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       São Paulo, 06/01/2009, 20:59          
 
 
2.1 O QUE QUER DIZER O TERMO "SECULAR"?

Antes de prosseguir nesta procura, temos que esclarecer o termo "secular" de modo mais nítido. Pois, neste contexto, essa palavra não é sinônima nem de "ateu", nem de "secularizado" (cf. Lição 14), mas significa bem outra coisa. Trata-se justamente do contrário! Pois, não é possível encontrar a Deus a não ser no âmbito secular, em "todas as coisas deste mundo", como Inácio de Loyola definiu: quer dizer, nas pessoas humanas com suas preocupações e necessidades, suas alegrias e esperanças, nos animais, nas plantas e nas pedras, nas situações concretas e nas circunstâncias sociais, nos acontecimentos e nas experiências da história. Portanto, a pessoa religiosa não precisa ir ao deserto, subir ao cume de um monte ou refugiar-se no mundo interior da alma (apesar de poder fazer isto também!) para procurar a Deus. Não precisa despedir-se do mundo para encontrar a Deus. Este é o ensino da Bíblia, com a qual estamos comprometidos.

Na história da Igreja é possível encontrar ainda uma outra influência predominante: A realidade como constutuída de duas partes desiguais, ou seja, do "mundo", considerado como uma coisa inferior ou mesmo ruim, e do "espírito", considerado o melhor ou até mesmo a única coisa válida e boa.

Nesta perspectiva, a única preocupação importante consistiria em ocupar-se exclusivamente das coisas espirituais, mortificando os sentidos, estimulando o poder da alma, fugindo do mundo, entregando-se a Deus. Essa mentalidade cria um dualismo irreconciliável. Os ascetas do cristianismo primitivo saíram das cidades e refugiaram-se no deserto. Seus seguidores procuravam a vida religiosa pela renúncia às suas posses (pobreza), à vontade própria (obediência) e à sexualidade (virgindade). Evidentemente, esses três pontos de cristalização da vida cristã contêm muitos conteúdos positivos e preciosos. Por este motivo, continuam constituindo - para inúmeros cristãos - motivos e perspectivas essenciais, válidas até hoje.

Desde o início, porém, estavam penetradas por um espírito dualista, marcado pelo desprezo do mundo.

O dualismo tem ainda outras raízes que não são nem cristãs. Por isso, não convém que seja um motivo condutor (leitmotiv) para a vida franciscana. O mundo real é a criação de Deus, o lugar onde a glória de Deus se manifesta e que resplandecer. Mesmo sendo verdade que Deus habita na alma humana individual, normalmente costuma agir através da história dos povos. Mostrou-se na sarça ardente a Moisés, para usá-lo como instrumento numa obra histórica e salvífica: devia conduzir o povo de uma situação de opressão e dependência à plena liberdade. Deus está presente nos processos de libertação dos povos e no engajamento em prol de mais justiça e paz. Ele se encarnou (Jô 1) e quer continuar presente no mundo até o fim dos tempos (Mt 28,20). Quem deseja seguir a Deus, tem que seguí-lo mundo adentro.

   
 

Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail
ffb@compuland.com.br

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