Para isso, não é absolutamente suficiente viver sob o mesmo teto. Nem realizar o mesmo trabalho, nem ser bons amigos. Não somos uma comuna, nem uma empresa, nem um simples grupo de amigos. Somos irmãos e irmãs, formamos uma "família unida em Cristo" (ES 25), na qual deveriam existir relações interpessoais verdadeiras e harmônicas, cordiais e fraternas, animadas pela fé no Pai, no qual todos somos filhos, no Espírito, que nos une no respeito à diversidade, e no Filho, no qual somos irmãos. Uma fé que nos leva a amar a todos sem distinção, inclusive aqueles que sofrem e, talvez por isso, fazem sofrer. Uma fé que nos anime a esperar nos outros e na possibilidade de sua conversão e crescimento. Uma fé que nos mova a trabalhar incansavelmente na construção da Fraternidade, mesmo que isso signifique morrer para si mesmo (cf. LG 46).

Francisco é considerado o "irmão universal" e Clara foi definida como "ardor da caridade, doçura da bondade, força da paciência, vínculo de paz e comunhão de familiaridade" (BC 42). Eles realizaram sua tarefa. Soou a hora de realizar a nossa. Em outras palavras, é hora de aplicar-nos a realizar nossa missão, que consiste em ser palavra viva de uma humanidade fraterna e reconciliada e em promover uma "espiritualidade de comunhão" (NMI 42), primeiramente no seio de nossas respectivas Fraternidades (cf. VC 51), para depois estendê-la a nossas Províncias e Federações, a nossas respectivas Ordens, à Família franciscana e a toda a humanidade. "Partilhando o pão da fraternidade" seremos sinal, sobretudo com o testemunho da vida, da nova humanidade reunida ao redor de Jesus Cristo ressuscitado pelo poder do Espírito.

Formar-nos para formar e viver
em fidelidade criativa (cf. VC 37)

Aquilo que partilhamos até agora supõe uma grande ductilidade e disponibilidade para deixar-se formar e transformar a mente e o coração mediante uma séria e sólida caminhada formativa, que "inicia com o chamamento de Deus e a decisão de cada um (cada uma) de seguir com São Francisco (e Santa Clara) as pegadas de Cristo pobre e crucificado (RFF 1), uma caminhada que jamais termina (VC 65).

Tanto para os Frades Menores como para as Irmãs Pobres, a formação deve ser um processo dinâmico de crescimento harmonioso de toda a pessoa (cf. VC 65) que, sob a ação do Espírito Santo, abre seu coração ao Evangelho e se esforça por manter constantemente uma atitude de conversão. Desse modo, daremos passos concretos rumo à "progressiva assimilação dos sentimentos de Cristo até o Pai" (VC 65). >>

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