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As reflexões que seguem,
baseadas principalmente nos escritos de Clara e de Francisco,
têm como única finalidade recordar-nos a nossa "decisão"
(2In 11), para que "em rápida corrida e passo ligeiro"
(2In 12), sem deixar-nos envolver "pela amargura e o desânimo"
(3In 11), possamos "ir com mais segurança pelo caminho
dos mandamentos" (2In 15).
Clara, "plantinha" de Francisco
(cf TestC 37)
Com Francisco, o Espírito do Senhor suscitou também Clara.
Por isso, como disse João Paulo II, não é possível separar
estes "dois fenômenos", estas "duas legendas", estes "dois
nomes".
Francisco é para Clara e suas Irmãs o precursor que indica
o caminho, "fundador, plantador e auxílio" (TestC 48),
solícito em cultivá-las com a palavra e com as obras,
como sua plantinha (cf. TestC 49); "coluna e única consolação
depois de Deus e o nosso apoio" (TestC 38). É muito significativo
que, no Testamento, ao falar da própria vocação, Clara
faça constante referência a Francisco.
Por sua vez, Clara é para Francisco conselheira e luz
para discernir a vontade do Senhor nos momentos de dúvida
(cf. LM 12,2/5) e sempre "uma ajuda semelhante a ele"
(Gn 2,20). É também significativo que, nas horas de desânimo
e de treva, Francisco retorne a São Damião para procurar,
junto a Clara, o consolo de que necessita.
De Francisco, Clara recebe Deus, recebe o afeto e o impulso
para lançar-se a viver até o fundo o Evangelho com uma
decisão irrevogável (cf. TestC 5). De Clara, Francisco
recebe a iluminação do Senhor. Clara é o reflexo de Francisco,
no qual se vê como num espelho (PC 3,29). O rosto de Francisco,
por sua vez, é iluminado pela pureza e pela pobreza de
Clara. Clara amava ternamente a Francisco. Por sua vez,
Clara convenceu Francisco, a ponto de tornar-se para ele
uma imagem de Maria, por sua radicalidade, por sua confiança
incondicionada em Deus, por sua fragilidade cheia de força,
por sua lealdade e por sua fidelidade.
Em Clara arde um único desejo: viver o Evangelho sob o
exemplo de Francisco. Graças a ele, alimenta-se na mesma
sabedoria e respira o mesmo frescor evangélico do Poverello.
Tendo descoberto em Francisco um verdadeiro amante e imitador
do Filho de Deus (cf. TestC 5), Clara o amou, confiou-se
e uniu-se a ele para viver a mesma experiência evangélica.
Por isso a Regra é a mesma: "observar o santo Evangelho
de nosso Senhor Jesus Cristo" (RB 1,1; RSC 1,3), como
igual é a missão: restaurar a Igreja (cf. 2Cel 10/4.204/3).
Desse modo, Clara e Francisco realizaram uma das sínteses
mais geniais na história da Igreja: a síntese entre o
silêncio que escuta e a palavra que anuncia, entre a solidão
que adora na clausura e a presença que anuncia na itinerância.
Desde que "o altíssimo Pai celestial" iluminou o coração
de Clara (TestC 24) e Francisco mostrou o caminho (TestC
5) a ela e às suas irmãs, e desde que a "pobre dama" lhe
prometeu obediência (cf. RSC 1,4-5; 6,1), a única inspiração
franciscana articula-se em duas dimensões complementares:
a contemplativa, de abertura à palavra, e a ativa, de
testemunho da Palavra. São as duas dimensões do amor,
que é, ao mesmo tempo, contemplativo e ativo.
E para que esta união, profundamente humana e carismática
ao mesmo tempo, cheia de familiaridade e também de respeito,
com o tempo não viesse a faltar, consciente de que "um
e o mesmo espírito havia tirado deste mundo os irmãos
e aquelas senhoras pobrezinhas" (2Cel 204/6), Francisco
promete a Clara e às suas Irmãs "ter sempre diligente
cuidado e especial solicitude" (FV 2) "por si e por sua
Ordem" (TestC 29); Clara, por sua vez, promete, por si
mesma e pelas Irmãs, obediência a Francisco e a seus sucessores
(cf. RSC 1,4).>>
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