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À luz do que foi dito, é
necessário que tanto nós, Frades, quanto vós, Irmãs, nos
perguntemos: Como vivemos nossa complementaridade carismática?
Como respondemos, nós, Frades, ao compromisso assumido
por Francisco de acompanhar espiritualmente as Irmãs?
Como vivem as Irmãs aquilo que Clara desejava exprimir
com a obediência a Francisco e a seus sucessores? Que
conseqüências, também de tipo jurídico, deveremos tirar?
Não estará o Senhor a nos pedir mudanças significativas
que nos levem a viver uma comunhão maior, não só afetiva,
mas também efetiva?
Irmãs, minha profunda convicção é esta: necessitamo-nos
reciprocamente. Mutilaríamos o carisma se caminhássemos
separadamente. E disso todos seremos responsáveis. Não
desejamos, pois não podemos, percorrer estradas paralelas.
Caminhando unidos, respeitando nossas diferenças, jogamos
tudo: a fidelidade a Francisco e a Clara; a eficácia evangélica
de nossa missão na Igreja e no mundo; a credibilidade
diante daqueles que, hoje como ontem, estão convencidos
de que Francisco e Clara são duas almas gêmeas e inseparáveis.
Enquanto "suplico" aos Irmãos e às Irmãs "na medida do
possível, com humildes preces, nas entranhas de Cristo"
(1In 31) a ficarem fiéis à herança que recebemos, estimulo
uns e outras a ter a coragem de reconsiderar nossas relações,
de fortificá-las e de torná-las evangélicas e franciscanamente
mais significativas, à luz das relações entre Francisco
e Clara e à luz daquilo que eles nos mandaram.
Reconhecei a vossa vocação
(cf. TestC 4): reavivai o dom
de Deus em vós (cf. 2Tm 1,6)
Conhecer nossa vocação para melhor responder a ela é o
grande desafio com o qual nos confrontamos constantemente.
É uma tarefa que nunca termina e que não podemos delegar.
Nela joga-se a nossa fidelidade.
Tanto para Clara como para Francisco, nossa vocação, que
é também nossa missão, é viver o santo Evangelho (RSC
1,2; RB 1,1). Vivendo o Evangelho, daremos glória a "nosso
Pai celestial em toda a sua santa Igreja" (TestC 14) e
o bendiremos e louvaremos (cf. TestC 22) em todo o tempo
e lugar, graças à nossa "vida famosa e santo comportamento"
(TestC 14). Formaremos, assim, "um bloco polido de pedras
vivas" (2Cel 204/3) e seremos "exemplo e espelho" uns
para os outros e juntos, para todos (cf. TestC 19).
Grande e bela é nossa vida e missão, queridas Irmãs e
caros Irmãos! Consideremos, pois, os múltiplos dons que
temos recebido e diariamente recebemos do "Pai das misericórdias",
sobretudo o de nossa vocação (cf. TestC 2). Consideremos
a copiosa bondade de Deus para conosco (cf. TestC 15).
Muito é o que o Senhor nos deu! Restituamos multiplicado
o talento recebido e observemos os mandamentos de Deus
e do bem-aventurado pai Francisco (cf. TestC 18). Entreguemo-nos
totalmente Àquele que por nós totalmente se entregou (cf.
Ord 29). Entreguemo-nos sem reservas ao "mais belo entre
os filhos dos homens" (2In 20). Alegremo-nos sempre com
Ele e não deixemos que nos envolva a treva da mediocridade,
nem a amargura e a tristeza que produz "a lama do mundo"
(Er 2). Antes, sejamos fiéis até a morte Àquele que nos
entregamos (cf. Er 3-4; 1In 5).>>
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