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       São Paulo, 06/01/2009, 07:32          
 
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Viver sem nada de próprio:
Como pobre abrace o Cristo pobre (cf. 2In 18)

A pobreza é uma das características do franciscanismo, particularmente da forma de vida das Irmãs Pobres. Bem se pode dizer que o viver "sem nada de próprio" (RB 1,1; RSC 1,2) é a nota dominante e distintiva do nosso "fazer penitência" (cf. RSC 6,1). Para Francisco e para Clara, dois autênticos "anawin" ou "pobres de Javé", "viver sem nada de próprio" é algo inegociável.

Referindo-se aos que desejam abraçar esta vida, Clara e Francisco pedem que se anuncie a eles a palavra do Evangelho (cf. Mt 19,21): "que vão e vendam todos os seus bens e procurem distribuí-los aos pobres" (RSC 2,8; RB 2,6). Esta palavra evangélica está na base da vida de Francisco e de Clara; é a palavra carismática por excelência, o quadro de referência de sua experiência evangélica, a opção de fundo, que inspira a decisão de viver segundo "perfeição do santo Evangelho" (FV 1; cf. RSC 6,3), orienta o caminho e ilumina os passos sucessivos.

A "predileção" que Francisco e Clara mostram pela pobreza radical, expressa pelo "viver sem nada de próprio", não se inspira nas modas da época, mas no amor a Cristo, o Pobre por excelência (cf. TestC 45). Dele aprenderam o despojamento e o abaixamento mais radical e absoluto.

A contemplação de Cristo pobre e crucificado está no centro da experiência espiritual de Francisco e de Clara, dá sentido e motiva suas opções concretas de vida, sobretudo as que se referem à pobreza. O caminho seguido por Francisco e Clara é o caminho indicado por Cristo Jesus com seu comportamento e seus sentimentos: "Ele, subsistindo na condição de Deus, não se apegou à sua igualdade com Deus. Mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando-se solidário com os seres humanos. E, apresentando-se como simples homem, humilhou-se, feito obediente até a morte, até a morte numa cruz" (Fl 2,6-8).

A fé permitiu que Clara e Francisco descobrissem que, para a salvação dos pecadores e a redenção dos escravos, o Senhor não escolheu o caminho da riqueza e do poder, mas o da pobreza, da humildade e do serviço; a partir da fé, "o Pobre de Assis" e a "Dama Pobre" intuíram que a salvação e a redenção podiam ser recebidas na medida em que, pela pobreza, pela humildade e pelo serviço, entravam no caminho de Cristo e seguiam suas pegadas (cf. 1Pd 2,21). Tanto para Clara como para Francisco, a "santíssima pobreza" não é simplesmente uma virtude, nem somente uma renúncia às coisas, mas é, sobretudo, um nome e um rosto: o rosto de Jesus Cristo Pobre e Crucificado (cf. 2In 19).

Nu nasceu entre nós, Ele que é a Palavra de Deus, e foi envolto em faixas e na ternura do amor de sua Mãe, Ele que é a luz e a vida de tudo o que existe. Despojado de suas vestes, o Filho de Deus morreu por nós (cf. TestC 45). Esse foi o caminho que, movidos pela graça de Deus, o bem-aventurado Francisco e a bem-aventurada Clara quiseram percorrer.

Contemplando os mistérios da encarnação e da paixão, morte e ressurreição, Frei Francisco e Irmã Clara gravaram no mais íntimo de seu coração a memória da humilhação do Senhor e compreenderam que eram dirigidas particularmente a eles as palavras do Evangelho: Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga (Mt 16,24). A partir desta experiência revestiram-se "do espírito de pobreza, do sentimento de humildade e do afeto de profunda piedade" (LM 1,6/1), que os levaram à imitação de Cristo, Filho de Deus bendito e glorioso, seguindo suas pegadas no caminho da humildade e da pobreza (cf. RB 9,1; 3In 4.25) e abraçando-o nos mais pobres, nos leprosos (cf. LM 1,5-6).>>

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