Introdução:
Vivemos num mundo de velocidade; mundo barulhento, marcado
pelo som.
É o tilintar do telefone, ronco de motores, chiar
de rádio, loucura das discotecas...
A imprensa escrita e falada, etc., gemidos de sirenes,
até mesmo as missas são barulhentas...vivemos
em cidades ofegantes.
O silêncio está ausente. Parece que existe
medo de buscá-lo, medo de estar só; defrontar-se
consigo mesmo. Isso vai incidir na falta da vida de oração,
que implica em não conseguir concentrar-se, administrar
o caminho, à luz do Senhor.
Sabemos, barulho agitação demasiada, podem
causar neuroses, desequilíbrio. Leva à superficialidade,
esvazia, rouba a reflexão, o aprofundamento. Causa
doença em muitos corações...
O mundo moderno pode perder-se, ficar sem rumo, apenas
vivendo no exterior; é o homem na periferia de
si mesmo, não concentrado em seu núcleo
íntimo.
O silêncio nos pesa, mas é sumamente necessário.
O Silêncio cria espaço para a profundidade:
O silêncio é o espaço para a profundidade.
No silêncio, o homem se vê, e vê os
outros e também a Deus. O silêncio é
a sagrada solidão.
O ruído dispersa, dissipa. O silêncio recolhe,
recupera, condensa...
Quem não sabe pôr em sua vida zonas de silêncio,
não tarda a viver na periferia de si mesmo...
O silêncio torna a ação mais fecunda;
sempre compensa.
Assim como a germinação da semente se faz
sem o conhecimento do semeador, no segredo da terra, o
pensamento opera-se nas profundezas do silêncio.
Ele ajuda o controle dos pensamentos.
Os atos e palavras brotam dos pensamentos, trabalhados
no silêncio.
O silêncio é uma necessidade para o homem.
Quem se dá, sem nunca se encher, acaba por se esvaziar.
Calar-se é um exercício, é um domínio.
Dominar a língua é uma força de domínio
de si mesmo...Quem não é capaz de silêncio,
desperdiça riquezas interiores.
O silêncio é o lugar de planejar a ação.
O silêncio é condição para
se conhecer.
O silêncio é condição para
orar pessoal e individualmente.
O silêncio é o vazio para Deus plenificar
o nosso coração, ensinar-nos.}
O Silêncio facilita-nos o Encontro com Deus:
Santa Teresa dizia: Minha alma adora Deus no centro de
mim mesma.
O silêncio é a grande lei da vida sobrenatural.
No silêncio, sobe a seiva e a árvore frutifica.
As operações da graça de Deus se
fazem no silêncio.
Na ONU, criaram-se quartos de silêncio, para os
grandes homens meditarem e, refletirem para as grandes
decisões...
Os destinos do mundo, resolvem-se no interior dos corações.
O silêncio nos coloca em atitude de acolhida ( Veja
o episódio de Marta e Maria... )
É o amor do silêncio que conduz ao silêncio
do amor...
O coração sabe falar...Você conhece
o silêncio do amor.
O silêncio é interior. Não vale o
silêncio por silêncio apenas...
O que fez de minha vida um céu antecipado foi ter
acreditado que Deus habitava em mim ( Irmã Elizabeth
da Trindade ).
Diante do mistério, a atitude natural do coração
é o silêncio.
Maria guardava todas as coisas em seu coração,
meditando-as...em silêncio.
Minha alma é uma cela, onde vivo em companhia de
Deus ( Catarina de Sena )
O silêncio facilita o encontro com Deus; mas Deus
pode ser encontrado também em todos os lugares,
até na multidão barulhenta...Depende de
mim, se faço silêncio para Ele atuar...
Na vida há tempo para cada coisa, como diz o livro
do Eclesiastes...
O Silêncio ajuda-nos a ser mais úteis aos
outros:
Há duas espécies de homens: Os que sabem
ouvir e os que disso são incapazes.
Para ouvir-se, começa-se por calar-se.
O silêncio é um estado de disponibilidade.
O amor não tem muita necessidade de palavras. Nele
há mais silêncio que palavras.
Quem não faz silêncio, tem mais dificuldade
de discrição...
Não digas a ninguém o que não quiseres
que saiba...
Falar muito exacerba os nervos...
Aprender a escutar forma a personalidade.
O mundo se perde interiormente e é interiormente
que ele se salva.
Não é preciso ser mudo. Há um silêncio
fecundo e um silêncio egoísta, covarde, injusto.
Quando se precisa falar, falemos.
Há muitos tipos de silêncios: O da indiferença...o
do respeito...o da fuga...e do orgulho ferido...o bom
e o mau silêncio. O silêncio pode ser ouro
e pode ser também ferro...
A crítica negativa é mau uso da palavra,
melhor seria o silêncio.
Quem não peca pela língua, é perfeito,
diz São Tiago..
O dom da palavra, o dom do silêncio, é para
o amor a Deus e ao próximo.
Conclusão:
Acreditar no silêncio como valor.
Exercitar-se no silêncio.
Sou um homem de muito falar, confesso, mas tenho comigo
um compromisso, organizar zonas de silêncio, para
orar, para poetar, para ir à raiz das coisas, das
pessoas, e dos acontecimentos!...Sou apaixonado pela solidão,
no bom sentido!...São minhas horas poéticas!...
Ser capaz de ler um livro até o fim, não
ficar borboleteando...Eis um desafio!
Fazer silêncio no meio do barulho; é questão
de orar neste mundo atual.
Não se irritar diante do barulho de outrem, mas
fazer o seu espaço de silêncio.