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Inicialmente, Francisco ficou sozinho, desprezado,
perseguido pelo pai, declarado demente. Mas
, logo começaram a chegar irmãos
e também irmãs; e em 10 a 15 anos,
o número daqueles que se deixaram seduzir
pela alternativa franciscana foi imensamente
grande. Há dois textos que ilustram a
ascendência que Francisco exercia sobre
os demais: "Acorriam homens e mulheres,
clérigos e religiosos para verem e ouvirem
o santo de Deus, que a todos parecia um homem
de outro mundo... Começaram a vir a São
Francisco muitas pessoas do povo, nobres e plebeus,
clérigos e leigos, querendo por inspiração
de Deus, militar para sempre sob sua disciplina
e magistério. O santo de Deus, como um
rio cauteloso de graça celeste, alimentado
pelas chuvas dos carismas, enriquecia o campo
e seus corações com as flores
das virtudes. Pois era um artista consumado
que apresentava o exemplo, a Regra e os ensinamentos
de acordo com os quais a Igreja de Cristo rejuvenescia,
enquanto nos homens e nas mulheres triunfava
o tríplice exército dos predestinados.
A todos propunha uma norma de vida e demonstrava
com garantias o caminho de salvação
em todos os graus" (1Cel 36ss).
Mais importante ainda do que esse texto escrito
em 1228 pelo franciscano Tomás de Celano
é o relato de uma outra testemunha ocular,
Jacques de Vitry. É tanto mais precioso
por ser de um estranho, que escreveu no ano
de 1216:
"Vi um grande número de homens e
mulheres que renunciavam a todos os seus bens
e abandonavam o mundo por amor de Cristo: "Irmãos
menores" e "Irmãs menores",
como são chamados.
O Senhor Papa e os cardeais têm por eles
grande estima. Não têm interesse
nenhum nos valores temporais. Alimentam, porém,
uma única paixão à qual
consagram seus esforços: arrancar às
vaidades do mundo as almas que estão
em perigo e atraí-las às suas
fileiras. E por divina graça já
alcançaram importantes êxitos e
realizaram numerosas conquistas; os que os ouviam,
diziam a seus amigos: "Vinde e vereis com
os próprios olhos". Desta forma
um auditório chama ao outro. Estes vivem
de acordo com a forma de vida da Igreja primitiva,
da qual se escreve: "A multidão
dos fiéis era um só coração
e uma só alma" (At 4,32). Durante
o dia, entram, nas cidades e aldeias, dedicando-se
à vida ativa do apostolado; à
noite, voltam a seus eremitérios ou se
retiram para a solidão da vida contemplativa.
As mulheres convivem em alguns hospícios
não distantes das cidades; não
aceitam doações, mas vivem do
trabalho de suas mãos. No entanto, se
afligem e se perturbam muito com a veneração
que lhes tributam clérigos e leigos,
por lhes parecer excessiva.
Uma vez por ano, os homens desta Ordem se encontram
num lugar combinado para se alegrarem no Senhor
e comerem juntos: e é de grande proveito
para todos. Valendo-se do auxílio de
conselheiros corretos e virtuosos, redigem,
promulgam e levam à aprovação
do Senhor Papa santas instituições;
em seguida, separam-se novamente por um ano
e se espalham através da Lombardia, Toscana,
Apúlia e Sicília" (Jacques
de Vitry, carta de 1216).
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