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       São Paulo, 20/11/2008, 09:19          
 
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  A graça desta data jubilar da aprovação da Regra, que Clara tão ansiosamente esperou ver confirmada, é uma "ocasião propícia" que devemos aproveitar para "confirmar" nosso "propósito" de servir ao Senhor e sermos fiéis àquilo que prometemos até a morte (Er 4), completando apaixonadamente a obra que tão bem começamos (cf. Er 14), "crescendo de bem para melhor, de virtude em virtude" (1In 32), sem embaraços nos pés, para que nossos passos nem recolham a poeira, mas, confiantes e alegres, avancemos com cuidado pelo caminho da bem-aventurança (cf. 2In 12-13).

Gerada para a Igreja pela fecundidade profética de Francisco, Clara confessará em seu Testamento: "O Filho de Deus fez-se para nós o Caminho" (TestC 5). Esta confissão de Clara, que bem poderíamos chamar de "oração do coração" da mãe às suas filhas, é a síntese do Evangelho indicado por Francisco, é a convicção simples e forte da "pobre dama", capaz de sustentar o objetivo e a busca de toda uma vida: conhecer o caminho para chegar à visão da beleza do rosto de Deus manifestado em Jesus Cristo. Este Caminho tomou forma na vida de Clara, criando um espaço aberto à "ação do Espírito do Senhor", dando origem à "forma de vida" das Irmãs Pobres, que ela mesma delineia na Regra confirmada pelo Papa Inocêncio IV a 9 de agosto de 1253.

Foi dito que Clara tem o privilégio de concentrar o franciscano no essencial. Por isso, nestes momentos, em que é necessário concentrar-se nos elementos essenciais de nosso carisma, desejaria destacar três "prioridades" que me parecem fundamentais na vida de todas as Irmãs Pobres, como também na vida de cada Frade Menor: a dimensão contemplativa, a pobreza e a fraternidade. Viver estas "prioridades" tornará mais visível e significativa a nossa vida e transformará nossa existência em "profecia do futuro" (NMI 3).

A dimensão contemplativa:
"transforme-se inteiramente, pela contemplação,
na imagem da divindade" (3In 13)

Fazer do Evangelho a única regra de vida, como no caso de Francisco e Clara, implica ter descoberto o primado de Deus e de sua Palavra na vida de cada dia. Este primado não é um princípio geral, mas o núcleo central de nossa comum vocação. Por isso, a dimensão contemplativa deve ser considerada como a primeira e fundamental expressão de nosso seguimento de Cristo.

A dimensão contemplativa que, segundo uma expressão de Clara, consiste essencialmente no abraço amoroso com Cristo para identificar-se com Ele, tanto em Clara como em Francisco nasce de um olhar atento e cheio de espanto e de gratidão pelo mistério da encarnação. Aquele "que os céus não podiam conter" abaixou-se até fixar morada "no pequeno claustro" do "santo seio" da menina de Nazaré (cf. 3In 18-19). O "Senhor dos senhores" (2In 1), "tão digno, tão santo e glorioso", ao receber "a carne de nossa humanidade e fragilidade" (2Fi 4), "quis aparecer no mundo desprezado, indigente e pobre" (1In 19); "de rico que era" (2Cor 8,9), "quis neste mundo, com a beatíssima Virgem, sua Mãe, escolher a pobreza" (2Fi 5).

Em Clara, este olhar é o olhar da esposa para o Esposo. Em Francisco e Clara, este olhar é o de um coração enamorado que contempla a encarnação do Verbo do Pai à luz do amor. É o olhar atento e penetrante - "todos os dias ... sem cessar" (4In 15) - que leva a descobrir a beleza de Jesus Cristo, o "esposo da mais nobre estirpe" (1In 7), com o aspecto "mais belo" (1In 9), "cuja beleza todos os batalhões bem-aventurados dos céus admiram sem cessar" e "cuja visão gloriosa tornará felizes todos os cidadãos da celeste Jerusalém" (4In 10.13).>>

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