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A graça desta data jubilar da aprovação
da Regra, que Clara tão ansiosamente esperou ver confirmada,
é uma "ocasião propícia" que devemos aproveitar para "confirmar"
nosso "propósito" de servir ao Senhor e sermos fiéis àquilo
que prometemos até a morte (Er 4), completando apaixonadamente
a obra que tão bem começamos (cf. Er 14), "crescendo de
bem para melhor, de virtude em virtude" (1In 32), sem
embaraços nos pés, para que nossos passos nem recolham
a poeira, mas, confiantes e alegres, avancemos com cuidado
pelo caminho da bem-aventurança (cf. 2In 12-13).
Gerada para a Igreja pela fecundidade profética de Francisco,
Clara confessará em seu Testamento: "O Filho de Deus fez-se
para nós o Caminho" (TestC 5). Esta confissão de Clara,
que bem poderíamos chamar de "oração do coração" da mãe
às suas filhas, é a síntese do Evangelho indicado por
Francisco, é a convicção simples e forte da "pobre dama",
capaz de sustentar o objetivo e a busca de toda uma vida:
conhecer o caminho para chegar à visão da beleza do rosto
de Deus manifestado em Jesus Cristo. Este Caminho tomou
forma na vida de Clara, criando um espaço aberto à "ação
do Espírito do Senhor", dando origem à "forma de vida"
das Irmãs Pobres, que ela mesma delineia na Regra confirmada
pelo Papa Inocêncio IV a 9 de agosto de 1253.
Foi dito que Clara tem o privilégio de concentrar o franciscano
no essencial. Por isso, nestes momentos, em que é necessário
concentrar-se nos elementos essenciais de nosso carisma,
desejaria destacar três "prioridades" que me parecem fundamentais
na vida de todas as Irmãs Pobres, como também na vida
de cada Frade Menor: a dimensão contemplativa, a pobreza
e a fraternidade. Viver estas "prioridades" tornará mais
visível e significativa a nossa vida e transformará nossa
existência em "profecia do futuro" (NMI 3).
A dimensão contemplativa:
"transforme-se inteiramente, pela contemplação,
na imagem da divindade" (3In 13)
Fazer do Evangelho a única regra de vida, como no caso
de Francisco e Clara, implica ter descoberto o primado
de Deus e de sua Palavra na vida de cada dia. Este primado
não é um princípio geral, mas o núcleo central de nossa
comum vocação. Por isso, a dimensão contemplativa deve
ser considerada como a primeira e fundamental expressão
de nosso seguimento de Cristo.
A dimensão contemplativa que, segundo uma expressão de
Clara, consiste essencialmente no abraço amoroso com Cristo
para identificar-se com Ele, tanto em Clara como em Francisco
nasce de um olhar atento e cheio de espanto e de gratidão
pelo mistério da encarnação. Aquele "que os céus não podiam
conter" abaixou-se até fixar morada "no pequeno claustro"
do "santo seio" da menina de Nazaré (cf. 3In 18-19). O
"Senhor dos senhores" (2In 1), "tão digno, tão santo e
glorioso", ao receber "a carne de nossa humanidade e fragilidade"
(2Fi 4), "quis aparecer no mundo desprezado, indigente
e pobre" (1In 19); "de rico que era" (2Cor 8,9), "quis
neste mundo, com a beatíssima Virgem, sua Mãe, escolher
a pobreza" (2Fi 5).
Em Clara, este olhar é o olhar da esposa para o Esposo.
Em Francisco e Clara, este olhar é o de um coração enamorado
que contempla a encarnação do Verbo do Pai à luz do amor.
É o olhar atento e penetrante - "todos os dias ... sem
cessar" (4In 15) - que leva a descobrir a beleza de Jesus
Cristo, o "esposo da mais nobre estirpe" (1In 7), com
o aspecto "mais belo" (1In 9), "cuja beleza todos os batalhões
bem-aventurados dos céus admiram sem cessar" e "cuja visão
gloriosa tornará felizes todos os cidadãos da celeste
Jerusalém" (4In 10.13).>>
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