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       São Paulo, 06/01/2009, 09:37          
 
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  Entre as muitas características que poderíamos indicar para a formação - permanente e inicial - do Frade Menor e da Irmã Pobre, quero destacar as seguintes:

· Deve ser experiencial. Por isso, a formação deve lançar suas raízes na vida da Fraternidade, gerar vida e procurar transformar em obras o que se aprende (cf. Ad 12).

· Deve ter um olhar positivo e, também, propositivo sobre o momento presente. A formação deve assumir os desafios apresentados pelo mundo e pela história, lendo e interpretando, à luz do Evangelho, os sinais dos tempos (cf. Sdp 6) e harmonizando a memória com a profecia para realizar uma caminhada fecunda e criativa, inserida no presente e profeticamente aberta ao futuro.

· Deve ser uma formação de qualidade. A qualidade de nosso futuro depende, sem dúvida alguma, da qualidade de nossa formação. Se quisermos garantir uma certa estabilidade, tanto nos momentos mais difíceis como nos ordinários e quotidianos (cf. VC 65.71), devemos apostar numa formação de qualidade, em condições de fazer enraizar no coração dos Frades e das Irmãs "os valores humanos, espirituais e carismáticos necessários" (RdC 18). Isso, "numa época apressada como a nossa", necessita de tempo; sobretudo "tempo, perseverança e paciente espera... porque, na realidade, a pessoa se constrói muito lentamente" (RdC 18). Em nosso caso, a formação de qualidade exige, também, privilegiar a experiência de fé, a comunhão de vida em fraternidade e a afetividade.

· Deve ser uma formação personalizada. Dado que o sujeito em formação é o primeiro e principal responsável pela própria formação, e dado que cada pessoa é uma iniciativa irrepetível de Deus, a formação deve ser personalizada, para que cada um assuma responsavelmente a dinâmica do próprio crescimento vocacional. Impõe-se, portanto, um processo formativo personalizado e que ajude a personalizar, atento às peculiaridades de cada pessoa, aceitando e estimulando seu ritmo de crescimento, acompanhando e ajudando cada irmão e irmã a descobrir e a fazer frutificar sempre mais o dom de Deus na própria vida.

Formar é hoje um desafio que devemos assumir na alegria e na esperança de quem se sabe chamado a continuar a missão de Jesus, o único Mestre. Formar-nos, viver em estado de formação permanente ou de conversão, é o grande desafio que nos vem da fidelidade criativa à nossa vocação e missão.

Conclusão

Queridos Irmãos e Irmãs, com simplicidade vos fiz participantes de algumas reflexões sobre os elementos que, numa leitura atenta dos Escritos de Clara e de Francisco, penso serem essenciais ao carisma franciscano e clariano. Não pretendi ser exaustivo nesta exposição, muito menos na enumeração desses elementos. Simplesmente procurei deixar que Clara e Francisco falassem através de seus escritos - razão pela qual há muitas citações - e mostrar de forma evidente que, de fato, trata-se de "duas almas gêmeas".

Ao término desta carta, fazendo minhas as palavras de Clara à Irmã Inês de Praga, peço-vos, queridos Irmãos e Irmãs, que acolhais "com bondade e devoção" "o que [vos] escrevi pela metade" "olhando nisso ao menos o carinho [fraterno] que me faz arder de caridade todos os dias" por vós, caros Irmãos, e por vós, Irmãs amadas no Senhor (cf. 4In 36-37).>>

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