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Pessoalmente estou convencido de que,
se longo é o caminho que percorremos no "terreno", nem
sempre fácil, da fraternidade, muito é ainda o que nos
resta percorrer para chegarmos a Fraternidades que possam
oferecer à nossa sociedade o singular testemunho de serem
"lugares privilegiados de encontro com Deus (CCGG 40)
e "lares" nos quais se pode conseguir "a plena maturidade
humana, cristã e religiosa" (CCGG 39).
Um dos grandes desafios que temos pela frente é o de passar
de uma vida em comum para uma comunhão de vida em fraternidade.
Para isso, não é absolutamente suficiente viver sob o
mesmo teto. Nem realizar o mesmo trabalho, nem ser bons
amigos. Não somos uma comuna, nem uma empresa, nem um
simples grupo de amigos. Somos irmãos e irmãs, formamos
uma "família unida em Cristo" (ES 25), na qual deveriam
existir relações interpessoais verdadeiras e harmônicas,
cordiais e fraternas, animadas pela fé no Pai, no qual
todos somos filhos, no Espírito, que nos une no respeito
à diversidade, e no Filho, no qual somos irmãos. Uma fé
que nos leva a amar a todos sem distinção, inclusive aqueles
que sofrem e, talvez por isso, fazem sofrer. Uma fé que
nos anime a esperar nos outros e na possibilidade de sua
conversão e crescimento. Uma fé que nos mova a trabalhar
incansavelmente na construção da Fraternidade, mesmo que
isso signifique morrer para si mesmo (cf. LG 46).
Francisco é considerado o "irmão universal" e Clara foi
definida como "ardor da caridade, doçura da bondade, força
da paciência, vínculo de paz e comunhão de familiaridade"
(BC 42). Eles realizaram sua tarefa. Soou a hora de realizar
a nossa. Em outras palavras, é hora de aplicar-nos a realizar
nossa missão, que consiste em ser palavra viva de uma
humanidade fraterna e reconciliada e em promover uma "espiritualidade
de comunhão" (NMI 42), primeiramente no seio de nossas
respectivas Fraternidades (cf. VC 51), para depois estendê-la
a nossas Províncias e Federações, a nossas respectivas
Ordens, à Família franciscana e a toda a humanidade. "Partilhando
o pão da fraternidade" seremos sinal, sobretudo com o
testemunho da vida, da nova humanidade reunida ao redor
de Jesus Cristo ressuscitado pelo poder do Espírito.
Formar-nos para formar e viver
em fidelidade criativa (cf. VC 37)
Aquilo que partilhamos até agora supõe uma grande ductilidade
e disponibilidade para deixar-se formar e transformar
a mente e o coração mediante uma séria e sólida caminhada
formativa, que "inicia com o chamamento de Deus e a decisão
de cada um (cada uma) de seguir com São Francisco (e Santa
Clara) as pegadas de Cristo pobre e crucificado (RFF 1),
uma caminhada que jamais termina (VC 65).
Tanto para os Frades Menores como para as Irmãs Pobres,
a formação deve ser um processo dinâmico de crescimento
harmonioso de toda a pessoa (cf. VC 65) que, sob a ação
do Espírito Santo, abre seu coração ao Evangelho e se
esforça por manter constantemente uma atitude de conversão.
Desse modo, daremos passos concretos rumo à "progressiva
assimilação dos sentimentos de Cristo até o Pai" (VC 65).
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