Entre as muitas características que poderíamos
indicar para a formação - permanente e inicial - do Frade
Menor e da Irmã Pobre, quero destacar as seguintes:
· Deve ser experiencial. Por isso, a formação deve lançar
suas raízes na vida da Fraternidade, gerar vida e procurar
transformar em obras o que se aprende (cf. Ad 12).
· Deve ter um olhar positivo e, também, propositivo sobre
o momento presente. A formação deve assumir os desafios
apresentados pelo mundo e pela história, lendo e interpretando,
à luz do Evangelho, os sinais dos tempos (cf. Sdp 6) e
harmonizando a memória com a profecia para realizar uma
caminhada fecunda e criativa, inserida no presente e profeticamente
aberta ao futuro.
· Deve ser uma formação de qualidade. A qualidade de nosso
futuro depende, sem dúvida alguma, da qualidade de nossa
formação. Se quisermos garantir uma certa estabilidade,
tanto nos momentos mais difíceis como nos ordinários e
quotidianos (cf. VC 65.71), devemos apostar numa formação
de qualidade, em condições de fazer enraizar no coração
dos Frades e das Irmãs "os valores humanos, espirituais
e carismáticos necessários" (RdC 18). Isso, "numa época
apressada como a nossa", necessita de tempo; sobretudo
"tempo, perseverança e paciente espera... porque, na realidade,
a pessoa se constrói muito lentamente" (RdC 18). Em nosso
caso, a formação de qualidade exige, também, privilegiar
a experiência de fé, a comunhão de vida em fraternidade
e a afetividade.
· Deve ser uma formação personalizada. Dado que o sujeito
em formação é o primeiro e principal responsável pela
própria formação, e dado que cada pessoa é uma iniciativa
irrepetível de Deus, a formação deve ser personalizada,
para que cada um assuma responsavelmente a dinâmica do
próprio crescimento vocacional. Impõe-se, portanto, um
processo formativo personalizado e que ajude a personalizar,
atento às peculiaridades de cada pessoa, aceitando e estimulando
seu ritmo de crescimento, acompanhando e ajudando cada
irmão e irmã a descobrir e a fazer frutificar sempre mais
o dom de Deus na própria vida.
Formar é hoje um desafio que devemos assumir na alegria
e na esperança de quem se sabe chamado a continuar a missão
de Jesus, o único Mestre. Formar-nos, viver em estado
de formação permanente ou de conversão, é o grande desafio
que nos vem da fidelidade criativa à nossa vocação e missão.
Conclusão
Queridos Irmãos e Irmãs, com simplicidade vos fiz participantes
de algumas reflexões sobre os elementos que, numa leitura
atenta dos Escritos de Clara e de Francisco, penso serem
essenciais ao carisma franciscano e clariano. Não pretendi
ser exaustivo nesta exposição, muito menos na enumeração
desses elementos. Simplesmente procurei deixar que Clara
e Francisco falassem através de seus escritos - razão
pela qual há muitas citações - e mostrar de forma evidente
que, de fato, trata-se de "duas almas gêmeas".
Ao término desta carta, fazendo minhas as palavras de
Clara à Irmã Inês de Praga, peço-vos, queridos Irmãos
e Irmãs, que acolhais "com bondade e devoção" "o que [vos]
escrevi pela metade" "olhando nisso ao menos o carinho
[fraterno] que me faz arder de caridade todos os dias"
por vós, caros Irmãos, e por vós, Irmãs amadas no Senhor
(cf. 4In 36-37).>>